13 Março 2026
Crimes contra a religiosidade islâmica são fatos noticiosos na Europa, que quase emudece, no entanto, as restrições à liberdade de culto cristão. Em 2024, o Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC) registrou 2.211 crimes de ódio, a maioria em locais de culto, mas 274 foram ataques pessoais. Na França, que tem o maior número de casos, uma igreja sofreu incêndio na cidade de Saint-Omer, e profanação de cemitério no sul do país.
A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.
Mas foi na Alemanha que ocorreu o maior número de ataques relacionados a incêndios criminosos em 2024, com 33 casos documentados. A Conferência Episcopal Alemã chegou a emitir comunicado, em 2025, alertando para a gravidade cada vez maior dos atos de vandalismo em seus templos, apontando ataques incendiários, excrementos em confessionários, estátuas de Cristo decapitadas, numa “escalada” em que “todos os tabus foram quebrados”.
Dos 996 padres católicos entrevistados em pesquisa divulgada em 2024, 49,7% disseram que sofreram agressão no último ano, 33,6% sofreram hostilidades em espaços online, 19,3% relataram ataque contra templos, alguns mencionaram, inclusive, interrupção do serviço religioso. Padres poloneses (42,8%) sentem-se inseguros ao usar vestes clericais, mas 88% dos padres ouvidos não denunciaram os incidentes às autoridades; 12% foram agredidos fisicamente.
Na Espanha, o Observatório entrevistou 117 padres no país, em fevereiro de 2025. Conclusões: 67% sofreram insultos, zombaria ou comentários ofensivos; 48% relataram vandalismo contra propriedades da igreja; 9% receberam ameaças; 5% foram agredidos fisicamente, e 90% disseram que percebem níveis consistente da mídia contra padres católicos. Os ataques violentos aumentaram no ano pesquisado, quando foi registrado o assassinato de um monge católico.
No Reino Unido, a Comissão de Inquérito sobre Discriminação contra Cristãos (Cidac) constatou que “os cristãos relatam sentir-se marginalizados no que consideram um ambiente cada vez mais hostil e discriminatório”. No Reino Unido, na Polônia e na Espanha as pesquisas sugerem as narrativas da mídia um fator-chave na discriminação e agressão. “Crimes não ocorrem no vácuo”, diz a (OIDAC), discursos políticos e midiáticos podem reforçar o preconceito anticristão.
Na Ucrânia, 600 edifícios religiosos foram danificados ou destruídos desde a invasão russa em 2022. Em meados de 2023, pelo menos 206 igrejas protestantes haviam sido fechadas, destruídas ou confiscadas pela Rússia; 110 das 320 igrejas batistas deixaram de existir, em grande parte porque pastores e membros fugiram das áreas de conflito. Em 2024, autoridades de ocupação removeram milhares de livros rotulados como “extremistas”, indesejáveis em bibliotecas públicas e locais de culto. Até mesmo um comentário batista sobre o Evangelho de João foi recolhido.
Em Donetsk ordenaram a destruição de Bíblias e hinários
Guia da OIDAC recomenda aos governos, instituições internacionais e atores da sociedade civil, entre outros, “evitar linguagem vaga ou excessivamente abrangente na legislação que possa levar à criminalização de expressões pacíficas e crença religiosa na esfera pública”; “promover a alfabetização religiosa entre funcionários públicos, formuladores de políticas e representantes da mídia estatal a salvaguardar os direitos à liberdade religiosa”; “monitorar e relatar incidentes de intolerância e discriminação contra cristãos”; “identificar lacunas na proteção da liberdade religiosa ou crença e aconselhar os Estados-membros (das instituições internacionais) sobre as medidas necessárias para garantir a plena realização desses direitos para indivíduos e comunidades religiosas”.
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