Em Gaza, recém-nascidos mortos de paz. Artigo de Tonio Dell'Olio

Foto: Anadolu Ajansi

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19 Dezembro 2025

"Segundo o relato oficial da comunidade internacional, o pequeno Mohammed 'morreu de paz', pois sua morte ocorreu após a assinatura do plano de paz imposto por Trump e negociado com apenas uma parte das partes envolvidas no conflito"

O artigo é de Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico Di Pace, 18-12-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A guerra de Gaza também corre o risco de se tornar mais uma “guerra esquecida”. Entre os poucos que noticiam isso, o Avvenire dedica uma página hoje a uma entrevista com Giorgio Monti, coordenador médico da Emergency em Gaza. Assim, descobrimos que o último recém-nascido morto pelo frio em Gaza tinha apenas duas semanas de vida. Seu nome era Mohammed Khalil Abu al-Khair. "Ele morreu no início desta semana", relata Monti, "e é o terceiro em um curto período de tempo. Os outros eram um bebê de poucos dias de vida e uma menina de oito meses."

Segundo o relato oficial da comunidade internacional, o pequeno Mohammed "morreu de paz", pois sua morte ocorreu após a assinatura do plano de paz imposto por Trump e negociado com apenas uma parte das partes envolvidas no conflito. Sem mencionar umas 14 pessoas que até o momento foram soterradas por prédios inseguros devido a bombardeios e que as recentes chuvas fizeram desabar repentinamente. E sem mencionar as barracas levadas pelo vento com tudo o que havia dentro, e as doenças como hepatite, gastroenterite e até leptospirose, uma doença causada pela contaminação por fezes de animais devido às águas pútridas trazidas pela chuva. E chamam isso de paz, uma paz que sequer previu como fornecer abrigo seguro aos milhões de habitantes que ficaram sem casa e sem nada. Diante do presépio, só nos restará oferecer ao Deus menino as nossas lágrimas e a dor deles.

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