16 Julho 2025
Francisco Fonseca destaca que, diferentemente da Lava Jato, caso segue o devido processo legal e pena pode superar 40 anos.
A reportagem é de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicada por Brasil de Fato, 15-07-2025.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe já está pronta para julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o cientista político Francisco Fonseca, as evidências do processo “são completamente vigorosas” e permitem prever uma condenação pesada. “Nós estamos na reta final, finalíssima, do processo. Um longo, volumoso processo, com muitas testemunhas e amplo direito de defesa”, afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Fonseca destaca que, diferentemente da Lava Jato, o caso segue “o devido processo legal”, motivo pelo qual chega ao plenário somente no segundo semestre. A estimativa do professor é que a primeira turma do STF conclua o julgamento até setembro. Se condenado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e associação criminosa, o ex-presidente pode receber uma pena superior a quatro décadas. “O rol de crimes é suficientemente grande para Bolsonaro pegar mais de 40 anos de prisão”, diz. Para ele, uma condenação firme do STF representará “um momento de justiça e de fortalecimento das instituições brasileiras”.
O cientista político vê como fundamental que a eventual punição seja cumprida em regime fechado. “A batalha é para sua condenação e sua prisão no sistema prisional”. Para ele, transformar a pena em prisão domiciliar feriria o senso de justiça e reforçaria privilégios. “Senão, como nós vamos justificar um milhão de presos, cujos muitos dos crimes são infinitamente inferiores aos cometidos pelo Bolsonaro?”, questiona.
Fonseca também alerta para o risco de fuga caso não haja encarceramento. “Claro que Bolsonaro vai tentar fugir. Ele nunca foi de enfrentar”. O especialista recorda episódios nos quais o ex‑mandatário buscou apoios no exterior e acredita que uma eventual tornozeleira eletrônica não impediria novas investidas antidemocráticas. “Eu diria que até uma prisão preventiva seria importante”, completa, comparando o ex-presidente ao filho dele, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que “conspira contra o Brasil” nos Estados Unidos, e à deputada aliada Carla Zambelli (PL-SP), “outra fugitiva“, nas palavras do cientista político.
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