“Menos viagens e audiências, mas sua autoridade não muda”. Entrevista com Giovanni Lajolo

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • Trump usa o ataque para promover sua agenda em meio ao bloqueio de informações sobre o Irã e índices de aprovação em níveis historicamente baixos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Março 2025

“Para o Papa, pode ser necessário reduzir seus compromissos: audiências, viagens, compromissos públicos. Mas isso não significará uma perda de sua autoridade e de sua capacidade de governar. Ele liderará a Igreja mesmo durante a convalescença, talvez lidando apenas com as questões mais importantes enquanto aguarda sua gradual recuperação total”.

Marcamos um encontro com o Cardeal Giovanni Lajolo, presidente do conselho de administração da Universidade Lumsa, atravessando as Muralhas Sagradas e subindo até o Colégio Etíope.

A entrevista é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 24-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Vossa Eminência, Francisco retornou a Santa Marta. Quais são suas primeiras impressões?

É um ótimo sinal. O Santo Padre ainda precisa de um período de descanso e tranquilidade, mas o retorno à sua casa, ao seu lugar, é alegre e encorajador.

O pontífice ainda parece frágil. Como o governo funcionará na convalescença?

O bispo de Roma se ocupará apenas dos assuntos mais importantes, para os quais ele será sempre consultado. E se procederá exclusivamente de acordo com sua vontade, mesmo nos detalhes. Nos dossiês menos importantes ou menos urgentes, seguiremos o caminho que ele indicou nos últimos 12 anos, enquanto aguardamos sua plena recuperação. Tudo será menos complicado do que muitos pensam.

Como o senhor imagina os ritos da Semana Santa?

É difícil prever agora, talvez o Papa possa presidir a cerimônia sentado. Independentemente de sua presença física, será ele a guiar espiritualmente o povo de Deus, mesmo e especialmente nos dias mais importantes do ano para os católicos.

O senhor prevê um cenário de uma possível renúncia ao pontificado?

Acho e espero que não. Francisco ainda tem energias e uma lucidez extraordinária. Não podemos nos esquecer de que ele já demonstrou uma impressionante capacidade de resiliência. O Papa pode recuperar as forças e voltar à sua tarefa com plenitude. Talvez seja necessário reduzir seus compromissos: menos viagens, menos audiências, menos compromissos públicos, mas isso não significaria uma perda de sua autoridade e de sua capacidade de governar. Seu papel não é definido pela quantidade de eventos dos quais participa, mas pela força de sua mensagem e pela sua presença espiritual. Além disso, o Papa continua a ser um ponto de referência, não apenas para a Igreja, mas para o mundo inteiro. Ele é o pai da família cristã: pode falar menos, pode reduzir suas atividades, mas sua orientação continua sendo fundamental e sua palavra será, se possível, ainda mais incisiva e preciosa.

O senhor foi presidente da Governadorato. Agora, pela primeira vez, essa função é confiada a uma mulher, a irmã Raffaella Petrini.

É uma escolha forte e, ao mesmo tempo, concreta. A Irmã Petrini é uma pessoa de inteligência extraordinária, com um forte senso prático e uma grande capacidade de governança. É enérgica, determinada, com uma incrível gentileza e capacidade de escuta. Tenho grande estima por ela e acredito que, com sua nomeação, Francisco lançou a Igreja para o futuro.

Leia mais