Papa Francisco: Como interpretamos as três guerras mundiais?

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30 Janeiro 2023

Reproduzimos abaixo trechos do discurso do Papa Francisco à Delegação do Instituto de Estudos Internacionais de Salamanca (Espanha) na quinta-feira, 26 de janeiro de 2023. Os trechos foram publicados por Il sismógrafo, 27-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o discurso.

"Infelizmente, a situação atual nos traz à memória algo que está em Fratelli tutti. 'Toda guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. A guerra é um fracasso da política e um fracasso da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota diante das forças do mal' (cf. n. 261). Se pensarmos que neste último século houve três guerras mundiais, 1914-18, 1939-45 e a atual, que é uma guerra mundial, como o interpretamos? Se pensarmos que o orçamento mais importante é para a fabricação de armas, e com um ano sem fabricar armas se resolve o problema da fome em todo o mundo. Ou seja, já temos uma orientação belicista de destruição, e se pensamos que hoje em dia a técnica das armas chegou a tal ponto que com uma única bomba se pode destruir uma cidade inteira como esta, o que esperamos? Parece que não entendemos para onde estamos indo.

Por isso, a luta pelo entendimento humano e pela paz deve ser incansável, não podemos nos permitir tirar férias nisso. A guerra é terrível. No entanto, não devemos nos dar por vencidos, dessas cinzas que vemos hoje algo novo pode nascer, nesse fracasso podemos encontrar uma lição de vida. [É preciso] ler as guerras anteriores. Quando em 2014 fui a Redipuglia para o centenário, vi aqueles túmulos e algo se revirou dentro de mim. Eu chorei como uma criança. Todo dia 2 de novembro eu vou a um cemitério para celebrar. Uma vez fui a Anzio, ao cemitério estadunidense.

Em Anzio houve um dos desembarques e vi a idade dos soldados: 20, 21, 19, 22. Algo se revirou dentro de mim. Nós não aprendemos. Não faz muito tempo - não sei quando, alguns anos atrás - foi comemorado o septuagésimo [aniversário] do desembarque na Normandia. Vários chefes de governo se reuniram para comemorar o que foi o início do fim do nazismo, ou seja, a libertação da Europa. Mas ninguém se lembrou que trinta mil garotos ficaram nas praias da Normandia, trinta mil! Eu penso nas mães. 'Uma carta, senhora.' Ela abre a carta: 'Tenho a honra de lhe comunicar que a senhora é mãe de um herói que deu a vida por seu país', e uma medalha. É o drama da guerra, quando vamos entender isso?

É na viagem que fiz à Romênia e à Eslováquia, quando passava pelas aldeias havia pessoas que me cumprimentavam, rapazes, garotas, jovens casais, homens jovens, mulheres jovens, mas de uma certa idade só havia mulheres; quase não havia homens idosos: a guerra! Tudo isso é muito duro. Acredito que temos que reagir, a guerra é terrível. E temos que fazer algo novo sobre esse fracasso, encontrar uma lição de vida nisso."

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