Nicarágua. Lula anuncia que vai interceder junto a Ortega para libertar da prisão D. Rolando Álvarez

Lula durante discurso no evento Power Our Planet, em Paris (Foto: Reprodução | YouTube)

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23 Junho 2023

O presidente do Brasil revela, após encontro com o Papa no Vaticano, a iniciativa a favor do prelado condenado a 26 anos que recusou o exílio.

A reportagem é de Naiara Galarraga Gortázar e Wilfredo Miranda, publicada por El País, 22-06-2023.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai interceder junto ao nicaraguense Daniel Ortega para que liberte um dos principais símbolos da repressão, dom Rolando Álvarez, condenado a 26 anos de prisão por se recusar a ser exilado junto com outras 220 pessoas. regime destituído de nacionalidade em fevereiro. O presidente brasileiro anunciou esta iniciativa esta quinta-feira em Roma, depois de ter sido recebido na véspera pelo Papa Francisco em audiência no Vaticano. A Igreja Católica é um dos principais pilares da oposição a Ortega.

“Pretendo falar com Daniel Ortega sobre a libertação do bispo . Não há razão para que ele seja impedido de exercer sua função na Igreja [Católica]”, explicou Lula em entrevista coletiva em Roma, segundo informações da imprensa brasileira. O líder da esquerda brasileira disse que "a Igreja tem um problema na Nicarágua, há bispos e padres presos" e acrescentou que "a única coisa que a Igreja quer é que eles sejam soltos para poderem vir para a Itália".

Dom Rolando Álvarez, 56 anos, fez um gesto dramático ao se recusar a embarcar no avião em que Ortega enviou 222 presos políticos aos Estados Unidos imediatamente após libertá-los da prisão. Retirou-lhes a nacionalidade e dias depois expropriou-lhes os bens. Naquele momento, o bispo da diocese de Matagalpa deixou uma mensagem sentida: "Deixe-os ser livres, eu pago sua sentença".

Dias depois, o bispo foi submetido a um julgamento expresso e sem garantias no qual recebeu 26 anos de prisão sob a acusação de "traição", "atentado à integridade nacional" e "propagação de notícias falsas".

Lula destacou em Roma que missões como essa "nem sempre são fáceis". “A palavra 'desculpe' é simples, mas é preciso muita grandeza para reconhecer que você fez algo errado. Nem todos os homens têm coragem de dizer: 'Errei, vou mudar'. É um trabalho de convencimento”. O presidente brasileiro viajou então para Paris, onde participou de uma cúpula organizada pelo seu homólogo Emmanuel Macron sobre como financiar o combate às mudanças climáticas e à pobreza.

O anúncio dessa tentativa de intermediação de Lula ocorre em meio a intensas negociações na OEA (Organização dos Estados Americanos) para a elaboração de uma resolução conjunta sobre a Nicarágua. O órgão com sede em Washington realiza sua assembleia geral. Um rascunho brasileiro da semana passada, que propunha diluir em muito a proposta defendida pelos Estados Unidos e outros quatro países, causou enorme indignação entre as vítimas da repressão de Ortega e de sua vice-presidente e esposa, Rosario Murillo.

O Brasil modificou a posição expressa naquele rascunho e seu Itamaraty destacou na quarta-feira que está trabalhando com os demais países para que uma resolução consensual possa avançar. Brasília espera que, além de constatar violações de direitos humanos, o texto deixe a porta aberta para o diálogo com o regime.

Na assembleia da OEA em Washington, o texto que condena o regime nicaraguense sofreu mais modificações, mas mantém "contundência" e critica a perseguição religiosa, diz Francisco Mora, representante permanente dos Estados Unidos na organização interamericana. Mora explica que “[a resolução] reitera o que foi dito nas assembleias gerais anteriores, mas com uma linguagem mais atualizada do que aconteceu na Nicarágua. Há consenso. O Brasil está com algumas dúvidas, mas há um consenso para condenar a situação. Não dá para ser mole com uma ditadura, mas não acho que as mudanças no Brasil vão passar de uma sugestão”. O representante dos EUA acrescentou que o texto pode ser aprovado nesta sexta-feira.

O líder da esquerda brasileira é muito mais morno e comprometedor do que outros presidentes, como os do Chile, Colômbia, Argentina ou Colômbia, com as autoridades nicaraguenses. O governo Lula evitou assinar, em março, um relatório da ONU que denunciava crimes contra a humanidade na Nicarágua e que teve o apoio de 55 países. Lula sempre será grato a Ortega porque foi em Manágua, em 1980, no primeiro aniversário da revolução sandinista, que conheceu o cubano Fidel Castro.

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