03 Abril 2025
A professora espanhola de direito canônico Carmen Peña se manifestou a favor da abertura do cardinalato a leigos e leigas. O fator decisivo não é o status episcopal, sacerdotal ou secular dos prefeitos, mas a autoridade vicária que recebem do Papa, disse Peña em entrevista ao site Religion Digital (quarta-feira). A professora da Pontifícia Universidade Comillas, em Madri, referia-se à reforma da Cúria papal, que enfatiza a possibilidade de que um dicastério também possa ser liderado por uma pessoa não ordenada.
A reportagem é publicada por Katholisch, 03-04-2025.
Peña, que também é presidente da Associação Espanhola de Canonistas, considera o momento atual particularmente oportuno, já que mulheres foram recentemente nomeadas para a Cúria do Vaticano. No entanto, é necessária uma "séria investigação doutrinária" do tema. "O principal obstáculo, como Francisco reconheceu, está no papel dos cardeais na eleição do novo papa no conclave. Este papel, embora muito importante, não é o único nem o que justifica o cardinalato", disse a especialista.
Nenhuma proibição de mulheres como núncios
Questionada se poderia haver mulheres à frente das nunciaturas após a recente nomeação da irmã Raffaella Petrini como chefe de governo do Estado do Vaticano, Peña respondeu que o direito canônico não proíbe isso. "No entanto, a nomeação de leigos como representantes papais permanentes, além de algumas nomeações específicas à frente das delegações diplomáticas do Vaticano em eventos internacionais, é muitas vezes considerada inadequada por razões tradicionais ou hierárquicas", explicou a canonista.
Enquanto isso, considera-se desejável que o núncio seja um bispo para poder encontrar as conferências episcopais ao nível dos olhos. Embora tais argumentos também possam ser encontrados em outras instituições, eles refletem um classismo clerical na Igreja que contradiz a autoridade do núncio como representante do Papa Romano. Por outro lado, a prática de conceder o status de bispo a núncios ou altos funcionários da Cúria Romana levanta problemas eclesiológicos, já que o número de "bispos sem povo" está aumentando excessivamente, disse Peña.
Carmen Peña é professora titular da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade de Comillas, em Madri. Em 2014, participou como perita no Sínodo sobre a Família e foi nomeada para a Comissão Teológica do Sínodo dos Bispos em 2021 e para o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida em 2023, onde já trabalhou como consultora.
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