09 Abril 2026
As Forças de Defesa de Israel continuam seus ataques contra o Hezbollah na Operação Eterna Escuridão. Mísseis são lançados sem aviso prévio contra civis. Centenas de corpos estão em hospitais.
A reportagem é de Paolo Brera, publicada por La Repubblica, 09-04-2026.
Nuvens de fumaça, montes de escombros. Sangue, corpos mutilados chegando em pedaços aos hospitais. No Líbano, é um massacre, não um cessar-fogo. São 12h30 em Beirute quando, na capital libanesa, assim como em Tiro e Sidon, no sul, e no Vale do Bekaa, o céu se transforma em um furacão de fogo lançado por caças israelenses. O primeiro-ministro Netanyahu havia contradito recentemente o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, o mediador do acordo Irã-EUA, de que a trégua se aplicava "em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros países". Sharif havia escrito isso nas redes sociais enquanto o mundo ainda se perguntava se a vida finalmente poderia ser respirada novamente, ao menos por 15 dias. A dúvida durou pouco.
O ataque israelense foi rápido e devastador, "o maior no Líbano desde o início da Operação Rugido do Leão", afirma Avichay Adraee, porta-voz em árabe das Forças de Defesa de Israel (IDF). O próprio nome dado ao ataque, "escuridão eterna", diz muito: "Em 10 minutos, e simultaneamente em diversas áreas, as IDF atacaram 100 quartéis-generais e infraestrutura militar do Hezbollah", relata Adraee. Centros de comando e controle, sistemas militares, inteligência. Rampas de ataque terrestre e marítimo, instalações da Força Radwan e da Unidade Aerotransportada do Hezbollah, entre suas unidades de elite. Civis, inocentes. Nas horas que antecederam o ataque, as IDF emitiram ordens de evacuação para alguns bairros, mas também atacaram outros não especificados. Um ataque baseado em "informações precisas" e "planejado durante semanas, com o objetivo de intensificar a ofensiva contra o Hezbollah". A maioria das estruturas alvejadas estava localizada no coração de áreas civis, usadas como "escudos humanos para suas atividades", afirma a IDF. É um massacre. E a IDF promete uma continuação: "Continuaremos a agir com firmeza contra o Hezbollah", que ontem classificou o ataque como "bárbaro" e reiterou seu direito de "defender o país".
No hospital público Rafik Hariri, em Beirute, "pacientes chegam com ferimentos de estilhaços e hemorragias graves. Um deles chegou após perder as duas pernas", relata a organização Médicos Sem Fronteiras, "outros tiveram que amputar as pernas". A organização lista relatos de horror de outros hospitais, como o Jabal Amel, em Sour, no sul do país, que teve que salvar "uma menina que perdeu seis membros da família". Histórias como essa chegam todos os dias do Líbano, devastado por ataques israelenses. Mas até agora, pelo menos, não haviam chegado todas de uma vez. "Mais de 250 mortos hoje", informa a Al Jazeera. Estimativas mais conservadoras ainda contabilizam "pelo menos 182" e centenas de feridos.
As imagens são de partir o coração. Morte e destruição, a angústia dos sobreviventes e o desespero de seus familiares; o caos das operações de resgate, "abram caminho para as ambulâncias!"; e enquanto isso, no tabuleiro geopolítico, os bispos se movem, o equilíbrio de forças é posto em prática. O Hezbollah, que provocou a guerra ao atacar Israel em solidariedade à agressão conjunta israelense e americana contra o Irã, suspendeu seus ataques ontem de manhã, forçando a interpretação do acordo como incluindo o Líbano. O Irã não pode deixar o Hezbollah à deriva e agora avalia a estabilidade do acordo. Ameaça fechar novamente o Estreito de Ormuz e abandonar as negociações de paz de amanhã no Paquistão. Mas se o acordo incluiu ou não o Líbano permanece um mistério. O Paquistão afirma que sim, mas a Casa Branca nega. Netanyahu sequer considera a possibilidade. "Alcançamos resultados magníficos, que até recentemente pareciam imaginários. Ainda temos objetivos a cumprir e os alcançaremos tanto por consenso quanto pela retomada do combate", disse ele em uma coletiva de imprensa à noite. Os tempos de execução são uma prova clara: o acordo de Trump com o Irã entra em vigor, ele ordena um ataque contundente, trazendo o equilíbrio mundial de volta da beira do abismo.
Na manhã de ontem, o governo libanês alertou o milhão de deslocados internos de que a situação não havia terminado, pedindo-lhes que não retornassem para suas casas. Não foi suficiente, e não será: segundo as IDF, membros do Hezbollah começaram a abandonar seu reduto no bairro de Dahiyeh, em Beirute, para se deslocarem para outras áreas da cidade: "Vamos caçá-los e usar grande força contra vocês onde quer que estejam." Beirute "continuará trabalhando para garantir a inclusão do Líbano em qualquer acordo de paz regional duradouro", respondeu o presidente libanês, Josef Aoun, enquanto o primeiro-ministro denunciava as "vítimas civis". As IDF haviam solicitado a evacuação de alguns bairros de Beirute, mas não do centro da cidade. Mesmo assim, o atingiram.
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