A verdadeira história da guerra na Ucrânia. Artigo de Jeffrey Sachs

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14 Agosto 2023

“Os líderes ucranianos aceitaram o engano estadunidense por razões difíceis de entender. Talvez acreditem nos Estados Unidos, ou temam os EUA, ou tenham medo de seus próprios extremistas, ou simplesmente são extremistas, dispostos a massacrar centenas de milhares de ucranianos até a morte ou ferindo-os na crença ingênua de que a Ucrânia pode derrotar uma superpotência nuclear que considera a guerra uma questão existencial. Ou talvez parte da liderança ucraniana esteja enriquecendo ao se apropriar de dezenas de bilhões de dólares de ajuda e armas ocidentais”. A reflexão é de Jeffrey Sachs, em artigo publicado por Brave New Europe, e reproduzido por El Viejo Topo, 09-08-2023. A tradução é do Cepat.

Jeffrey D. Sachs, professor de Desenvolvimento Sustentável e professor de Política e Gestão de Saúde na Universidade de Columbia, é diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável de Columbia e da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Atuou como Conselheiro Especial de três secretários-gerais da ONU.

Eis o artigo.

O povo americano precisa urgentemente conhecer a verdadeira história da guerra na Ucrânia e suas perspectivas atuais. Infelizmente, os principais meios de comunicação – The New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, MSNBC [abreviações usadas de Microsoft e National Brodcasting Company] e CNN – tornaram-se meros porta-vozes do governo, repetindo as mentiras do presidente dos EUA, Joe Biden, e escondendo a história do público.

Biden está mais uma vez difamando o presidente russo, Vladimir Putin, desta vez acusando-o de “vil sede de terra e poder”, depois de declarar no ano passado que “Pelo amor de Deus, esse homem [Putin] não pode permanecer no poder”. No entanto, é Biden quem está prendendo a Ucrânia em uma guerra sem fim, ao continuar pressionando a expansão da OTAN para a Ucrânia. Ele tem medo de dizer a verdade ao povo americano e ucraniano, rejeitando a diplomacia e optando, em vez disso, pela guerra perpétua.

A expansão da OTAN para a Ucrânia, que Biden promove há muito tempo, é uma jogada estadunidense que fracassou. Os neoconservadores, incluindo Biden, pensaram desde o final dos anos 1990 que os EUA poderiam expandir a OTAN para a Ucrânia (e a Geórgia), apesar da oposição veemente e de longa data da Rússia. Eles não acreditavam que Putin realmente entraria em guerra pela expansão da OTAN.

No entanto, para a Rússia, a ampliação da OTAN à Ucrânia (e à Geórgia) é vista como uma ameaça existencial à sua segurança nacional, especialmente tendo em conta a fronteira de 2.000 km da Rússia com a Ucrânia e a localização estratégica da Geórgia no extremo leste do Mar Negro. Os diplomatas estadunidenses estão há décadas explicando esta realidade básica aos políticos e generais dos EUA, mas, apesar disso, pressionaram de forma arrogante e cruel pela ampliação da OTAN.

A esta altura dos acontecimentos, Biden sabe muito bem que a expansão da OTAN para a Ucrânia desencadearia a Terceira Guerra Mundial. É por isso que, nos bastidores, Biden reduziu a ampliação da OTAN à cúpula da OTAN em Vilnius. No entanto, em vez de admitir a verdade – que a Ucrânia não fará parte da OTAN – Biden prevarica, prometendo a eventual adesão da Ucrânia. Na realidade, está sujeitando a Ucrânia a um derramamento de sangue contínuo por nenhuma outra razão senão a política interna dos EUA, particularmente o medo de Biden de parecer fraco para seus inimigos políticos. (Meio século atrás, os presidentes Johnson e Nixon apoiaram a Guerra do Vietnã essencialmente pelo mesmo motivo patético e com a mesma mentira, como explicou brilhantemente o falecido Daniel Ellsberg.)

