Greta e os outros: "Eles estão nos atacando, não vamos nos intimidar"

Foto: Ministério das Relações Exteriores de Israel

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02 Outubro 2025

Antes de serem presos, os homens da equipe escrevem os números de seus advogados nos corpos: "Caso apreendam tudo". Diante dos soldados, eles formam um coração com as mãos. Thunberg também está presente. Israel: "Ela está bem".

A informação é de Alessia Candito e publicada por La Repubblica, 02-10-2025.

"Vimos vinte e dois navios se aproximando de nós pelo lado do porto. Um deles se aproxima em alta velocidade, o que significa que eles nos abordarão em breve". Eram pouco antes das oito horas quando a ativista alemã Yasemin Acar deu o alarme. A bordo, as sirenes começaram a soar e toda a tripulação foi chamada à ponte. Para ela, foi praticamente um déjà vu.

Em junho, ela estava a bordo do Madleen, o primeiro barco da Flotilha da Liberdade a tentar romper o bloqueio naval neste ano. Com ela estavam Thiago Avila e Greta Thunberg. E eles estão lá agora, quando, pela enésima vez, a tentativa de entregar ajuda à Faixa de Gaza, faminta devido a uma fome induzida, estagna a poucos quilômetros da costa. E quando, pela enésima vez, a missão termina com os ativistas interceptados e presos em águas internacionais, levados para Ashdod, julgados e expulsos, depois de sabe-se lá quantos dias de detenção.

"Israel deve ser responsabilizado por seus crimes de guerra e crimes contra a humanidade", protesta Greta, momentos antes de ser levada. "Ela e seus amigos estão bem", escreve o Ministro das Relações Exteriores israelense, sem conseguir esconder sua satisfação, nas redes sociais. A mesma rede social onde a última mensagem de Thiago Avila viraliza em minutos. "Somos uma missão humanitária navegando em águas internacionais, vocês não podem fazer isso", grita o ativista pelo rádio, enquanto a bordo, todos se amontoam no convés. Coletes salva-vidas vestidos, mãos levantadas, um último pedido de socorro aos outros barcos. "Alma aqui, Alma aqui, eles estão prestes a embarcar."

A mensagem viaja rapidamente a bordo das outras embarcações. "Barcos de patrulha também estão à vista aqui", dizem eles do Big Blue. "Roger, podemos vê-los daqui também", respondem do Aurora. A tensão aumenta em todos os conveses, e todos tentam lidar com a situação da melhor maneira possível. No Morgana, alguns fumam um cigarro atrás do outro, porque "quem sabe quando nos deixarão fazer isso de novo". No Sirius, um dos maiores, uma última foto do grupo é tirada. Em outra embarcação, o Capitão Nikos, a tripulação usa as mãos para formar corações e envia uma saudação em vídeo para aqueles que assistem ansiosamente de longe.

Quem ainda não o fez, anote rapidamente o número do seu advogado "num lugar que estará sempre conosco, mas não será mais um celular", explica Maso Notarianni, que na foto mostra a perna onde escreveu o número com caneta permanente. Ele aprendeu com os migrantes salvos pelo Karma, o barco em que Arci participou da Flotilha. Aqueles que enfrentam a travessia do Mediterrâneo o fazem na esperança de receber um telefonema para suas famílias em caso de naufrágio. Os ativistas da frota humanitária sabem, no entanto, que diários, papéis, anotações e computadores serão confiscados. O telefone? É fácil acabar na água. E assim, aquele número escrito na pele se torna uma boia para se segurar para não se afogar na burocracia israelense.

"Eles estão usando canhões de água, cuidado, todos a bordo, todos a bordo", crepitam os rádios, os poucos que ainda funcionam. No Adara, as pessoas correm para se proteger, algumas se amontoam no convés, o capitão tenta contatar o barco de patrulha. Em vão. "Olha, olha o que eles estão fazendo", gritam do convés do Aurora, bem ao lado do Yulara no momento em que este é interceptado. O clarão de uma granada de luz, o jato potente da mangueira de incêndio que destrói o convés. "Eles estão fazendo isso para nos intimidar e confundir", dizem com raiva a bordo, pouco antes de todas as comunicações serem cortadas. "Chega, chega", gritam no Mango, que é atacado logo em seguida. No Jeannette e no Meteque, mãos se levantam. "Somos uma missão pacifista, pacífica e não violenta", ouve-se um dos ativistas dizendo enquanto a câmera de bordo mostra os estágios iniciais do embarque.

"Eles estão embarcando na Flórida. Não está claro para onde estão levando os ativistas presos. Há dois navios grandes, talvez lá", nos conta um ativista angustiado de um dos doze barcos italianos. Aqueles que podem, aqueles que têm tempo, aqueles que conseguem manter o medo sob controle, estão gravando um vídeo para contar o que está acontecendo. A maioria tenta parecer forte, para se lembrar dos motivos por trás da missão da Flotilha Global Sumud.

"Estamos aqui por um Mediterrâneo livre de guerra, morte, racismo, apartheid e genocídio", diz Iasonas Apostolopoulos, chefe de missão da Mediterranea, a bordo do Oxygen, um dos navios da pequena frota grega que se juntou aos barcos da Global Sumud em Creta. Roos Ykema tenta. "Este é o fim da Flotilha Global Sumud. Esperamos ser livres em breve, mas também que a Palestina seja livre em breve", diz ele.

Mas sua voz treme e o vídeo mostra olhos enormes de medo.

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