04 Abril 2025
"Não se pode responder a uma mudança de época simplesmente mudando a placa de identificação do departamento. E para que haja alegria, não é suficiente escrever a palavra no letreiro do escritório. Com as propostas postas hoje a disposição, o título “Para que a alegria seja plena” ressoa bastante estranho e tem um forte efeito que causa estranheza", escreve Andrea Grillo, teólogo italiano, em artigo publicado por Come Se Non, 31-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Pelo fato de hoje marcar o início da fase final do Caminho Sinodal da Igreja Italiana, que trabalha nas “50 proposições” apresentadas aos delegados durante a tarde, é justo aproveitar a oportunidade para comentar os textos propostos, que mostram alguns traços negativos em comparação com os textos que foram discutidos na Assembleia Nacional em novembro. Como fiz na época (remeto ao texto publicado neste blog), limito-me a examinar os textos que tratam da dimensão litúrgica da vida eclesial, sobre os quais entendo mais, tentando esclarecer algumas limitações vistosas, que de certa forma pioram as afirmações que podiam ser lidas nos Lineamenti [= L, Lineamentos] de novembro, sem levar em conta o debate solicitado pelo Instrumento de Trabalho (a partir de dezembro passado).
Para fornecer ao leitor material que possa ser usado no debate que se desenvolverá a partir desta tarde até 3 de abril, farei um breve resumo das asserções que encontramos há quatro meses, no texto preparatório (§.1). Depois de uma rápida referência ao Instrumento de Trabalho (§.2), proponho uma comparação com os textos das atuais proposições, que falam da liturgia (§.3), para concluir com algumas expectativas, pelo menos com o intuito de emendar e corrigir os descuidos mais graves (§.4), de acordo com o que emerge do ditado problemático de algumas proposições.
Para começar, apresento os textos mais relevantes dos Lineamentos de cerca de 4 meses atrás:
a) Em primeiro lugar, é importante assinalar os L 21-22. Por um lado, de fato, no n. 21 coloca-se que a Igreja “pode também mudar a linguagem”, mas isso se refere à necessidade de uma linguagem “menos iniciática”, em tensão com o L 22, dedicado inteiramente à liturgia, onde se pede, inevitavelmente, para remediar a “lacuna” entre liturgia e vida por meio de “sérios caminhos de iniciação à ordem simbólica”. De um lado, portanto, pedia-se menor iniciação e, do outro, maior iniciação. A provocação se refletiu sobre a solução oferecida, que permanecia incerta: de um lado, nada deve ser alterado no rito e, do outro, a vida deve ser trazida para dentro da ação ritual.
b) O ponto de chegada do discurso no âmbito das propostas operativas (cf. L 25), parecia bastante laborioso e pouco instrutivo. Cito-o na íntegra:
Cuidar da qualidade celebrativa e da eficácia comunicativa das liturgias, a partir das homilias, por meio de iniciativas de apoio e formação para as diversas ministerialidades litúrgicas, a fim de ativar a participação dos leigos e aproximar a liturgia da vida das pessoas, especialmente daquelas com maiores dificuldades devido a deficiências físicas ou psicológicas, cultura diferente, idade, situações de vida; é necessário além disso, em colaboração com a catequese, promover processos de iniciação litúrgica para ajudar os fiéis a situar e compreender a linguagem litúrgica.
Quatro registros diferentes se sobrepunham, sem coordenação: eficácia comunicativa, ministerialidade, cuidado com as pessoas em dificuldade e iniciação litúrgica no plano da catequese. Como proposta operacional, parecia desorientada e desorientadora, desprovida de um centro unificador.
c) O L 27, diante da constatação de que, em sequência, o batismo, a primeira comunhão e a confirmação não conseguiam mais iniciar, mas haviam se tornado “ritos de licença temporária”, às vezes ilimitada, deduzia que era preciso passar de uma proposta “predominantemente doutrinal” para uma proposta “integral”. A integralidade era colocada no horizonte do “sumário” com o qual Atos 2,42 descreve a igreja primitiva: escuta do ensinamento dos apóstolos, comunhão, fração do pão e oração.
