15 Junho 2026
Segundo o cardeal alemão Walter Kasper, a teologia em língua alemã praticamente se esqueceu da cristologia. "Ela se envolveu demais em questões eclesiológicas e na questão do ministério ordenado. Mas isso é muito limitador. Seria importante retornar ao cerne da teologia cristã e às questões cristológicas", disse ele à agência de notícias vienense Kathpress.
A reportagem é de Katholisch.de, 14-06-2026.
Certamente, as questões relativas à Igreja são importantes, mas Jesus Cristo deve estar no centro de qualquer resposta cristã ao anseio da humanidade por esperança e sentido, advertiu o Cardeal. Ele esteve em Viena nestes dias para o lançamento do novo livro "Nos Caminhos de Jesus Cristo", escrito em coautoria com o teólogo dogmático vienense Jan-Heiner Tück.
Cardeal contra a teologia "em campo aberto"
A teologia deve reafirmar constantemente suas raízes e fontes – e a cristologia é fundamental para isso, continuou Kasper. "Não se pode construir uma teologia do zero. Estamos inseridos em uma grande tradição e temos uma herança viva."
"Essa tradição é o nosso tesouro, que devemos redescobrir continuamente", disse o homem de 93 anos. "Na teologia também, nos apoiamos nos ombros de gigantes – os Padres da Igreja, os teólogos da Idade Média." De uma perspectiva cristológica, ele gostaria de ver uma maior consciência da tradição e um renovado aproveitamento dessas fontes.
Críticas ao Caminho Sinodal
Contudo, ele observa um estreitamento do foco em questões eclesiológicas na teologia, particularmente na Alemanha: "A esperança é resolver todos os problemas da Igreja tornando-a mais democrática", disse Kasper, referindo-se ao projeto de reforma alemão, o Caminho Sinodal. Ele acrescentou que não era contra a cogestão na Igreja. Mas era "fundamentalmente errado do ponto de vista teológico" acreditar que a Igreja e a necessária renovação da fé pudessem ser criadas dessa maneira.
Fortalecer a cristologia é impossível sem uma compreensão da cultura narrativa bíblica. Somente através da leitura conscienciosa da Bíblia e da empatia com as situações descritas no Novo Testamento é que se pode verdadeiramente "tornar-se amigo de Cristo".
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