27 Março 2026
Em entrevista ao jornal La Vanguardia, o cardeal defende o ato de coragem do governo espanhol ao regularizar a situação de mais de meio milhão de migrantes. "Está em consonância com a mensagem da Igreja Católica de acolhimento. Esta política ajudará a todos — os que chegam, os que já estão aqui, todos! — a ter uma vida melhor."
A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 26-06-2026.
"Critico os excessos da política de Trump contra imigrantes. Uma política racista, eu diria. Perseguir pessoas é anticristão". Clara, enfática, inequívoca. O Cardeal Ravasi, ex-presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, responde a todas as perguntas incisivas de Víctor M. Amela na seção La Contra do jornal La Vanguardia, em respostas que não deixam ninguém indiferente.
"A indiferença é a névoa da banalidade. Cristo foi morto porque suas palavras tiveram impacto. Hoje, a polícia só pediria seus documentos", diz Ravasi, que se define como celibatário, progressista e crente. Na entrevista, o cardeal descreve Prévost como "um falante de espanhol e uma grande pessoa" e expressa sua esperança de que Gaudí possa ser canonizado em breve.
Mas a maior parte das críticas (e de Leão) vai para Trump e sua política externa. "Perseguir pessoas é anticristão. Assim como perseguir cristãos era o mesmo há dois mil anos em Roma." Ravasi também defende veementemente o ato de coragem do governo espanhol ao regularizar mais de meio milhão de imigrantes. "Está em consonância com a Igreja Católica, que prega o acolhimento. Essa política ajudará as pessoas — as que estão chegando, as que já estão aqui, todas! — a terem uma vida melhor."
Apesar das vozes dissidentes de alguns bispos espanhóis, Ravasi inveja a Espanha. "Quem me dera a Itália fosse como a Espanha é hoje", exclama, ansiando pela "democracia cristã clássica, uma tradição muito italiana que foi muito benéfica".
Em relação à diplomacia da Santa Sé, o cardeal deixa claro que "o Vaticano se recusa a participar do Conselho de Paz fundado por Trump. O Vaticano no Oriente Médio se expressa por meio do Patriarca de Jerusalém, que ajuda os que sofrem em Gaza e em outros lugares". Ele critica o Patriarca Kirill, que "não critica Putin, que está invadindo outro país e, além disso, degradando as liberdades internas da Rússia".
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