ONU-Rússia-Ucrânia: os defensores indefensáveis

Mais Lidos

  • No episódio dessa semana, as contradições de um Brasil dual, o Papa se manifesta sobre o caso Rupnik e a homossexualidade, o Dia de Memória do Holocausto e mais

    Informe IHU: 27/01/2023

    LER MAIS
  • Holocausto: as raízes não devem ser esquecidas

    LER MAIS
  • Papa Francisco: conservadores assustados com a possível escolha de um jovem bispo progressista para o ex-Santo Ofício

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

24 Janeiro 2023

Em 17 de janeiro, o metropolita Anthony de Volokolamsk, presidente do departamento para as relações exteriores do patriarcado de Moscou, falou (online) no Conselho de Segurança da ONU para defender os direitos da Igreja Ortodoxa Ucraniana não autocéfala (pró-russa).

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 20-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Num breve discurso, denunciou as decisões do Conselho de Defesa Nacional Ucraniano a respeito da Igreja pró-russa: desde os projetos de lei que a penalizam e minam a sua atividade aos serviços de contraespionagem contra ela, desde a sua expulsão das celebrações nas principais igrejas da Lavra de Kiev às sanções contra o clero e os bispos, desde as buscas e apreensões nos mosteiros até à privação da cidadania para alguns hierarcas.

Elementos não isentos de ambiguidade, mas que dificilmente podem ser comparáveis às perseguições anticristãs dos soviets. O metropolita Anthony não fala uma palavra sobre a agressão militar da Rússia à Ucrânia; cita repetidamente a Constituição ucraniana que se inspira nos direitos "ocidentais" sem dizer nada sobre aquela, de orientação contrária desejada por Putin para o seu país: apela às autoridades das Igrejas para julgar os acontecimentos ignorando o que as outras Igrejas cristãs pediram às suas Igreja.

Chegando à inconsciente ironia de denunciar os "referendos fictícios" das comunidades paroquiais locais para passar da obediência da Igreja pró-russa à autocéfala, ignorando os referendos manipulados e antidemocráticos usados pelas forças armadas russas nos vastos territórios (Crimeia e Donbass) para garantir a sua adesão à Federação.

Esquece completamente a severa advertência da Igreja não autocéfala que se distanciou claramente da iniciativa de intervir no Conselho de Segurança da ONU. Em 16 de janeiro, informou que não havia apelado "a nenhum Estado pela proteção de seus direitos e, menos ainda, ao Estado (russo) que decidiu um pérfido ataque armado contra o nosso país".

Lembra de que não autorizou ninguém a falar em seu nome na ONU. "Lembramos às autoridades russas que não falem em nome de nossa Igreja no contexto internacional e não usem o elemento religioso para seus próprios fins políticos".

Na véspera (15 de janeiro), o Metropolita Onufrio da Igreja não autocéfala dirigiu um apelo ao presidente russo para invocá-lo a "parar de atirar em nosso povo ... Você terá que prestar contas a Deus por cada gota de sangue derramada". São centenas as igrejas "não autocéfalas" destruídas pelas bombas das tropas de agressão.

A intervenção do hierarca russo foi fortemente apoiada pelo representante permanente da Federação junto às Nações Unidas, Vasily Nebenzya, que denunciou a russofobia reinante na Ucrânia. A questionabilidade democrática de algumas das decisões do Conselho de Defesa da Ucrânia e dos sete projetos de lei contra a Igreja pró-russa apresentadas no parlamento suscitam um profundo debate interno no qual a Igreja pró-russa está participando.

Patriarca russo Anthony de Volokolasmsk. (Foto: Diocèse de Chersonèse | Wikimedia Commons)

O discurso do Metropolita Anthony à ONU mostra uma ligação perturbadora entre a liderança da Igreja Ortodoxa Russa e o poder do Kremlin, que corrói a credibilidade de suas denúncias e impede à Igreja Ortodoxa Ucraniana não autocéfala o apoio de seu povo.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

ONU-Rússia-Ucrânia: os defensores indefensáveis - Instituto Humanitas Unisinos - IHU