Para imprensa francesa, Macron fracassou nos objetivos de sua visita à Casa Branca

Emmanuel Macron e Donald Trump | Foto: Ludovic Marin/AP / RFI

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25 Fevereiro 2025

Os jornais franceses repercutem as conversas entre Emmanuel Macron e Donald Trump na Casa Branca sobre a guerra na Ucrânia. Em entrevista à Fox News, o presidente francês disse, na segunda-feira (24), que uma "trégua" no conflito poderia ser alcançada nas "próximas semanas". Mas os editorialistas franceses se mostram bastante pessimistas sobre um acordo protetor para a Ucrânia e a Europa.

A reportagem é publicada por Rfi, 25-02-2025.

Para o Le Monde, as declarações dos dois presidentes na Casa Branca ilustram o distanciamento crescente entre a Europa e o os Estados Unidos governado pelo bilionário republicano. "Macron tentou influenciar a posição americana, querendo obter garantias de segurança em caso de cessar-fogo com a Rússia. Mas o presidente americano não assumiu nenhum compromisso", assinala o jornal.

"O líder francês quer acreditar em 'um ponto de virada' e vê um 'caminho' comum, mas Trump parece estar em uma via expressa, sem limites de velocidade ou consideração pelos passageiros", diz o jornal. "Preocupados em serem espectadores de seu próprio destino, os europeus estão se mobilizando para preservar o essencial: sua unidade, a soberania ucraniana e a cobertura de segurança americana", avalia o Le Monde.

A correspondente do portal de rádio e TV FranceInfo, que acompanhou a visita de Macron à Casa Branca, diz que os dois presidentes falaram o tempo todo de assuntos diferentes. Enquanto Macron buscava garantias de segurança para ucranianos e europeus num contexto de cessar-fogo, ante a ameaça russa, Trump demonstrou só ter um interesse: que Volodymyr Zelensky assine rapidamente o acordo de cessão de parte das terras raras da Ucrânia. "O resto é detalhe", conclui a repórter.

'Acordo histórico' entre EUA e Rússia na ONU

A recusa dos Estados Unidos a apoiar a Ucrânia na sequência de resoluções propostas para votação ontem na ONU, uma delas aprovada conjuntamente por Washington e Moscou, a favor da conclusão "rápida de um acordo para acabar com a guerra", sem responsabilizar a Rússia pelo conflito e sem qualquer referência à integridade territorial da Ucrânia, é manchete no Le Figaro.

A embaixadora dos EUA na ONU comemorou "um acordo histórico" entre Washington e Moscou. Le Figaro mostra que dos 15 países representados no Conselho de Segurança, os cinco europeus – França, Eslovênia, Grécia, Dinamarca e Reino Unido – deixaram a proposta americana avançar. "A França e o Reino Unido poderiam ter usado pela primeira vez desde 1989 seu poder de veto, mas não o fizeram", explica o jornal.

Leitores indignados com a fraqueza dos europeus

Abaixo da reportagem, comentários de leitores do Le Figaro consideram que a visita de Macron à Casa Branca foi um fiasco. "A ONU declarou o fim do respeito às fronteiras", diz um internauta anônimo. Outro considera que a França "precisa de uma reanimação intensiva de urgência e se afastar dos Estados Unidos. "E o veto?", questiona outro internauta, respondendo: "Somos fracos". Na área de comentários do jornal, a maioria dos leitores do Le Figaro condena duramente a diplomacia de Macron.

O Libération destaca que Donald Trump assumiu na noite de segunda-feira que seu governo estava fazendo "um rompimento claro" com a diplomacia americana "do passado", que ele descreveu como "estúpida". “Meu governo está rompendo claramente com os valores de política externa do governo anterior e, francamente, do passado. Fiz campanha contra um establishment de política externa realmente muito estúpido", disse o presidente dos EUA.

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