Importante é a admissão encontrada no centro do L 27:
“Não se participa dos sacramentos porque se chegou ao pleno conhecimento do mistério, mas se cresce na fé participando dos sacramentos”.
d) Em seu desenvolvimento, no entanto, essa referência aos 4 âmbitos da vida eclesial era realizada com alguns esclarecimentos não irrelevantes:
- o primeiro lugar de formação é a escuta da Palavra de Deus
- o segundo lugar é o cuidado com os outros
- o terceiro lugar é a prática dos sacramentos (onde se destaca o valor formativo da prática)
- o quarto lugar é a oração, entendida especialmente como “interioridade”.
e) O L 28 afirmava abertamente que a iniciação não se referia apenas aos “percursos de catequese”, mas implicava uma conversão pastoral de toda a comunidade. Para isso, era proposta uma lista de “métodos” (linguagens, jogo, arte, via pulchritudinis, esporte, visitas a lugares ou pessoas...). O ritmo poderia eventualmente valer-se mais da sequência do ano litúrgico do que do ano escolar. Mas o ano litúrgico era lido mais em relação aos limiares existenciais (esperança, sacrifício, sofrimento, dom...).
f) A revisão dos caminhos para os sacramentos e do percurso de iniciação cristã (L 29) era colocada em um amplo horizonte de repensamento da Igreja como um “ventre generativo”: não pequenos retoques, mas uma releitura da relação entre crescimento, sacramentos e vida.
g) O modelo “catecumenal” (L 30-32) era apresentado em termos de um “recomeço”, não como sinal de todo começo. Em certo sentido, ele se aplicava somente a casos particulares (noivos, pais, casais em situação irregular ou sujeitos vulneráveis).
h) O estilo espiritual era um objetivo compartilhado, sobretudo para sair da “administração burocrática” e ganhar a forma da “família acolhedora”.
i) Uma importância particular, no âmbito de todos os sacramentos, parecia ser assumida pelo sacramento da Reconciliação (L 36), do qual se relevava a necessidade de uma reconsideração cuidadosa, estudando também um acesso mais amplo à “segunda” e à “terceira forma” do ritual.
Deve-se, no entanto, lembrar que o trabalho que levou à elaboração das Proposições passou, pelo menos nominalmente, pela elaboração do Instrumento de Trabalho, publicado no final de dezembro de 2024. É preciso dizer que todas as reaberturas contidas no texto de dezembro, em comparação com L, não parecem ter afetado a formulação das proposições, pelo menos no que diz respeito ao discurso litúrgico e sacramental. O que restou, nas proposições finais, dessa “fase profética” dos últimos quatro meses, é difícil dizer. Fica a impressão, que agora tentarei documentar, de que as proposições permanecem, de qualquer forma, em grande parte atrasadas em relação ao texto dos Lineamentos.
O que resta de todo o trabalho proposto no percurso realizado nas proposições elaboradas hoje?
É preciso dizer: muito pouco. Se já nos L, ao lado de um insistente chamamento à “reforma da Igreja”, faltava uma referência clara à reforma litúrgica, mesmo que algumas referências à liturgia fossem claramente marcadas por aquela experiência, nos textos das proposições de hoje, apesar do possível aporte do debate com o Instrumento de Trabalho, a referência à liturgia e aos sacramentos parece menor, secundária e, de certa forma, como que protegida da consciência amadurecida nos últimos 60 anos de prática eclesial. Vou examinar as referências que se encontram nas 50 proposições, seguidas por breves comentários:
Proposição 10
Presidência da liturgia e homilia
Precisa ser relançada a formação na ars celebrandi e na presidência da liturgia, para presbíteros e diáconos, especialmente no que diz respeito à homilia. A Conferência Episcopal Italiana deve estabelecer as circunstâncias e os casos em que os leigos podem ser admitidos à presidência de celebrações não eucarísticas e à pregação em uma igreja ou em uma escola dominical (cf. CIC, cân. 766).
A questão da presidência não pode absorver totalmente a questão da ars celebrandi. Um dos fatos novos e decisivos, que emergiram do Vaticano II, é que há uma diferença essencial entre celebrar e presidir: todos celebram e somente um preside. É por isso que a questão da ars celebrandi diz respeito, em primeiro lugar, a toda a assembleia. Há, além disso, uma ars presidendi que pode ser desenvolvida de modo particular, e justamente pode também dizer respeito a sujeitos leigos, homens e mulheres. Mas aqui seria fundamental recuperar, como “mudança de paradigma”, a consciência de que celebrar exige uma arte da assembleia. Uma expressão infeliz, aquela da proposição 10, que leva a confundir “celebrar” com “presidir” e que deveria ser corrigida.