A Ucrânia não pode vencer. A Rússia tem mais chances de se impor no campo de batalha, como parece estar fazendo agora. No entanto, mesmo que a Ucrânia consiga avançar com forças convencionais e armas da OTAN, a Rússia passaria à guerra nuclear, se necessário, para impedir a entrada da OTAN na Ucrânia.

Ao longo de sua carreira, Biden esteve a serviço do complexo militar-industrial. Ele promoveu incansavelmente a expansão da OTAN e apoiou as guerras profundamente desestabilizadoras dos Estados Unidos no Afeganistão, Sérvia, Iraque, Síria, Líbia e agora na Ucrânia. Ele obedece aos generais que querem mais guerra e mais “surpresas” e que predizem uma vitória iminente para manter o público crédulo ao seu lado.

Além disso, Biden e sua equipe (Antony Blinken, Jake Sullivan, Victoria Nuland) parecem ter acreditado em sua própria propaganda de que as sanções ocidentais estrangulariam a economia russa, enquanto armas milagrosas como os sistemas de lançadores de foguetes leve HIMARS derrotariam a Rússia. Enquanto isso, disseram aos americanos para que não prestassem atenção às 6.000 armas nucleares russas.

Os líderes ucranianos aceitaram o engano estadunidense por razões difíceis de entender. Talvez acreditem nos Estados Unidos, ou temam os EUA, ou tenham medo de seus próprios extremistas, ou simplesmente são extremistas, dispostos a massacrar centenas de milhares de ucranianos até a morte ou ferindo-os na crença ingênua de que a Ucrânia pode derrotar uma superpotência nuclear que considera a guerra uma questão existencial. Ou talvez parte da liderança ucraniana esteja enriquecendo ao se apropriar de dezenas de bilhões de dólares de ajuda e armas ocidentais.

A única maneira de salvar a Ucrânia é uma paz negociada. Em um acordo negociado, os Estados Unidos concordariam em não expandir a OTAN para a Ucrânia, enquanto a Rússia concordaria em retirar suas tropas. As outras questões – Crimeia, Donbass, as sanções americanas e europeias, o futuro dos acordos de segurança europeus – seriam resolvidas politicamente, não por meio de uma guerra interminável.

A Rússia tentou repetidas vezes negociar: tentou impedir a expansão da OTAN para o leste; tentou encontrar acordos de segurança adequados com os Estados Unidos e a Europa; tentou resolver questões interétnicas na Ucrânia depois de 2014 (os acordos de Minsk I e Minsk II); tentou manter os limites dos mísseis antibalísticos; e tentou acabar com a guerra na Ucrânia em 2022 por meio de negociações diretas com a Ucrânia. Em cada caso, o governo dos EUA rejeitou, ignorou ou bloqueou essas tentativas, muitas vezes oferecendo a grande mentira de que a Rússia, e não os EUA, que rejeita as negociações. JFK disse exatamente em 1961: “Nunca negociamos por medo, mas nunca devemos ter medo de negociar”. Eu gostaria que Biden desse atenção à sabedoria duradoura de JFK.

Para ajudar o público a ir além da narrativa simplista de Biden e da grande mídia, ofereço uma breve cronologia de alguns eventos importantes que levaram à guerra atual.

31 de janeiro de 1990. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Hans Dietrich-Genscher, prometeu ao presidente soviético Mikhail Gorbachev que, no contexto da reunificação alemã e da dissolução da aliança militar soviética do Pacto de Varsóvia, a OTAN descartaria uma “expansão de seu território para o leste, isto é, aproximando-se das fronteiras soviéticas”.

9 de fevereiro de 1990. O secretário de Estado dos EUA, James Baker III, concorda com o presidente soviético Mikhail Gorbachev que “a expansão da OTAN é inaceitável”.

29 de junho a 2 de julho de 1990. O secretário-geral da OTAN, Manfred Woerner, diz a uma delegação russa de alto escalão que “o Conselho da OTAN e ele [Woerner] são contra a expansão da OTAN”.

1º de julho de 1990. A Rada ucraniana (parlamento) adotou a Declaração de Soberania do Estado, na qual “A República Socialista Soviética da Ucrânia declara solenemente sua intenção de se tornar um Estado permanentemente neutro que não participa de blocos militares e adere a três princípios da não proliferação de armas nucleares: aceitar, não produzir e adquirir armas nucleares”.

