01 Agosto 2026
“Embora essa configuração possa variar de país para país, a estratégia [das Big Techs] permanece a mesma: operar discretamente, revelar o mínimo possível sobre seu impacto ambiental, impor sua narrativa de “isso é o progresso” e “estamos criando empregos” e garantir o apoio político necessário para que tudo seja feito o mais rápido possível. (...) Mas um fator pode atrapalhar seus planos: a oposição local. Dado o número e a dimensão crescentes desses projetos, grupos de opositores, preocupados com a construção dessas gigantescas infraestruturas perto de suas casas, estão se mobilizando para impedir sua construção. E, às vezes, conseguem”. A reflexão é de Lucille Giovannelli e Séverin Lahaye, em artigo publicado por Observatoire des Multinationales, 09-07-2026. A tradução é do Cepat.
Eis o artigo.
De país para país, de continente para continente, a mesma história se repete. Envolvidas em uma corrida frenética para dominar o mercado da inteligência artificial (IA), as empresas digitais, lideradas pelas Big Techs (Google, Amazon, Meta, Microsoft, Nvidia, TikTok…), aliadas a poderosos grupos financeiros, estão investindo dezenas de bilhões de dólares na construção de data centers. Segundo o jornal L’Agefi, que cita um relatório da agência Moody’s, Meta, Amazon, Oracle, Alphabet (proprietária do Google) e Microsoft investiram quase US$ 1 trilhão em 2025 na construção de seus superescaladores (hyperscalers). Esse valor pode chegar a US$ 3 trilhões até 2030, de acordo com a empresa imobiliária JLL. Esses gigantescos data centers (a maioria dos quais são chamados de “hyperscale”) abrigam vastas quantidades de dados gerados por suas respectivas tecnologias de IA. Seus requisitos? Acesso à rede elétrica, terrenos disponíveis e baratos e, frequentemente, reservas de água próximas para resfriar seus servidores.
Embora essa configuração possa variar de país para país, a estratégia permanece a mesma: operar discretamente, revelar o mínimo possível sobre seu impacto ambiental, impor sua narrativa de “isso é o progresso” e “estamos criando empregos” e garantir o apoio político necessário para que tudo seja feito o mais rápido possível. Detalhamos essa estratégia em nossa pesquisa sobre o projeto de data center do Google perto de Châteauroux. Mas um fator pode atrapalhar seus planos: a oposição local. Dado o número e a dimensão crescentes desses projetos, grupos de opositores, preocupados com a construção dessas gigantescas infraestruturas perto de suas casas, estão se mobilizando para impedir sua construção. E, às vezes, conseguem.
A luta vitoriosa dos ativistas chilenos
Foi exatamente isso que aconteceu em Quilicura, uma cidade ao norte de Santiago, a capital do Chile. Em 2015, o Google decidiu construir seu primeiro data center aí, seguido alguns anos depois por um data center da Microsoft e, em seguida, por outras operadoras. Hoje, a cidade tem cinco dos 33 data centers existentes no país. Este ainda é um número modesto se comparado aos mais de 4.000 data centers construídos nos Estados Unidos. Mas o ex-presidente de esquerda Gabriel Boric lançou um plano antes de deixar o cargo para aumentar esse número e tornar o Chile um “hub tecnológico”.
Alguns moradores de Quilicura estão preocupados com o ressecamento das zonas úmidas da região ano após ano. Em 2022, o estudante de Direito Rodrigo Vallejos demonstrou, ao examinar a documentação apresentada pela Microsoft às autoridades chilenas, que a empresa havia mentido sobre a natureza de seu sistema de resfriamento. Ele entrou com cerca de cem ações judiciais, sem sucesso, para obrigar a Microsoft a parar de extrair água para resfriar seus servidores em um país que sofria com uma seca que já durava quinze anos. Mas o ativista ambiental não se deixou abater. Em 2024, acompanhado por Tania Rodríguez, fundadora do Movimento Socioambiental Comunitário por Água e Território (Mosacat), ele contestou perante o Tribunal Ambiental de Santiago as imensas quantidades de água que o Google planejava consumir para um segundo data centers na mesma área (7 bilhões de litros de água por ano, ou cerca de 228 litros por segundo, o equivalente a 40 mil residências). Após uma longa batalha judicial, o tribunal finalmente suspendeu a licença de construção da multinacional. “Não precisamos de novos data centers que nos privem da água, só para que os ocidentais possam criar imagens engraçadas usando inteligência artificial”, disse Tania Rodríguez ao jornal britânico The Guardian.
