Migrantes, abusos e sexualidade os temas das primeiras intervenções no Sínodo

Foto: Vatican News

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05 Outubro 2018

Os migrantes, "quase todos jovens", os abusos sexuais e as outras "deficiências" para as quais a Igreja quer pedir perdão, a questão da sexualidade e da corporeidade, dimensões que não deve ser contidas, mas acompanhadas no desenvolvimento da pessoa: são alguns dos temas que surgiram durante a primeira manhã do Sínodo sobre os jovens que foi aberto na quarta-feira pelo Papa no Vaticano (3-28 outubro). Formada a Comissão para a informação, o cardeal Robert Sarah renunciou por motivos pessoais.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 04-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A reunião caiu no dia de São Francisco e começou com as saudações e aplausos ao Papa.

Entre as 25 intervenções da manhã, relatou o prefeito do dicastério do Vaticano para as Comunicações, Paolo Ruffini, em sua primeira reunião na Sala de Imprensa do Vaticano, falou-se sobre a necessidade de ouvir os jovens nas situações concretas em que se encontram, sobe os muitos jovens "descartados" pela sociedade atual, sobre a capacidade de "profecia" de jovens, a dificuldade registrada pela Igreja para transmitir a fé às novas gerações, sobre a pastoral juvenil que não deve "domesticar" os jovens, as relações entre as gerações, mas não faltaram também questões mais controversas. Tais como "o perdão que a Igreja pediu e pede por não ter estado à altura das suas tarefas, em todos os campos, incluindo a temática dos abusos", disse Ruffini, "mas não só esses: pode-se e deve-se pedir perdão também por outras deficiências que todos nós, sacerdotes, religiosos e leigos, possamos ter tido", todas questões a serem incluídas no tema mais geral da "credibilidade" da Igreja e no "discernimento” sobre o que a Igreja deve fazer ou que não faz de forma suficiente" a fim de "recuperar a capacidade de escuta" dos jovens. Foram "cinco ou seis" os padres sinodais que "analisaram abertamente", o tema do pedido de perdão, explicou a socióloga Chiara Giaccardi, e em outros, foi "subentendido" esse tema como a mais geral "consciência de defeito geral, que é a ponta do iceberg de falhas da Igreja para viver plenamente o próprio mandato". Entre as intervenções foi abordado, disse Giaccardi, também o "tema da sexualidade e da corporeidade", "enfrentado por muitos dos padres sinodais de maneira muito franca e aberta, reconhecendo esta dimensão que não é inimiga do desenvolvimento da pessoa, mas sim, é fundamental, porque não cultivar todas as dimensões da pessoa significa entregá-la às derivas se não à perversão". Algumas intervenções, nesse sentido, reconheceram a "falta de acompanhamento dessa dimensão", e a necessidade de "repensá-la de maneira integral, não só contê-la, mas ajudá-la a se expressar de uma forma que seja bela e desenvolva a personalidade." O momento de "maior emoção", disse Ruffini ainda, foi quando se falou de migrantes, "quase todos jovens."

Durante o relato, moderado pelo diretor da Sala de imprensa do Vaticano, Greg Burke, no qual também participaram o Bispo argentino Carlos José Tissera e o jovem ouvinte vietnamita Joseph Cao Huu Minh Tri, foi anunciado que a comissão para a informação, eleita na quarta-feira, é composta além de Ruffini e do jesuíta Antonio Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica, pelos cardeais Wilfried Fox Napier, Louis Antonio Tagle, Gérald Cyprien Lacroix, Christoph Schönborn e o bispo Anthony Fisher. O subsecretário do Sínodo, Dom Fabio Fabene, confirmou que o cardeal Robert Sarah, inicialmente votado, renunciou "por motivos pessoais" e Fox Napier assumiu: "Nada além disso."

O Papa Francisco “havia convidado à parrésia e acredito que seu convite foi aceito” disse Giaccardi: “Não houve minimizações, edulcorações, houve muita franqueza e autenticidade. É um bom sinal para o início deste Sínodo, não é uma Igreja engessada". Para Ruffini, "não teve nada que tenha me causado sobressaltos, o que percebi em vez disso é o constante desejo de sonhar com os jovens, tentar ver o mundo através de seus olhos para fazer caminhar com a Igreja com eles". O padre Spadaro interveio para explicar que tanto a pedido do Papa para fazer três minutos de silêncio após cada cinco intervenções, quanto o convite a não se sentir presos ao texto preparado se encaixam no discernimento tipicamente jesuíta aplicado a um Sínodo que "não é um Parlamento ou uma debate de ideias e opiniões, mas um lugar de discernimento".

Durante o relato, anunciou Ruffini, não serão indicados os nomes dos padres ou dos ouvintes que fizeram as intervenções, nem será especificado quem disse o que para "relatar o modo como o pensamento do Sínodo na sua comunhão está se formando, em um procedimento tão diferente daquele que em minha experiência anterior como repórter - disse o ex-diretor de TV2000 - vi em diferentes ambientes da Igreja". Ao jornalista que formulava uma "prece" para ter indicações das identidades e áreas geográficas dos diversos participantes para poder seguir a direção do debate, Greg Burke respondeu, terminando o relato, que "é a primeira vez que terminamos uma conferência de imprensa com uma prece."

O documento final que será aprovado no final do Sínodo, explicou Fabene, poderia ser aprovado em bloco ou parágrafo por parágrafo: "Vai depender muito de como será feito o documento: não está excluída nem uma nem a outra possibilidade."

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