Deus se fez carne – mesmo no Natal, uma provocação. Artigo de Felix Neumann

Fonte: Rudolf Yelin

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16 Janeiro 2026

Uma performance durante a missa de Natal transmitida pela ARD provocou indignação – que se estendeu muito além do Natal: o “Jesus de lama” tem algo a fazer na noite sagrada? Isso mostra o quão provocativo ainda é hoje o fato de Deus ter se feito humano, escreve Felix Neumann.

Artigo de Felix Neumann, publicado por katolisch.de, 15-01-2026. 

Felix Neumann é editor do site katholisch.de e vice-presidente da Sociedade de Publicistas Católicos (GKP).

Eis o artigo. 

O maior choque do cristianismo até hoje é que Deus se tornou humano. “O Verbo se fez carne”, diz o prólogo do Evangelho de João, lido na missa do dia de Natal. O evangelista expressa em linguagem filosófica o que a narrativa do nascimento no Evangelho de Lucas descreve com palavras mais simples e que é lido na missa do galo. Em Lucas, sobre o nascimento está escrito brevemente: “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias, e ela deu à luz seu filho primogênito.”

Quem já presenciou um nascimento sabe tudo o que está por trás dessa frase curta. E quem conhece os conceitos de Deus na filosofia antiga consegue perceber a provocação contida no relato dos evangelistas: Deus não apenas assume uma forma humana, mas realmente se torna humano, torna-se carne.

Essa radicalidade da encarnação de Deus choca, tanto antigamente quanto hoje. Isso se mostra sempre que a arte se dedica a essa radicalidade e provoca protestos – frequentemente sob a acusação de ferir sentimentos religiosos. Quando, há dois anos, a estátua de uma Maria dando à luz foi exibida na catedral de Linz, mostrando de forma naturalista como os nascimentos realmente acontecem, houve grande indignação. No fim, a estátua da Virgem Maria foi decapitada por fundamentalistas que se entendiam como cristãos.

A atual onda de indignação gira em torno do chamado “Jesus de lama”. Trata-se de uma performance durante uma missa do galo transmitida pela televisão a partir de Stuttgart, na qual uma pessoa envolta em papel de arroz molhado se contorcia sobre uma base de palha. Se isso é boa arte, é uma questão estética. A questão decisiva para avaliar a performance como parte de um serviço religioso é: ela é teologicamente bem-sucedida?

Ambos os exemplos de abordagem artística sobre o nascimento real de Jesus – a estátua de Maria em Linz e a performance de Stuttgart – não mostram toda a amplitude das reflexões históricas e dogmáticas sobre a encarnação – isso seria praticamente impossível. Mas tornam claro e proclamam o núcleo da mensagem de salvação do Natal: o Verbo se fez carne. Essa verdade se torna evidente por meio dessa arte, de forma tão plástica e provocativa quanto deve ter soado para os contemporâneos antigos dos primeiros cristãos: Deus se tornou humano.

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