Proposição 11
Revisão nacional dos textos litúrgicos
Que seja programada em nível nacional uma revisão dos formulários e dos cantos litúrgicos, questionando sua eficácia comunicativa, em diálogo com os jovens, a fim de tornar as formas da liturgia mais compreensíveis e significativas para o presente, reunindo e colocando em diálogo diferentes competências de cunho educacional, catequético, artístico e de comunicação. A revisão daqueles que são chamados “formulários e cantos litúrgicos” é um processo complexo, que certamente também pode ter os jovens como objetivo, mas que não pode ser entendido apenas como uma “tradução comunicativa” de conteúdos adquiridos. A questão é mais ampla e necessariamente também exige competências bíblicas, teológicas e litúrgicas, que estejam dispostas a pensar a língua italiana não apenas como “instrumento de tradução do latim”. Aqui, o atraso assume uma defasagem que ainda é usada com desenvoltura para compor a tradução vigente do Missal Romano. Os formulários são difíceis porque foram pensados para serem assim. Uma “revisão dos textos litúrgicos” adequada exige, em primeiro lugar, raiz bíblica, teológica e litúrgica. Sem esse pano de fundo, corre-se o risco de introduzir no texto forçamentos sem fundamentos, amadurecidos por evidências pedagógicas ou antropológicas, que correm o risco de permanecer extrínsecos em relação aos ritos e às preces.
Proposição 12
Celebração das passagens da iniciação cristã
Nas dioceses e paróquias, devem ser valorizados os momentos celebrativos nos percursos de iniciação cristã, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo Ritual de Bênçãos, para dar maior importância às passagens e às situações particulares da vida.
A relação entre a iniciação cristã, sua natureza de percurso e a utilização do Ritual de Bênçãos parece algo forçado em comparação com as formas iniciáticas que a tradição eclesial elaborou ao longo da história. O rito de iniciação cristã de adultos oferece todas as formas que, mutatis mutandis, podem entrar na experiência das dioceses e paróquias. O recurso ao Ritual de Bênçãos, embora certamente possível, não parece responder a uma exigência autêntica e compartilhada. Assume a função de uma “divagação” em relação à iniciação, que já tem em si mesma sua força, sem que tenhamos que buscá-la no livro das Bênçãos.
A essas três proposições se acrescentam também a n. 13 e a n. 14, dedicadas respectivamente aos “grupos litúrgicos” e à “piedade popular”, cuja valorização é solicitada de modo bastante genérico, porém utilizando apenas para a piedade popular a qualidade da “experiência espiritual”.
Na parte do texto dedicada à “formação”, o tema litúrgico aparece desenvolvido em particular nas seguintes proposições:
Proposição 27
Percurso nacional renovado da Iniciação Cristã
A Assembleia sinodal pede uma renovação dos instrumentos de apoio aos percursos de Iniciação Cristã para as diferentes idades, adotando um modelo que integre a dimensão catequética com as outras dimensões essenciais da experiência cristã (cf. At 2,42): celebrativa, caritativa e orante.
A Assembleia pede uma plataforma nacional que ofereça as coordenadas básicas dentro das quais as dioceses e as regiões eclesiásticas possam integrar propostas (lugares de espiritualidade, arte, testemunhas e santos...) e divulgar as “práticas virtuosas” em via de experimentação.
A renovação da iniciação cristã é identificada simplesmente na superação do modelo catequético, por um “modelo integral”, inspirado em Atos 2,42, mas cujo perfil não é de forma alguma delineado, mas simplesmente remetido a uma “plataforma nacional” com a identificação de “coordenadas fundamentais” sobre as quais nada é dito.
Proposição 28
Potencialidades do Ano Litúrgico para a Iniciação Cristã
Muitas dioceses gostariam que as propostas para a Iniciação Cristã, especialmente de crianças e jovens, fossem cadenciadas pelo Ano Litúrgico e não pelo ano escolar, de modo a aprofundar de forma experiencial as potencialidades contidas em seus diferentes períodos, que se entrelaçam com aspectos fundamentais da existência humana e cristã, tais como: esperança, nascimento, corpo e afetos, dor e morte, vida eterna, espiritualidade, comunidade.
