O Papa volta a apelar por um cessar-fogo e diálogo à medida que se aproxima o quarto aniversário da guerra contra a Ucrânia

Foto: Pixabay

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23 Fevereiro 2026

Leão XIV, em sua mensagem do Angelus, nos convida, durante este período da Quaresma, a renunciar "ao supérfluo e compartilhar o que economizamos com aqueles que não têm o necessário".

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 22-02-2026.

Neste primeiro domingo da Quaresma, e após a visita pastoral à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, na Via Marsala, onde presidiu a Eucaristia e se encontrou com representantes dos diversos grupos paroquiais, o Papa recordou no Angelus a passagem do Evangelho sobre as tentações de Jesus no deserto, onde "ele sente o peso da sua humanidade" e "enfrenta a mesma dificuldade que todos nós experimentamos no nosso caminho e, resistindo ao demônio, nos mostra como vencer os seus enganos e as suas armadilhas".

Um caminho "exigente", reconheceu Leão XIV, mas que durante a Quaresma se torna "uma jornada resplandecente" através da qual, e graças à oração, ao jejum e à esmola, "podemos renovar nossa colaboração com o Senhor para fazer de nossa vida uma obra-prima irrepetível".

"Existe o risco de nos desanimarmos ou sermos seduzidos por caminhos menos exaustivos para a satisfação, como a riqueza, a fama e o poder", alertou o Papa Prevost, e em resposta, seguindo o conselho de São Paulo VI, convidou-nos a praticar a penitência, que, "ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, nos dá a força para as superar e viver, com a ajuda de Deus, uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e uns com os outros".

A este respeito, o Papa exortou, durante esta Quaresma, a que a penitência seja praticada "generosamente, juntamente com a oração e as obras de misericórdia". "Abramos espaço para o silêncio, desliguemos as televisões, os rádios e os smartphones por um tempo. Meditemos na Palavra de Deus, aproximemo-nos dos sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que fala aos nossos corações, e escutemos uns aos outros, nas nossas famílias, nos nossos locais de trabalho e nas nossas comunidades. Dediquemos tempo aos que estão sozinhos, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos o que pouparmos com aqueles que não têm o necessário"

Eu me lembro do "povo ucraniano martirizado"

Além do texto desta catequese, o Papa, após recitar a oração mariana, referiu-se aos quatro anos que se passaram "desde o início da guerra contra a Ucrânia. Quantas vítimas, quantas vidas e famílias destruídas, quanta destruição, quanto sofrimento indizível! Verdadeiramente, toda guerra é uma ferida infligida a toda a família humana. Deixa para trás morte, devastação e um rastro de dor que marca gerações."

"A paz", continuou ele, "não pode ser adiada; é uma necessidade urgente. Ela precisa encontrar um lugar no coração das pessoas e se traduzir em decisões responsáveis. Portanto, renovo veementemente meu apelo para que as armas se calem, para que os bombardeios cessem, para que se alcance um cessar-fogo e para que o diálogo seja fortalecido, a fim de pavimentar o caminho para a paz."

"Convido a todos a se unirem em oração pelo povo ucraniano martirizado e por todos aqueles que sofrem por causa desta guerra e de qualquer conflito no mundo, para que o dom da paz possa brilhar em nossos dias", disse o Papa Prevost.

As palavras do Papa

Queridos irmãos e irmãs: Feliz domingo!

Hoje, primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho nos fala de Jesus que, guiado pelo Espírito, vai para o deserto e é tentado pelo demônio (cf. Mt 4,1-11). Depois de jejuar por quarenta dias, ele sente o peso da sua humanidade: a fome física e as tentações do demônio, a moral. Ele enfrenta a mesma dificuldade que todos nós experimentamos em nossa caminhada e, resistindo ao demônio, nos mostra como vencer seus enganos e ciladas.

A liturgia, com esta Palavra de vida, convida-nos a considerar a Quaresma como uma jornada radiante na qual, através da oração, do jejum e da esmola, podemos renovar a nossa colaboração com o Senhor para fazer das nossas vidas uma obra-prima irrepetível. Trata-se de permitir que Ele remova as manchas e cure as feridas que o pecado possa ter causado, e de nos comprometermos a fazer com que as nossas vidas floresçam em toda a sua beleza até alcançarmos a plenitude do amor, que é a única fonte da verdadeira felicidade.

É verdade, é um caminho exigente, e existe o risco de nos desanimarmos ou sermos seduzidos por caminhos menos árduos para a satisfação, como a riqueza, a fama e o poder (cf. Mt 4,3-8). Essas tentações, que Jesus também enfrentou, nada mais são do que pobres substitutos para a alegria para a qual fomos criados e que, no fim, inevitavelmente e eternamente nos deixam insatisfeitos, inquietos e vazios.

Por isso, São Paulo VI ensinou que a penitência, longe de empobrecer a nossa humanidade, enriquece-a, purificando-a e fortalecendo-a na sua caminhada rumo a um horizonte "cujo fim é o amor e o abandono ao Senhor" (Constituição Apostólica Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966, I). De fato, a penitência, ao nos conscientizar das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais profunda com Ele e uns com os outros.

Neste tempo de graça, pratiquemo-la generosamente, juntamente com a oração e as obras de misericórdia; reservemos um tempo para o silêncio, desliguemos as televisões, o rádio e os nossos smartphones por alguns instantes. Meditemos na Palavra de Deus, aproximemo-nos dos sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que fala aos nossos corações, e escutemos uns aos outros, nas nossas famílias, nos nossos locais de trabalho e nas nossas comunidades. Dediquemos tempo aos que estão sozinhos, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos o que poupamos com aqueles que não têm o necessário. Então, como diz Santo Agostinho, “a nossa oração, oferecida com humildade e caridade, acompanhada do jejum e da esmola, da temperança e do perdão; fazendo o bem e não retribuindo o mal com o mal, afastando-nos do mal e dedicando-nos à virtude, chegará ao Céu e nos dará a paz” (cf. Sermão 206,3).

À Virgem Maria, Mãe que sempre auxilia seus filhos nos momentos de provação, confiamos nossa caminhada quaresmal.

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