10 Abril 2026
Segundo a teóloga católica Rita Perintfalvi, as igrejas na Hungria "perderam completamente a sua liberdade". A crítica do presidente húngaro Viktor Orbán declarou ao semanário austríaco "Die Furche" (edição de quinta-feira) que descreveu a situação como "insustentável", porque Orbán condiciona o seu apoio financeiro às igrejas à ausência de oposição às suas políticas. "As igrejas são, portanto, completamente dependentes dele em termos financeiros."
A reportagem é publicada por Katholisch.de, 09-04-2026.
Na Hungria, existe uma forte aliança entre fundamentalistas cristãos e populistas de direita. No entanto, o apoio visível da Igreja Católica a Viktor Orbán e à coligação Fidesz-KDNP antes das eleições atuais era menor do que em 2022. Muitos padres e bispos perceberam que Orbán provavelmente perderá as eleições. Segundo Perintfalvi, eles estavam, portanto, se preparando para o período posterior: "Trata-se, sobretudo, de oportunismo. Creio que são poucos os membros do clero que realmente reconheceram a natureza extremamente prejudicial e perigosa do regime de Orbán", afirmou a teóloga.
Será que a Hungria em breve estará no caminho da adesão à UE?
Perintfalvi vê as próximas eleições de 12 de abril como "a última chance da Hungria de se distanciar da Rússia e de Putin e se reaproximar da União Europeia". Ela tem esperança de que "desta vez dê certo".
Perintfalvi, uma crítica notória de Orbán, já havia enfrentado hostilidade: "Fui alvo de uma campanha difamatória organizada por diversos veículos de mídia de direita ligados a Orbán, quatro portais de notícias de extrema-direita e quase uma dúzia de influenciadores pagos por Orbán", relata a teóloga. Eles associaram seu nome, personalidade e formação teológica "a um filme pornográfico extremamente repugnante". "Isso foi muito traumático para mim", disse ela. Ela ficou ainda mais satisfeita com o amplo apoio público de políticos, artistas, escritores e ativistas de direitos humanos. No final de março, Perintfalvi recebeu o Prêmio Herbert Haag para a Liberdade na Igreja, em Lucerna, por seu comprometimento.
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