Assim como em Châteauroux e outros locais onde construiu seus data centers, o Google prometeu um impacto ambiental mínimo e adotou a postura de bom vizinho. “Mas seus investimentos na comunidade local têm sido mínimos”, lamenta Alexandra Arancibia, vereadora de Quilicura, entrevistada pelo The Guardian. Para operar seu data center, construído em 2015, a empresa emprega apenas 208 pessoas, e o parque urbano criado em 2019 para compensar o impacto ambiental do local é, segundo ela, um “fracasso”: “A vegetação secou, as trilhas não recebem manutenção e não há irrigação”.
O acesso à água, no centro da luta contra os data centers
Na América Latina, a questão do acesso à água costuma ser o principal ponto de partida das lutas contra os data centers. Em Canelones, uma pequena cidade no sul do Uruguai, país que também sofre com as estiagens, onde a água da torneira está se tornando imprópria para consumo devido ao alto teor de sal, o Google anunciou mais um projeto de data center. Ativistas lutaram na justiça para obter a divulgação do consumo de água planejado pela empresa estadunidense – 7,7 milhões de litros por dia, o equivalente ao consumo de água de 55 mil pessoas. O Google acabou sendo obrigado a usar um sistema de resfriamento a ar, que consome muito menos água.
No Estado de Querétaro, no centro do México, a população precisa receber água por caminhões-pipa devido a uma estiagem que começou em 2024. Alguns moradores acusam as grandes empresas de tecnologia (incluindo Equinix, Amazon, Microsoft e Google) de desviar a água do sistema de abastecimento público para resfriar seus servidores, na ordem de vários milhões de litros por ano. Após inúmeras ações, os moradores da vila de Maconí, uma das mais afetadas, conseguiram um acordo com o governo federal que deve garantir a eles o acesso permanente à água.
No nordeste do Brasil, a luta dos Anacé, povo indígena do Ceará, está atrapalhando os planos do TikTok. O Brasil possui atualmente quase 210 data centers, representando cerca de metade da capacidade instalada na América Latina, e seu governo busca flexibilizar as condições tributárias para atrair ainda mais operadoras. A gigante chinesa investiu US$ 10 bilhões em um gigantesco projeto de data center, parte do qual impactará diretamente o território dos Anacé. “Eles o estão construindo bem na margem do rio”, um local de grande significado espiritual para a comunidade, segundo o cacique Roberto Ytaiçaba Anacé, entrevistado por Rest of World. O povo Anacé, pois, entrou com uma ação judicial junto às autoridades federais para impedir a construção, denunciando especialmente a violação do seu direito à consulta, garantido por tratado internacional.
Modelo econômico colonial
Segundo a jornalista independente Nastasia Hadjadji, coautora com Olivier Tesquet de Apocalypse Nerds (Divergences, 2025), essas instalações refletem a dimensão colonial do modelo econômico das Big Techs: “Sua agenda consiste em explorar todas as fragilidades políticas de um Estado, escolhendo conscientemente os locais onde as populações são mais vulneráveis”. Essa observação é compartilhada pela jornalista estadunidense Karen Hao, autora de Empire of AI (Penguin Press, 2025), para quem a IA está moldando os contornos de um neocolonialismo digital, reproduzindo os padrões exploratórios dos impérios do passado. Ela também contribuiu para o lançamento da The AI Resist List (Lista de Resistência à IA) em maio de 2026, uma iniciativa que visa documentar atos de resistência a essa indústria em todo o mundo.
