Bélgica: morte de bispo abusador

Foto: ALEXANDRE DINAUT/Unsplash

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07 Julho 2026

No dia 1º de julho, o antigo bispo de Bruges, Dom Rogers Vangheluwe, faleceu aos 89 anos. Seu caso foi o mais grave de abuso infantil já registrado na Igreja belga e resultou em uma série de comissões, condenações e descrédito dos quais a Igreja ainda não se recuperou completamente.

A informação é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 06-07-2026.

Nascido em uma família modesta, foi ordenado sacerdote em 1963, tornando-se bispo de Bruges em 1984. Em 23 de abril de 2010, renunciou ao cargo, admitindo ter abusado primeiro de um e depois de dois sobrinhos, desencadeando um escândalo sem precedentes.

Algumas semanas depois, uma grande operação policial apreendeu todos os arquivos relacionados aos abusos presentes na sede da Conferência Episcopal (475) e na residência do bispo primaz de Bruxelas, o relatório final da comissão estabelecida pelos bispos sobre o assunto foi publicado e a bolha midiática explodiu com a publicação da gravação do diálogo entre a vítima e o Cardeal Danneels, arcebispo de Bruxelas.

Onde se evidencia a insuficiente compreensão do prelado sobre a gravidade dos fatos e o desejo da vítima de obter uma sentença exemplar para Vangheluwe, em concordância com a mídia à qual foi repassado o relato da conversa, gravada sem o conhecimento do hierarca.

Iniciaram-se investigações judiciais e comissões ad hoc, que levaram, alguns anos mais tarde, à criação de uma comissão parlamentar especial.

Em uma entrevista de 2011, o então bispo de Bruges admitiu os acontecimentos, mas os minimizou consideravelmente, o que provocou uma nova onda de violentas denúncias por parte da mídia. Ele então desapareceu da vida pública para viver incógnito na França, com a comunidade de Solesmes, longe de qualquer atividade pastoral pública.

Dada a gravidade do escândalo, que foi reacendido em 2019 com a publicação de um relatório solicitado pelos bispos (1.054 casos) e a tempestade midiática em torno da série de televisão Godvergeten ("Os Esquecidos por Deus"), os bispos insistiram em seu desligamento. Mas o bispo resistiu, e a Santa Sé permaneceu em silêncio.

Somente em 2024, pouco antes da visita do Papa Francisco, chegou a séria censura de sua destituição do estado laico. Sua morte e funeral ocorreram com total discrição.

Em uma breve declaração datada de 3 de julho, os bispos, que em dezembro passado publicaram um plano estratégico contra os abusos, escreveram: "Estamos cientes de que o anúncio (da morte) pode provocar uma nova onda de emoção por parte das vítimas. Reconhecemos o sofrimento de longa data causado pelos abusos cometidos no contexto eclesial e reafirmamos nosso compromisso de reconhecê-lo e de cuidar das vítimas."

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