24 de agosto de 1991. A Ucrânia declarou a independência com base na Declaração de Estado de 1990, que incluía a promessa de neutralidade.

Meados de 1992. Os formuladores de políticas do governo Bush chegam a um consenso interno secreto para expandir a OTAN, contrariando os compromissos recentes com a União Soviética e a Federação Russa.

8 de julho de 1997. Na cúpula da OTAN, realizada em Madri, Polônia, Hungria e República Tcheca são convidadas a iniciar negociações para ingressar na OTAN.

Setembro/Outubro de 1997. Na Foreign Affairs (setembro/outubro de 1997), o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Zbigniew Brzezinski, detalha o cronograma para a ampliação da OTAN, com as negociações da Ucrânia previstas para começarem em 2005-2010.

24 de março a 10 de junho de 1999. A OTAN bombardeia a Sérvia. A Rússia chama o bombardeio da OTAN de “violação flagrante da Carta das Nações Unidas”.

Março de 2000. O presidente ucraniano Kuchma declara que, “neste momento, não há dúvida sobre a entrada da Ucrânia na OTAN, porque a questão é extremamente complexa e tem muitos aspectos”.

13 de junho de 2002. Os Estados Unidos se retiram unilateralmente do Tratado sobre Armas Antibalísticas, ação que o vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma russa qualifica de “evento extremamente negativo de importância histórica”.

Novembro-dezembro de 2004. Na Ucrânia, acontece a “Revolução Laranja”, acontecimento que o Ocidente descreve como uma revolução democrática e o governo russo como uma tomada de poder fabricada pelo Ocidente com o apoio aberto e oculto dos Estados Unidos.

10 de fevereiro de 2007. Putin criticou duramente a tentativa dos Estados Unidos de criar um mundo unipolar, apoiado pela ampliação da OTAN, em um discurso pronunciado na Conferência de Segurança de Munique, no qual declara: “Acredito que é óbvio que a ampliação da OTAN... representa uma grave provocação que reduz o nível de confiança mútua. E temos o direito de nos perguntar: contra quem esta ampliação se dirige? E o que aconteceu com as garantias oferecidas por nossos sócios ocidentais após a dissolução do Pacto de Varsóvia?”

1º de fevereiro de 2008. O embaixador dos Estados Unidos na Rússia, William Burns, envia um telegrama confidencial à assessora de Segurança Nacional dos EUA, Condoleezza Rice, intitulado “Nyet means Nyet: Russia’s NATO Enlargement Redlines” (Não significa não: as linhas vermelhas da Rússia para a ampliação da OTAN), observando que “as aspirações da OTAN sobre a Ucrânia e a Geórgia não apenas tocam um nervo sensível na Rússia, mas levantam sérias preocupações sobre as consequências para a estabilidade na região”.

18 de fevereiro de 2008. Os Estados Unidos reconhecem a independência de Kosovo, apesar das ferozes objeções russas. O governo russo declara que a independência do Kosovo viola “a soberania da República da Sérvia, a Carta das Nações Unidas, a Resolução 1244 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os princípios da Ata Final de Helsinque, o quadro constitucional de Kosovo e os acordos do Grupo de Contato de Alto Nível”.

3 de abril de 2008. A OTAN declara que a Ucrânia e a Geórgia “se tornarão membros da OTAN”. A Rússia declara que “a adesão da Geórgia e da Ucrânia à Aliança é um grande erro estratégico que terá consequências muito graves para a segurança paneuropeia”.

20 de agosto de 2008. Os Estados Unidos anunciam que implantarão sistemas de defesa contra mísseis balísticos (BMD) na Polônia e, posteriormente, na Romênia. A Rússia expressa sua forte oposição aos sistemas de BMD.

28 de janeiro de 2014. A secretária de Estado adjunta Victoria Nuland e o embaixador dos EUA, Geoffrey Pyatt, planejam uma mudança de regime na Ucrânia em uma ligação interceptada postada no YouTube em 7 de fevereiro, na qual Nuland observa que “[o vice-presidente] Biden está disposto” a ajudar a fechar o acordo.

