Rubio: um americano no Vaticano. Artigo de Francesco Sisci

Marco Rubio (Foto: US Embassy in Jerusalem | Wikimedia Commons) e Leão XIV (Foto: Lola Gomez | CNS)

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05 Mai 2026

Quatro sugestões modestas à administração americana para restabelecer as relações bilaterais com o Vaticano.

O artigo é de Francesco Sisci, sinólogo, autor e colunista italiano, publicado por Settimanna News, 04-04-2026. 

Eis o artigo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegará a Roma na quinta-feira para se encontrar com o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, e com o Papa Leão XIV. O objetivo aparente é restabelecer as relações após recentes desentendimentos e atritos.

Contudo, dados os precedentes, é perfeitamente possível que essas divergências não sejam sanadas e possam até mesmo piorar. A Santa Sé é difícil de administrar sem um relacionamento de longa data. Há muitas questões que realmente dividem a Santa Sé e os Estados Unidos.

Contudo, hoje, mais do que nunca, é importante para os Estados Unidos — e, na verdade, para todas as outras nações — manter um bom relacionamento com o Vaticano, sede da maior e mais influente religião unificada do mundo.

Por sugestão do padre Lorenzo Prezzi, aqui estão quatro recomendações simples sobre como Rubio deve abordar a reunião:

Ele não deveria defender o presidente Donald Trump. E certamente também não deveria atacá-lo. Defender certas atitudes, slogans e declarações públicas seria simplesmente inapropriado. O Vaticano é uma comunidade secular e sabe que, ao longo dos séculos, muitos políticos fingiram ser antipapistas. Trump não é o primeiro e certamente não será o último. Suas ações, embora não tenham causado um escândalo extraordinário, permanecem injustificáveis. Para superá-las, é melhor simplesmente deixá-las de lado, na esperança de que Trump não insista nelas.

Não tente explorar as divisões dentro da Igreja — por exemplo, insinuando que alguns bispos apoiam as políticas de Trump. Isso seria o mesmo que dar lições ao Papa sobre como exercer seu cargo. Nesse ponto, a Santa Sé o deixaria falar, mas a divisão só se aprofundaria. Dizer ao Papa como ser Papa não funciona.

Outra tendência que parece muito popular nos Estados Unidos é citar a Bíblia, o Evangelho ou teologia ao Papa, a Parolin ou ao Vaticano. Esses homens dedicaram suas vidas ao estudo desses assuntos e, naturalmente, acreditam — talvez ingenuamente — que sabem um pouco mais do que um diplomata americano, que normalmente lida com algo completamente diferente. Ninguém duvida da boa-fé de Rubio ou de sua equipe, mas para discutir teologia, é preciso ser um teólogo sério — caso contrário, simplesmente não se causa nenhuma impressão. Ou pior.

Não diga ao Vaticano como lidar com os chineses. O Vaticano estuda essa questão há décadas, e cada passo foi cuidadosamente considerado e ponderado ao longo de muitos pontificados. Sugestões e ideias podem ser oferecidas, mas interferir pode ser contraproducente.

O ponto crucial, no entanto, é buscar algo positivo: encontrar um terreno comum que realmente ajude a Igreja. Um exemplo disso é a proteção da santidade do segredo da confissão.

Alguns estados americanos parecem estar considerando a possibilidade de remover a proteção legal da confissão em casos envolvendo crimes passados. Mas a confissão é um sacramento que atravessa séculos, mantendo um delicado equilíbrio. Seria uma verdadeira lástima se fosse questionada nos Estados Unidos, e haveria resistência.

Uma vez esclarecido tudo isso, a visita não será necessariamente um passeio no parque, mas talvez algumas das questões mais espinhosas possam ser resolvidas.

Tenha uma boa viagem a Roma, Sr. Secretário!

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