É precisamente o que está acontecendo na Índia, onde o governo implementou uma isenção fiscal de 20 anos para operadores estrangeiros de data centers. Google, Microsoft e Amazon possuem ou estão desenvolvendo pelo menos um centro de dados na região, e têm como alvo áreas rurais cujos habitantes não desfrutam dos mesmos direitos de protesto que as populações ocidentais, observa a advogada Jillian Hishaw em um artigo para o veículo de comunicação Rest of World. Contudo, no Estado de Telangana, alguns moradores da vila de Mekaguda lançaram uma petição contra um data center da Microsoft, acusando-o de despejar ilegalmente resíduos industriais em um corpo d'água próximo às suas fazendas de gado.
É, no entanto, o projeto de hyperescale de US$ 15 bilhões do Google no Estado de Andhra Pradesh que está gerando mais críticas. De acordo com uma pesquisa em vídeo do Environmental Reporting Collective, o Google planeja desenvolver 200 hectares de terra pertencentes a dalits (também conhecidos como intocáveis), um dos grupos sociais mais pobres do país. Os agricultores denunciam a pressão e as ameaças que sofrem da empresa e do governo, que é proprietário da terra e removeu postagens do Instagram de uma ONG que denunciava o projeto. “Vamos lutar, mesmo que nos custe a vida”, promete Pyla Kandamma, ex-chefe do conselho da aldeia.
Trabalhadores do clic e movimentos de moradores
Em outras partes da Ásia, os moradores de grandes cidades japonesas estão se organizando para resistir à ascensão dos data centers urbanos. Na Malásia, onde o governo recentemente congelou a chegada de data centers não relacionados à IA por medo de sobrecarregar os recursos hídricos e elétricos, os primeiros sinais de protesto também começam a surgir. Nas Filipinas, a luta contra a IA está sendo liderada pelos “trabalhadores do clic”, pessoas responsáveis pelo treinamento dos grandes modelos de linguagem (LLMs). Obrigados a assistir a vídeos pornográficos para fins de moderação, por exemplo, e recebendo uma miséria, eles criaram a Code AI, uma coalizão de mais de 1,8 milhão de trabalhadores para defender seus direitos.
No Quênia, outro país com alta concentração de trabalhadores digitais, uma organização chamada Data Labelers Association foi criada com o mesmo objetivo. “Estamos construindo um movimento no qual o trabalho digital seja visível, valorizado e organizado, e onde o papel humano no cerne da IA seja finalmente reconhecido como um elemento central, e não periférico, da inovação”, disse sua fundadora, Joan Kinyua, ao Rest of the World. Na Cidade do Cabo, África do Sul, organizações da sociedade civil como a Housing Assembly se opõem à construção de dois data centers pela empresa estadunidense Equinix, que domina o setor de hospedagem denominado colocation. O país, que também “sonha em se tornar o líder continental neste novo mercado”, como descrito pelo Courrier International, deverá em breve hospedar infraestrutura do Google, Microsoft, Amazon e Oracle.
A Irlanda, porta de entrada para as Big Techs na Europa
Na Irlanda, o principal país europeu em termos de capacidade de geração de eletricidade, mais de 80 data centers consumiram 22% da energia elétrica nacional em 2024, em comparação com 5% em 2015. Esse número pode chegar a 30% até 2030. Essa demanda exponencial aumentou as contas de luz das famílias em € 1,4 bilhão e tornou a rede elétrica mais instável, a ponto de o governo ter que reabrir urgentemente duas usinas termelétricas a combustíveis fósseis. Depois de impor uma moratória de quase três anos, congelando € 6,5 bilhões em investimentos, o governo agora exige que as operadoras produzam sua própria eletricidade. Essa mudança se deve em parte às mobilizações populares iniciadas em 2021, lideradas pela ONG People Before Profit, e às lutas locais.
Em Ennis, no condado de Clare, três cientistas aposentados, Bridget Ginnity, Colin Doyle e Martin Knox, travaram uma batalha judicial de cinco anos contra um data center de 200 megawatts pertencente à Art Data Centres, uma subsidiária da Amazon. “Os políticos seguem o exemplo de Washington. A mensagem do governo é que precisamos de data centers. [...] Somos dependentes dos Estados Unidos; todas as suas multinacionais estão aqui”, lamentou Colin Doyle em entrevista ao jornal Le Soleil.
