29 Novembro 2025
O padre Claudio Monge, teólogo dominicano que vive e trabalha em Istambul, relata as expectativas da pequena comunidade católica local para a viagem de Leão XIV à Turquia (27 a 30 de novembro): uma peregrinação histórica que combina diálogo com as Igrejas, unidade cristã, atenção aos migrantes e compromisso com a paz, em espírito de continuidade com Francisco e uma nova visão para o Mediterrâneo e o Oriente Médio.
"O Mediterrâneo e o Oriente Médio são dois termos essenciais. Sabemos bem que Francisco sonhava em ir a Niceia e também gostaria de ter visitado o Líbano. A decisão do Papa Leão XIV de retomar esses dois projetos, combinando-os, é muito interessante porque demonstra o desejo de colocar os principais temas que já emergem deste pontificado no centro de uma região extremamente complexa, que infelizmente e dramaticamente voltou ao centro das atenções globais." Pedimos ao Padre Claudio Monge, teólogo e diretor do Instituto Dominicano de Estudos (Dost-I), em Istambul, onde vive há 24 anos, que recontasse e apresentasse a viagem do Papa Leão XIV à Turquia.
A entrevista é de M. Chiara Biagioni, publicada por AgenSIR e reproduzida Settimana News, 28-11-2025.
Eis a entrevista.
A primeira parada do Papa Leão XIV na Turquia será em Ancara, onde ele se encontrará com o presidente turco e com as autoridades políticas e civis do país. Quais são as expectativas da pequena comunidade católica da Turquia em relação a esses encontros?
É particularmente difícil prever perspectivas ou expectativas para esta viagem, especialmente porque ela já é histórica em alguns aspectos. É a primeira do Papa Leão XIV. Haverá, portanto, algumas inovações inegáveis, ligadas ao seu estilo e à maneira como ele pretende viver e abordar essas viagens. O que podemos dizer são suposições, nada mais, baseadas, no entanto, no que já observamos em seus ensinamentos, desde seus primeiros discursos, particularmente significativos, seus primeiros escritos, suas cartas e as mensagens que revelam um traço de personalidade marcante e uma retomada significativa de alguns dos principais temas que já eram de Francisco, aprofundando-os com uma experiência e uma visão que fazem parte de sua história.
Quais são esses temas?
A causa ecumênica é particularmente importante, e foi muito interessante ver como ele a associa também a uma dinâmica dentro da Igreja Católica, a dinâmica da sinodalidade. Ele quer transmitir a mensagem de que essa dimensão sinodal é fundamental de uma perspectiva ecumênica, mas sobretudo para as nossas próprias Igrejas. Essa cultura da sinodalidade exige que todos deem um salto qualitativo fundamental.
Tínhamos testemunhado completa harmonia entre o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu. E agora? Como prosseguirá o diálogo entre eles? E sobre quais desafios?
Creio que irá além da personalização da relação bilateral com o Fanar. Sabemos que Bartolomeu tinha uma relação pessoal muito especial com o Papa Francisco. Eram duas personalidades que provavelmente também tinham uma ligação especial a nível humano, e o Papa Leão XIV certamente não abandonará esta relação privilegiada que Bartolomeu estabeleceu com a Santa Sé. Desde o início, o Papa quis dar à viagem uma ampla dimensão ecumênica: a inclusão no programa de uma visita à Catedral Apostólica Armênia, bem como um encontro com todos os líderes das várias Igrejas na Igreja Ortodoxa Siríaca de Mor Ephrem.
Isso indica que ele se preocupa com os relacionamentos com as diferentes Igrejas, com a história delas, prestando atenção a cada uma, na crença de que o ecumenismo é um movimento de cristãos.
Que outros temas que você mencionou anteriormente irão caracterizar esta viagem?
Todos os principais temas sociais de Francisco estarão presentes.
Recentemente, fiquei impressionado com a forte intervenção do Papa Leão XIV na questão ambiental, que terá grande ressonância no Patriarca Bartolomeu, dada a sua inquestionável atuação nessa área ao longo dos anos. Há também a questão — igualmente ligada à ambiental — da migração, do acolhimento e do desespero dos mais pobres, dos marginalizados, daqueles que pagam o preço mais alto pela desigualdade econômica e ambiental, e as consequências da violência política e das guerras em curso. Esses são temas que o Papa Leão XIV demonstrou que não deixará de lado desde o início de seu pontificado. Tanto que, em seu discurso de abertura na noite de sua aparição na sacada com vista para a Praça São Pedro, ele fez um apelo ao mundo para que abrisse os corações, inspirando-se nas palavras do Padre Christian De Chergé, prior dos monges de Tibhirine, assassinado na Argélia em maio de 1996. São questões essenciais que o Papa explorará com calma e cuidado, pois ele não é adepto do sensacionalismo, mas sim gosta de se aprofundar nos assuntos.
O que vocês, da comunidade católica da Turquia, esperam desta viagem?
O que estamos esperando? O Papa fará a sua parte e deixará mensagens. Caberá a nós, depois, trabalhá-las e vivê-las no nosso dia a dia. O impacto das suas palavras dependerá muito de nós e de como nos permitimos ser questionados.
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