Até mesmo o tom descritivo não ajuda a proposição a adquirir autoridade. A expectativa de muitas dioceses de usar a sequência do ano litúrgico, em vez daquela do ano escolar, não parece sair de uma referência genérica de calendário, mais que de “percurso”.
Na mesma linha estão as duas proposições que enfocam mais explicitamente a própria estrutura do percurso de iniciação. Principalmente a primeira (P 29) parece ser um texto não apenas “vazio”, mas também mal organizado internamente. Eis seu teor com um breve comentário:
Proposição 29
Indicações nacionais sobre aspectos específicos da Iniciação Cristã
A Assembleia solicita que sejam dadas indicações nacionais sobre a figura dos padrinhos e das madrinhas, a sequência da celebração dos sacramentos da Iniciação Cristã e da Reconciliação, e a idade da Confirmação no itinerário das crianças.
A primeira observação é a seguinte: a Assembleia parece não ter autoridade. Em uma proposição sinodal, pede-se que sejam dadas indicações nacionais. E isso é feito com uma “ordem” interna à demanda que trai uma certa pressa, com a qual coisas de natureza e valor muito diferentes são ajuntadas. Por um lado, há a questão decisiva da ordem dos sacramentos da iniciação cristã (batismo, confirmação e eucaristia) em relação ao sacramento da cura (penitência). De natureza diferente e de distinto valor são a questão dos padrinhos/madrinhas e a questão da idade da confirmação. Seria uma questão de urgência distinguir cuidadosamente as questões, devolvendo ao que é prioritário a função de orientar todo o resto. Um texto de um Sínodo nacional não pode falar de maneira tão confusa, alimentando a desorientação.
Proposição 30
Serviço diocesano para o catecumenato
As dioceses deveriam criar um Serviço para o catecumenato, onde não estiver presente, aberto não só aos adultos que desejam empreender o caminho da Iniciação Cristã a partir do Batismo, mas também para aqueles que, embora batizados e até confirmados, redescobrem a fé depois de tempos de abandono (que recomeçam), para os quais é necessário um “segundo anúncio”, que insira a Palavra de Deus em suas situações e escolhas de vida. As pessoas do Serviço para o Catecumenato, que acompanham esses irmãos e irmãs, devem ser adequadamente formadas.
Aqui também, o chamamento a uma visão ampla do Serviço para o Catecumenato não desenvolve nenhuma outra questão além do papel da Palavra de Deus, deixando de lado o valor de uma iniciação litúrgica à fé, que não parece relevante, pelo menos a partir da formulação da proposição. De todo o debate atestado pelos documentos anteriores, não resta pedra sobre pedra.
Além das proposições que estabelecem uma ampliação da experiência ministerial, seja configurando um novo ministério instituído (P 41), seja ampliando o recurso ao serviço ministerial das mulheres (P 43), utiliza-se até mesmo uma proposição com vistas a uma “simplificação burocrática” com relação aos sacramentos:
Proposição 44
Certificações para os Sacramentos ou para as condições de vida
Com o intuito de aliviar o peso dos orientadores da comunidade e liberar energias para a evangelização e a proximidade, considere-se a possibilidade de enxugar ou eliminar, sempre que possível, os procedimentos para as certificações e autocertificações referentes aos Sacramentos ou às condições de vida pessoais para acessá-los ou acompanhá-los (como padrinho/madrinha).
Uma proposta inteira dedicada a uma questão tão secundária não fala a favor de um verdadeiro equilíbrio nas prioridades oferecidas pelo texto.
A leitura das 50 proposições, como expressão de um caminho que durou quatro anos, deixa uma profunda sensação de oportunidade perdida. A consideração do tema “liturgia” mostra uma série de renúncias, progressivas, que nas 50 proposições mostram uma compreensão marginal, redutiva e parcial da tradição. Vou tentar expressar melhor essa impressão em algumas conclusões gerais, com vistas a uma retificação ainda possível.
Se um Sínodo não chega a proposições de autoridade, ele não cumpre a função para a qual foi concebido. É verdade que o defeito está na raiz - o caminho sinodal não é um Sínodo em sentido estrito - mas o teor das proposições não manifesta de forma alguma a tensão em direção a uma “mudança de paradigma”. Isso requer que as palavras que medeiam as proposições estejam à altura da tarefa: no tom e na linguagem. Não se escrevem proposições de um Sínodo como se escreve um regulamento de condomínio.