Em entrevista à rádio France Inter, Rosi Leonard, porta-voz da Friends of the Earth Ireland, instou a França a não repetir os erros da Irlanda: “Desde o início, vocês deveriam impor limites rigorosos à expansão dos data centers: estabelecer um tamanho máximo para seus edifícios, implementar moratórias e decidir que tipo de energia eles podem usar e quando podem produzi-la”. Uma política totalmente oposta à promovida pelo governo, que cede às exigências das Big Techs para facilitar sua instalação no território.
Impor uma moratória aos projetos de data centers também é o objetivo do coletivo espanhol Tu Nube Seca Mi Rio (Tua Nuvem Seca o Meu Rio), criado em 2023, que reúne agricultores, moradores locais e associações de cidadãos. Esse grupo denuncia os investimentos das Big Techs no país, especialmente em Aragão, onde Google, Amazon e Microsoft planejam construir diversas infraestruturas em um país assolado por secas recorrentes e desertificação crescente. Apesar da oposição de ativistas, um projeto de hyperescale da Meta, que deverá consumir 500 milhões de litros de água por ano, foi aprovado pelas autoridades locais em Castela-La Mancha, iludidas por promessas de empregos em “uma província deprimida com uma das maiores taxas de desemprego do país (em torno de 24%)”, como descreveu Reporterre.
Essa estratégia equivale a “uma forma de predação em territórios já precários, economicamente fragilizados e já poluídos”, observa Anti, do coletivo francês Le Nuage Était Nous Pieds (A Nuvem Era Nossos Pés). O mesmo ocorre na Bélgica, em Farciennes, o município mais pobre da Valônia, onde o movimento de desobediência civil Code Rouge se reuniu no final de junho de 2026 perto do canteiro de obras do futuro data center do Google, o segundo grande investimento da gigante estadunidense na Bélgica, depois da unidade em Saint-Ghislain. Reunidos em torno de um sistema de som techno, os ativistas denunciaram não apenas as consequências ambientais do projeto, mas também o papel do Google no desenvolvimento da inteligência artificial e alguns de seus contratos militares. “Os terroristas são o Google, não nós”, declarou o assessor de imprensa do movimento ao jornal belga DH.
Na França, “também estamos testemunhando uma consolidação das lutas”, explica Anti. E o espectro é amplo: moradores locais mobilizados, coletivos anti-extrativistas e anticoloniais, como Survie ou Génération Lumière, organizações ambientais como France Nature Environnement, movimentos como Soulèvements de la Terre (Revoltas da Terra), defensores das liberdades digitais na linhagem de La Quadrature du Net ou Data For Good, sindicatos e trabalhadores confrontados com a substituição do seu trabalho pela IA, ativistas anarquistas e antimilitaristas, pesquisadores ou sociólogos, sindicatos agrícolas ou mesmo proponentes da permacomputação.
Em Le Bourget, Seine-Saint-Denis, a sua mobilização teve êxito: o novo prefeito da cidade, Mehdi Nezzar, suspendeu a licença de construção concedida ao fundo de investimento imobiliário Segro, exigindo que abandonasse o projeto do data center na sua forma atual, de acordo com um comunicado de imprensa datado de 17 de junho de 2026. Para o jornalista Nicolas Celnik, coautor com Fabien Benoit de Techno-luttes: Enquête sur ceux qui résistantnt à la technologie (Seuil, 2022) e Les Assoiffeurs: Enquête sur ces entreprises qui accaparent l’eau (Les Liens qui libèrent, 2026), “observamos nas lutas contra os data centers as mesmas configurações de resistência que em Sainte-Soline”.
Nos Estados Unidos, uma resistência suprapartidária...
Essa coalizão de lutas é ainda mais ampla e politicamente diversa nos Estados Unidos, o país que abriga, de longe, o maior número de data centers do mundo. De acordo com o veículo de mídia estadunidense Grist, o movimento contra os data centers conseguiu reunir uma coalizão mais ampla do que o movimento climático: “Pessoas de todas as classes sociais — músicos punk de Utah, agricultores do Oregon, trabalhadores de salões de beleza de Maryland — estão se mobilizando por todos os tipos de razões. [...] Mas suas diferenças não os impedem de trabalhar juntos”, explica Levin Saul, apresentador de um podcast sobre as resistências contra os data centers.
