"O exército ucraniano avança no Sul." Mas a população passa frio e está no escuro. Artigo de Nello Scavo

Foto: Ignacio Marin/Anadolu Agency

Mais Lidos

  • O sociólogo William I. Robinson, da Universidade da Califórnia, combina um trabalho militante, focado nas últimas semanas em protestos contra a força militar da fronteira dos EUA, com uma análise minuciosa do colapso do capitalismo

    “Gaza é um símbolo, um modelo, um alerta do que aguarda todo o planeta”. Entrevista com William I. Robinson

    LER MAIS
  • “Uma nova civilização está sendo construída, a civilização da onipotência”. Entrevista com Gilles Lipovetsky

    LER MAIS
  • 'Therians', o fenômeno viral sem fundamento que a extrema-direita usa para alimentar sua retórica 'anti-woke'

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Fevereiro 2026

"A única certeza é que a guerra terminará quando Zelensky e Putin se encontrarem. Mas não se pode descartar que o presidente russo — que conta com o apoio dos EUA em seu apelo por eleições na Ucrânia — queira terminar a temporada de embate armado com um líder diferente em Kiev", escreve Nello Scavo, jornalista italiano, em artigo publicado por Avvenire, 24-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O conflito não oferece trégua. Protestos em Sulcis contra a aprovação da expansão da fábrica de bombas. A sociedade civil mobiliza-se contra o esvaziamento da lei sobre exportações de armamentos. Após quatro anos de guerra, a Ucrânia reconquista terreno, resiste, mas paga com vidas e destruição. Dias demais para uma guerra que deveria ser "relâmpago". E poucos líderes hoje em Kiev, no quarto aniversário da invasão russa.

Para aqueles que estão no front, isso significa simplesmente que começa o quinto ano, e após 1.461 dias no campo de batalha, ainda se discute com as armas. O Estado-Maior ucraniano, no entanto, reivindica dois sucessos: a explosão de um oleoduto a leste de Moscou e a reconquista de uma área de 20 por 20 km no sul, onde os russos pareciam estar melhor equipados. Mas o frio congelante na linha do front não é diferente daquele que está enfraquecendo cidades e vilarejos. Os bairros estão às escuras, o aquecimento não funciona, a eletricidade é racionada.

Quando a Hungria e a Eslováquia colocaram Kiev diante da acusação de ter impossibilitado o fornecimento de petróleo russo, os serviços de inteligência ucranianos explodiram a refinaria de petróleo de Kaleykino, no Tartastão, a mais de mil quilômetros da fronteira. A estação de bombeamento é um ponto crucial do oleoduto Druzhba, construído para abastecer a Europa Oriental com petróleo bruto de Moscou. As imagens da explosão circulavam nas redes sociais russas desde o amanhecer.

Somente à tarde, fontes do SBU, o serviço secreto ucraniano, reivindicaram a autoria da operação, que também afeta a imagem de uma Rússia impenetrável. Um esquadrão de drones ucranianos sobrevoou uma área de quase 1.200 quilômetros por várias horas, zombando dos radares até o momento em que mergulharam para o ataque. A administração de Almetyevsk, na República Autônoma do Tartaristão, declarou no Telegram que as defesas aéreas russas abateram vários drones e que a queda de destroços causou um incêndio em uma área industrial. Nenhuma menção ao oleoduto Druzhba, como, ao contrário, confirmam as imagens que foi possível geolocalizar.

O transporte de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia foi interrompido em 27 de janeiro, quando Kiev denunciou ataques de Moscou ao oleoduto no oeste da Ucrânia. Budapeste e Bratislava ameaçaram cortar o fornecimento de eletricidade, que representa cerca de 70% das importações de energia da Ucrânia.

Explosões e lutos também são a linguagem usada para temperar com ameaças as etapas de negociação. Uma nova rodada de negociações entre a Ucrânia e a Rússia, mediada pelos Estados Unidos, está agendada para os dias 26 e 27 de fevereiro. Kyrylo Budanov, chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, anunciou ontem: "Estamos nos preparando. É uma questão de protocolo. Todas as três partes, ou melhor, as quatro, porque há um convidado, precisam concordar." Não está claro a quem se refere Budanov, ex-chefe e ainda diretor paralelo da inteligência ucraniana. Mas manter as cartas na manga faz parte do acordo. O Kremlin, por sua vez, não desmente.

Desde o final de janeiro deste ano, as unidades ucranianas retomaram o controle de 400 quilômetros quadrados de território e oito assentamentos na direção de Oleksandrivka, segundo o comandante das forças armadas, Oleksandr Syrskyi. Esses anúncios não puderam ser confirmados de forma independente. Diversas fontes na região, no entanto, reiteram que testemunharam uma retirada gradual do exército russo.

Para Kiev, trata-se do sucesso mais significativo dos últimos meses, que permite ganhar terreno e fôlego na região entre Dnipropetrovsk, Zaporizhzhia e Donetsk. Isso retarda os planos de Moscou para a captura de um setor cuja queda abriria uma brecha que impulsionaria mais uma vez o quinto ano da guerra no campo de batalha, afastando-o das mesas de negociação.

A única certeza é que a guerra terminará quando Zelensky e Putin se encontrarem. Mas não se pode descartar que o presidente russo — que conta com o apoio dos EUA em seu apelo por eleições na Ucrânia — queira terminar a temporada de embate armado com um líder diferente em Kiev.

Fontes oficiais explicaram nos últimos dias, sem receber desmentidos de Moscou, que Zelensky foi alvo de mais de 12 tentativas de emboscada em quatro anos

Leia mais