Teóloga critica o Papa Leão XIV: Via Sacra como um “palco para a masculinidade”

Foto: Vatican Media

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09 Abril 2026

O simbolismo papal é questionável? A especialista em ética da mídia Claudia Paganini vê a Via Sacra da Sexta-feira Santa no Vaticano como uma demonstração de poder. Ela explica por que considera isso particularmente problemático neste momento.

A reportagem é de Matthias Altmann, publicada por Katholisch, 08-04-2026.

O Papa Leão XIV, que percorreu sozinho a Via Sacra na Sexta-feira Santa carregando uma pesada cruz de madeira, pinta um quadro "repugnantemente atual", segundo a especialista em ética da mídia Claudia Paganini: Através da força assim demonstrada, a cruz se torna um "palco para a masculinidade", escreve Paganini no semanário austríaco "Die Furche" (edição de quinta-feira).

O Papa não é o único a usar esse simbolismo de poder: "Donald Trump, Vladimir Putin, Benjamin Netanyahu: homens que, em sua suposta grandeza, se apresentam como a autoridade máxima, como a determinação encarnada, como líderes que estabelecem a ordem pela força", enumera ela. O resultado, porém, não é a ordem, mas "sofrimento, devastação e caos". Paganini critica: "Qualquer pessoa que, em tempos como estes, reveste a autoridade religiosa com a figura do homem forte não oferece contrapeso, mas sim reitera uma retórica política perigosa".

Segundo a especialista em ética da mídia, a política de viagens do Papa Leão XIV envia sinais igualmente problemáticos, assim como sua política simbólica: "O fato de Mônaco, dentre todos os lugares, estar sendo priorizado como destino de viagem demonstra uma falta de sensibilidade teológica", escreve ela. De acordo com Paganini, uma visita a Gaza ou à Ucrânia teria sido uma opção melhor, oferecendo a oportunidade de "encarnar a opção de Jesus pelo sofrimento". Ela considera aceitável o risco de uma viagem tão perigosa, especialmente para o sucessor de Pedro, escolhido por Deus.

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