No Líbano, uma carnificina. "Centenas de mortos, alvos civis atingidos"

Foto: RS/ via Fotos Publicas

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10 Abril 2026

O início da trégua de quinze dias no Irã não teve efeito no país dos cedros. Ataques em BeiruteSidonTiro e no Vale do Bekaa. Para Israel, "esse é o maior ataque contra o Hezbollah; medidas foram tomadas para minimizar os danos à população".

A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Avvenire, 08-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Mais de cem ataques com drones, caças e mísseis em menos de dez minutos, com fogo concentrado nos principais bairros de Beirute. Uma carnificina no dia em que a população esperava que a trégua se estendesse também ao Líbano. As cenas na capital libanesa são puro horror. Além dos bairros redutos do Hezbollah, foram pulverizados prédios em áreas centrais e populares, onde a maioria dos moradores é sunita e cristã, e os xiitas, mais próximos do "Partido de Deus", são minoria. Toda a cidade está envolta pela névoa das explosões. De três lados, até o mar, densas cortinas de fumaça negra se dissipam em direção à costa, enquanto inúmeros veículos de socorro chegam às áreas atingidas.

A Cruz Vermelha Libanesa relata dezenas de mortes. Pelo menos 200 pessoas foram retiradas dos escombros, enquanto esforços desesperados de reanimação estão sendo prestados no local. Os hospitais da cidade estão lançando apelos à população para que doe sangue. Após as explosões, as sirenes são o único som que se ouve na cidade.

Tínhamos acabado de voltar de Sidon, onde uma dezena de jovens havia sido morta durante a noite em um restaurante na orla da cidade. As notícias sobre uma trégua também no Líbano pareciam ambíguas, mas a saraivada de explosivos lançada contra o país dissipou quaisquer dúvidas restantes. Os ataques também ocorreram simultaneamente no Sul, em cidades como Sidon e Tiro, no Vale do Bekaa e nas colinas acima de Beirute. Em meio aos escombros, pessoas procuram por parentes, filhos e amigos.

Enquanto isso, uma versão dos acontecimentos chegou de Israel em libanês, transmitida por fontes do exército de Tel Aviv. "Trata-se do maior ataque contra a infraestrutura do Hezbollah desde o início da Operação Rugido do Leão", diz o texto. "Nesse ataque, as IDF alvejaram os quartéis-generais, os centros de comando e controle e os sistemas militares do Hezbollah."

Vemos com nossos olhos a destruição em bairros populares, ruas onde crianças costumavam brincar e prédios próximos a hospitais e escolas. As forças israelenses falam de "infraestrutura para os sistemas de fogo e navais do Hezbollah, responsáveis pelo lançamento de foguetes contra as forças israelenses em terra e no mar, e contra o território israelense". Não houve explosões secundárias nas áreas atingidas em Beirute, indicando que não havia depósitos de armas.

"A maior parte da infraestrutura visada estava localizada no coração de áreas civis, como parte da estratégia do Hezbollah de usar civis no Líbano como escudos humanos para proteger suas operações." Por fim, as palavras que soam como uma zombaria: "Antes dos ataques, medidas foram tomadas para reduzir ao mínimo as vítimas civis." Os médicos dos hospitais informam estar sobrecarregados com o número de feridos, enquanto fontes da mídia israelense alertam que poderiam haver ataques por horas e sem aviso prévio.

Até o momento, os ataques aéreos israelenses atingiram 55 áreas. O Ministério da Saúde de Beirute ainda não tem condições de fornecer um balanço inicial, mas fala em "centenas de mortes".

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