Os veículos elétricos economizam um consumo de petróleo equivalente a 70% das exportações do Irã

Foto: Michael Fousert/Unsplash

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19 Março 2026

A frota global de veículos elétricos reduziu o consumo mundial de petróleo em 1,7 milhão de barris por dia, um número equivalente a 70% da produção do Irã, que se situa em 2,4 milhões de barris e está atualmente paralisada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, consequência da agressão dos EUA e de Israel contra o país persa.

A reportagem é publicada por El Salto, 18-03-2026.

O dado foi divulgado na quarta-feira pela Ember, um think tank britânico dedicado à análise energética global. Em sua análise, intitulada "As consequências para a segurança energética: da fragilidade dos combustíveis fósseis à independência elétrica", a organização enfatiza como a eletrificação afetou as economias globais no contexto da guerra na região do Golfo Pérsico, uma área que fornece 29% do suprimento global de petróleo bruto, com um gargalo no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Num planeta onde 79% da população vive em países que precisam importar petróleo, o aumento de preços resultante do fechamento do Estreito representa um sério problema para as economias globais, especialmente para as populações mais vulneráveis, que são as mais afetadas pela alta dos preços. Essa situação se agrava no caso de países com poucos recursos naturais, como a Namíbia ou a República Democrática do Congo, cujas importações de combustíveis fósseis representam mais de 15% do seu produto interno bruto.

Os veículos elétricos evitaram o consumo de petróleo equivalente a 70% das exportações iranianas (Fonte: IEA | Ember | El Salto)

Trump e Netanyahu estão empobrecendo o mundo

Com o preço do petróleo Brent — a referência internacional — acima de US$ 100 por barril na última semana, o ataque dos líderes sionistas e americanos à República Islâmica levou a um aumento de cerca de 40% em comparação com os preços dessa referência antes da ameaça de bombardeio. Naturalmente, esse aumento afetou os preços dos combustíveis e, consequentemente, o restante da economia: em 18 de março, o preço médio da gasolina de 95 octanas na Espanha era de € 1,77 por litro, representando um aumento de cerca de 18% em um mês; enquanto no caso do diesel, que foi mais severamente impactado, o aumento já ultrapassa 26%, com preços médios acima de € 1,90 por litro. O conflito está tendo um impacto particularmente significativo no querosene de aviação, com um aumento de 70% em toda a Europa desde o seu início.

 A análise da Ember aponta que, para cada aumento de US$ 10 por barril no preço do petróleo, a fatura líquida global de importações aumenta em cerca de US$ 160 bilhões anualmente. Isso afeta particularmente a Ásia, que importa aproximadamente 40% do seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, com a China tendo um impacto significativo.

Mas os países produtores também não estão imunes. Em um dos países agressores, os EUA, os preços da gasolina já aumentaram mais de 25%, atingindo níveis não vistos desde 7 de outubro de 2023, data dos ataques do Hamas contra o Estado de Israel, cuja resposta levou ao genocídio em Gaza.

A alternativa elétrica está disponível

“Ao contrário das crises do petróleo da década de 1970, agora existe uma alternativa melhor”, afirma Daan Walter, diretor do think tank global de energia Ember. “Os veículos elétricos estão se tornando cada vez mais competitivos em termos de preço com os carros a gasolina, e a volatilidade do petróleo faz dos veículos elétricos uma escolha lógica para os países que desejam se proteger de futuras crises.”

Segundo Ember, substituir o petróleo importado usado no transporte rodoviário por veículos elétricos reduziria a conta dos países importadores em mais de um terço, o que equivale a cerca de 600 bilhões de dólares por ano.

A análise enfatiza que as tecnologias de eletrificação já existem para mais de três quartos da demanda global de energia, “e todos os países têm recursos renováveis ​​suficientes para atendê-la com sua própria energia eólica e solar”. Se, além da eletrificação do transporte rodoviário, substituíssemos completamente os sistemas de aquecimento a gás e óleo por sistemas elétricos, e se as usinas de energia renovável substituíssem definitivamente aquelas que queimam carvão, gás e óleo, Ember destaca que “os importadores poderiam reduzir suas contas em cerca de 70%”.

Participação dos veículos elétricos nas vendas de carros novos (Fonte: IEA | Ember | El Salto)

O aumento expressivo da frota de veículos elétricos na Ásia atenuou o impacto dos ataques israelenses e americanos na economia global. "Com o petróleo a US$ 80 o barril, a China economiza mais de US$ 28 bilhões anualmente em importações de petróleo graças à sua atual frota de veículos elétricos", destaca Ember. Na Europa, esse valor gira em torno de US$ 8 bilhões e, na Índia, em torno de US$ 600 milhões.

A China detém 50% do mercado de vendas de veículos elétricos novos, o Vietnã 38%, a Tailândia 21% e a Indonésia 15%. Esses números contrastam fortemente com os 10% dos EUA e os 9% do Brasil, embora haja exceções, como a Índia, com uma participação de apenas 4%, e o Japão, com 3%. Na UE, a participação de mercado é de 26%, com a Espanha bem atrás, em torno de 9%.

Ember enfatiza que, do trio formado por transporte, geração de eletricidade e ar condicionado, a eletrificação do primeiro é "a mais importante hoje", porque os veículos elétricos são atualmente competitivos em preço com os veículos a combustão e estão facilmente disponíveis.

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