Se a compreensão da ars celebrandi é simplesmente referida aos presbíteros e diáconos, como se fosse uma questão óbvia, isso constitui uma regressão não apenas em relação ao Concílio Vaticano II, mas também à Sacramentum Caritatis (2007, nos. 38-40). Por um lado, a vocação de todo o povo de Deus para celebrar deve ser retomada, como claramente indicado por Desiderio Desideravi. Por outro lado, é preciso reconhecer que as questões relativas à “linguagem” não se referem simplesmente a uma “mediação linguística” em favor dos jovens, mas ao próprio modo como a ação ritual é compreendida em um âmbito linguístico diferente daquele do latim. A esse respeito, um “departamento” que tente tornar palatável para os jovens um texto mal traduzido por adultos não é suficiente. Um Sínodo não é o lugar onde se contam historinhas de criança tranquilizadoras.
No plano da iniciação cristã, parece evidente a falta de clareza sobre a lógica iniciática dos sacramentos. Parece que a “prática dos sacramentos” é, como tal, capaz de oferecer a formação adequada aos sujeitos, e que a Assembleia, em suas proposições, não pode fazer mais do que pedir aos “ofícios eclesiais” que forneçam tanto os critérios fundamentais como desvendem a meada das chamadas questões “específicas” nas quais, com uma confusão deletéria, se coloca de tudo, sem ordem e sem orientação. Esse talvez seja o aspecto mais grave que desponta das proposições sobre o tema litúrgico: a total falta de uma orientação iniciática realmente confiada à ação ritual.
Finalmente, no plano da consideração do envolvimento dos leigos e, em particular, das mulheres no governo da Igreja, as proposições de fato se alinham em uma escolha que permanece bastante questionável. Por um lado, excluem a tematização do diaconato feminino, como os Lineamentos já haviam antecipado (mas como o Instrumento de Trabalho não havia, pelo menos citando o texto final do Sínodo universal sobre o tema). Por outro lado, eles parecem seguir, na proposição 43, a linha de uma promoção das mulheres em papéis de autoridade dentro das cúrias, sem minimamente abordar a relação, em si mesma incontornável, entre essa autoridade de governo e a autoridade sobre a palavra e sobre os sacramentos. A tríade real, sacerdotal e profética, com a qual temos tentado falar sobre a participação no poder na Igreja Católica nos últimos 60 anos, não pode ser tratada casualmente dentro de categorias medievais, nem mesmo no contexto de um Sínodo. Se os problemas forem enfrentados de maneira formalista, receberão uma solução igualmente formalista. Se pensarmos hoje resolver apenas com a jurisdição o que não conseguimos pensar como “ordem”, permaneceremos aquém do que nossa época exige de nós. Essa mudança de época não se deixa anestesiar falando a linguagem dos medievais. Talvez tendo depois o problema de explicá-la aos jovens... Conclusão
Não é tarde demais. Se as proposições relativas à ação ritual forem expressas na melhor linguagem que soubemos desenvolver desde 1963 a hoje, elas encontrarão seu espaço para incidir sobre o corpo das Igrejas que estão na Itália. Para fazer isso, ainda há tempo e se deve trabalhar com linguagens mais intensas e tons mais adequados. Caso contrário, se os textos mantiverem esse traço um tanto anafetivo, amadurecido em uma linguagem típica da tranquilização burocrática, se tornarão apenas o documento de uma oportunidade perdida, da prevalência de uma abordagem administrativa da liturgia e dos sacramentos e de uma escassa consciência do valor decisivo que a linguagem ritual tem não apenas para os jovens, mas para todos os discípulos de Cristo. Uma intervenção robusta e eficaz, sobre o texto das proposições que sinalizei, poderia ainda permitir que o Caminho sinodal dissesse coisas que não são dadas como certas e evitar utilizar - como se fosse um destino inelutável e falsamente tranquilizador - apenas categorias antigas, incompreendidas ou comprometidas. Não se pode responder a uma mudança de época simplesmente mudando a placa de identificação do departamento. E para que haja alegria, não é suficiente escrever a palavra no letreiro do escritório. Com as propostas postas hoje a disposição, o título “Para que a alegria seja plena” ressoa bastante estranho e tem um forte efeito que causa estranheza.