21 de fevereiro de 2014. Os governos da Ucrânia, Polônia, França e Alemanha chegam a um acordo sobre a resolução da crise política na Ucrânia e convocam novas eleições para o final do ano. No entanto, a extrema direita e outros grupos armados exigem a renúncia imediata de Yanukovych e assumem o controle dos prédios do governo. Yanukovich foge. O Parlamento retira imediatamente o presidente de seus poderes sem abrir um processo de impeachment.

22 de fevereiro de 2014. Os Estados Unidos aprovam imediatamente a mudança de regime.

16 de março de 2014. A Rússia realiza um referendo na Crimeia que, segundo o governo russo, resulta em uma grande maioria de votos a favor do domínio russo. Em 21 de março, a Duma russa vota a admissão da Crimeia na Federação Russa. O governo russo faz uma analogia com o referendo sobre Kosovo. Os Estados Unidos rejeitam o referendo na Crimeia por considerá-lo ilegítimo.

18 de março de 2014. O presidente Putin caracteriza a mudança de regime como um golpe de Estado, afirmando: “Os responsáveis pelos últimos acontecimentos na Ucrânia tinham uma agenda diferente: eles estavam preparando outra tomada de poder; eles queriam tomar o poder e não parariam por nada. Recorreram ao terror, ao assassinato e a tumultos”.

25 de março de 2014. O presidente Barack Obama zomba da Rússia “como uma potência regional que ameaça alguns de seus vizinhos imediatos, não por causa de sua força, mas por causa da sua fraqueza”.

12 de fevereiro de 2015. Assinatura do Acordo de Minsk II. O acordo recebe o apoio unânime da Resolução 2202 do Conselho de Segurança da ONU, de 17 de fevereiro de 2015. A ex-chanceler Angela Merkel reconheceu posteriormente que o acordo de Minsk II pretendia dar à Ucrânia tempo para fortalecer suas Forças Armadas. O acordo não foi implementado pela Ucrânia e o presidente Volodymyr Zelensky reconheceu que não tinha intenção de implementá-lo.

1º de fevereiro de 2019. Os EUA se retiram unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). A Rússia critica fortemente a retirada do INF como um ato “destrutivo” que alimentou os riscos de segurança.

14 de junho de 2021. Na cúpula da OTAN de 2021 em Bruxelas, a aliança reafirma sua intenção de se expandir com vistas a incluir a Ucrânia: “Reafirmamos a decisão tomada na cúpula de Bucareste de 2008 de que a Ucrânia se torne membro da Aliança”.

1º de setembro de 2021. Os EUA reiteram seu apoio às aspirações da Ucrânia na OTAN na “Declaração Conjunta sobre a Parceria Estratégica EUA-Ucrânia”.

17 de dezembro de 2021. Putin apresenta um projeto de “Tratado entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa sobre garantias de segurança”, baseado na não ampliação da OTAN e nas limitações à implantação de mísseis de alcance intermediário e curto.

26 de janeiro de 2022. Os EUA respondem formalmente à Rússia que os EUA e a OTAN não negociarão com a Rússia sobre questões de ampliação da OTAN, fechando a porta para uma via negociada para evitar uma expansão da guerra na Ucrânia. Os Estados Unidos invocam a política da OTAN segundo a qual “qualquer decisão de convidar um país a aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte com base no consenso entre todos os aliados. Nenhum terceiro país tem voz nessas deliberações”. Em suma, os Estados Unidos afirmam que a ampliação da OTAN para a Ucrânia não é da conta da Rússia.

21 de fevereiro de 2022. Em uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, detalha a recusa dos EUA em negociar: “Recebemos sua resposta no final de janeiro. A avaliação desta resposta mostra que nossos colegas ocidentais não estão dispostos a aceitar as nossas principais propostas, principalmente aquelas relacionadas com a não ampliação da OTAN para o leste. Esse pedido foi rejeitado em referência à chamada política de portas abertas do bloco e à liberdade de cada Estado escolher sua própria forma de garantir a segurança. Nem os Estados Unidos nem a Aliança do Atlântico Norte propuseram uma alternativa a esta disposição fundamental”.