Isso também é verdade do ponto de vista político. “Mesmo em um Estado ‘azul’ [democrata], todos concordam que a oposição aos data centers deve ser bipartidária para ter alguma chance de sucesso”, escreve a jornalista da Grist, Kate Yoder. Os data centers são uma das poucas questões que unem os cidadãos estadunidenses: de acordo com uma pesquisa do Gallup, 75% dos democratas e 63% dos republicanos se opõem à construção de data centers em sua região. Isso levou até mesmo a uma mudança completa nas inclinações políticas de alguns candidatos às eleições de meio de mandato, como a democrata Keisha Lance Bottoms, que há alguns anos comemorava a chegada da Microsoft à Geórgia e agora faz campanha por uma moratória sobre os data centers, conforme relatado pelo Libération.
No entanto, permanece um ponto de preocupação: qual retórica será usada para se opor à ascensão da IA durante essas eleições? Ela se concentrará na defesa dos ecossistemas e na denúncia do seu custo ambiental, ou levantará o espectro da aniquilação da humanidade? Nastasia Hadjadji nos incentiva a examinar as inclinações ideológicas de alguns oponentes e alerta contra a retórica que equipara a rejeição da tecnologia a posições reacionárias, como é o caso na França com o movimento Anti-Tech Résistance. Alguns de seus representantes veem, por exemplo, a pílula abortiva como uma ameaça tecnológica semelhante à da IA. Mas a onda de mobilização nos Estados Unidos, cuja parcela está se radicalizando cada vez mais e recorrendo a ações violentas, pode inspirar movimentos de resistência em todo o mundo, já que parece estar conseguindo interferir nas decisões das Big Techs.
…vitoriosa em diversas ocasiões
De acordo com o Data Center Watch – um projeto financiado pela própria indústria –, US$ 130 bilhões em investimentos foram bloqueados ou adiados no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a todo o ano de 2025. Em setembro de 2025, o Google abandonou um projeto de US$ 1 bilhão em Indianápolis após protestos de moradores locais. O mesmo ocorreu na Virgínia, onde uma subsidiária da Brookfield, a Compass Datacenter, desistiu de um enorme projeto de 333 hectares. O projeto Data Center Opposition lista 268 grupos de protesto em 37 Estados, representando quase 360.000 oponentes. A renomada ativista Erin Brockovich também lançou um observatório cidadão e desenvolveu seu próprio mapa de data centers nos Estados Unidos. Em nível local (especialmente cidades e condados), o site US Data Center Moratorium Tracker lista 116 moratórias ativas. Cerca de 15 Estados também estão considerando legislação sobre o assunto, enquanto, em nível nacional, os representantes democratas Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez defendem uma moratória nacional. Mais de 500 organizações assinaram uma carta endereçada ao Congresso em 11 de junho de 2026, endossando a proposta.
Diante dessa oposição, as Big Techs investem pesadamente para reconstruir sua imagem, por meio de lobby e promessas de emprego recicladas por uma classe política muitas vezes bastante ingênua em relação ao conceito de “soberania digital”. A batalha pela aceitação social também é uma guerra cultural, e a narrativa da inevitabilidade dessas infraestruturas se consolidou no debate midiático.
Mas por trás dessa retórica bem orquestrada, também paira o risco de maior repressão contra aqueles que se opõem aos data centers. Na Bélgica, 19 ativistas do movimento de desobediência civil Code Rouge foram alvo de batidas policiais, e seis deles foram indiciados pelas autoridades flamengas em junho de 2026. Nos Estados Unidos, documentos obtidos pela Wired revelam que autoridades federais, incluindo o FBI, consideram os “extremistas anti-tecnologia” um alvo prioritário para suas atividades repressivas e de vigilância. Entre os oponentes dos data centers e as Big Techs, o governo estadunidense escolheu seu lado.
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