Colômbia: A conversa entre Pe. De Roux e Uribe, mas o Governo não quer prorrogar o trabalho da Comissão da verdade

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18 Agosto 2021

 

Momento chave para o futuro da paz na Colômbia. O esperado encontro entre o ex-presidente da República Álvaro Uribe e o presidente da Comissão da verdade, o jesuíta Francisco De Roux, ocorreu ontem, embora fora da atividade da própria Comissão, nunca reconhecida pelo político que marcou os acontecimentos em Colômbia nos últimos vinte anos. O diálogo, transmitido pela internet, foi realizado na casa do ex-presidente, uma ampla “finca” (fazenda) no interior da Antioquia, não muito longe de Medellín. Nas últimas semanas, Uribe havia de alguma forma reconhecido a história dos "falsos positivos", os civis considerados guerrilheiros e vítimas de execuções extrajudiciais, durante os anos de sua presidência. Ontem, porém, no decurso de uma conversa cordial, mas por vezes tensa, também pelas precisas perguntas do padre De Roux, Uribe circunscreveu muito esse reconhecimento, reivindicando os resultados da sua presidência.

A reportagem é publicada por Agência SIR, 17-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

No entanto, justamente no momento em que a Comissão presidida pelo Padre De Roux pediu mais um ano para concluir a sua atividade, o Governo presidido por Ivan Duque se recusa a prorrogar e financiar esta prorrogação. Alison Milton, embaixadora da Irlanda na Colômbia, interveio sobre o assunto, prometendo levantar o tema no Conselho de Segurança da ONU, do qual a Irlanda é membro, na próxima audiência, em setembro. A embaixadora declarou: “A averiguação da verdade é uma das principais condições para uma paz estável e duradoura. Este pedido da Comissão da Verdade poderá dar respostas definitivas a muitos colombianos”.

Cristiano Morsolin, especialista em direitos humanos, comenta de Bogotá: “A atenção da comunidade internacional e o trabalho realizado nos últimos meses pelo Tribunal Permanente dos Povos são essenciais para manter uma esperança de paz na Colômbia. Nesse cenário se destaca a autoridade ética mundial do Papa Francisco e o papel do Vaticano na promoção de uma cultura do diálogo e da defesa dos 'descartados' das periferias, como também foi evidenciado nas últimas semanas, por ocasião da visita à Colômbia de Mons. Bruno Duffé, secretário do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral.

Quanto ao encontro com o padre De Roux, Uribe continua a não reconhecer a legitimidade da Comissão da Verdade e nem mesmo o acordo de paz. Ele repropõe uma verdade amansada, enquanto continua a esconder os mesmos fantasmas do líder paramilitar Salvatore Mancuso, a quem ele disse ter encontrado casualmente duas ou três vezes.

Uribe não reconhece a dimensão da tragédia dos falsos positivos, por medo da intervenção da Corte Penal Internacional, como pedido pelo jurista Luigi Ferrajoli e pelo Tribunal Permanente dos Povos.

 

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