Os Estados Unidos estão fazendo todo o possível para evitar o princípio da indivisibilidade da segurança, que consideramos de fundamental importância e ao qual fizemos muitas referências. Tirando dela o único elemento que lhes convém – a liberdade de escolher alianças –, ignoram completamente todo o resto, inclusive a condição-chave de que “a ninguém é permitido – nem na escolha de alianças nem fora delas – reforçar sua própria segurança em detrimento da segurança dos outros”.

24 de fevereiro de 2022. Em um discurso à nação, o presidente Putin afirma: “É um fato que, nos últimos 30 anos, tentamos pacientemente chegar a um acordo com os principais países da OTAN sobre os princípios de uma segurança igual e indivisível na Europa. Em resposta às nossas propostas, enfrentamos invariavelmente cínicos enganos e mentiras ou tentativas de pressão e chantagem, enquanto a Aliança do Atlântico Norte continuou a se expandir, apesar de nossos protestos e preocupações. Sua máquina militar está se movendo e, como eu disse, está se aproximando da nossa própria fronteira”.

16 de março de 2022. Rússia e Ucrânia anunciam progressos significativos em direção a um acordo de paz mediado pela Turquia e pelo primeiro-ministro israelense Naftali Bennett. Segundo relatos da imprensa, a base do acordo inclui “um cessar-fogo e a retirada da Rússia se Kiev se declarar neutra e aceitar limites em suas Forças Armadas”.

28 de março de 2022. O presidente Zelensky declara publicamente que a Ucrânia está disposta à neutralidade combinada com garantias de segurança como parte de um acordo de paz com a Rússia. “Garantias de segurança e neutralidade, o status não nuclear do nosso Estado: estamos preparados para isso. Este é o ponto mais importante… eles começaram a guerra por causa disso”.

7 de abril de 2022. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Lavrov, acusa o Ocidente de tentar atrapalhar as negociações de paz, alegando que a Ucrânia voltou atrás em propostas previamente acordadas. O primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou posteriormente (em 5 de fevereiro de 2023) que os Estados Unidos bloquearam o acordo de paz pendente entre a Rússia e a Ucrânia. Quando perguntado se as potências ocidentais haviam bloqueado o acordo, Bennett respondeu: “Basicamente sim. Eles bloquearam o acordo e penso que estavam errados”. Em algum momento, diz Bennett, o Ocidente decidiu “esmagar Putin em vez de negociar”.

4 de junho de 2023. A Ucrânia lança uma grande contraofensiva, sem muito sucesso, em meados de julho de 2023.

7 de julho de 2023. Biden reconhece que a Ucrânia está “ficando sem” projéteis de artilharia de 155 mm e que os Estados Unidos estão “acabando”.

11 de julho de 2023. Na cúpula da OTAN, realizada em Vilnius, o comunicado final reafirmou o futuro da Ucrânia na OTAN: “Apoiamos totalmente o direito da Ucrânia de escolher seus próprios acordos de segurança. O futuro da Ucrânia está na OTAN… A Ucrânia tornou-se cada vez mais interoperativa e politicamente integrada na Aliança e fez progressos substanciais no seu caminho das reformas”.

13 de julho de 2023. O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, reitera que a Ucrânia “sem dúvida” entrará na OTAN quando a guerra terminar.

13 de julho de 2023. Putin reitera que, “em relação à entrada da Ucrânia na OTAN, como já dissemos muitas vezes, isso obviamente cria uma ameaça à segurança da Rússia. De fato, a ameaça da entrada da Ucrânia à OTAN é a razão, ou melhor, uma das razões da operação militar especial. Tenho certeza de que isso também não melhorará a segurança da Ucrânia. Em geral, tornará o mundo muito mais vulnerável e provocará maiores tensões no cenário internacional. Portanto, não vejo nada de bom nisso. Nossa posição é bem conhecida e vem sendo formulada há muito tempo”.

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