Cardeal Ravasi: a Sabedoria de Salomão

Foto: Wikimedia Commons

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09 Mai 2022

 

"O livro do Cardeal Ravasi: Sapienza di Salomone é tradução, guia de leitura e comentário profundo em sua essencialidade [de Salomão], cuja clareza o abre para a compreensão também de não bibilistas ou não crentes", escreve Angelo S. Angeloni, em artigo publicado por Settimana News, 04-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo. 

 

Salomão ainda era um garoto quando pediu a Deus o dom de poder "ouvir o coração" (kardìan akoùein). Que pedido extraordinário! Ninguém o tinha feito até então, porque todos pedem riqueza, saúde, glória e as míseras coisas terrenas.

 

E Deus lhe concedeu "sabedoria e inteligência" (frònesin kaì sophìan) e "um coração sábio e inteligente", que se "ampliasse" a compreensão (kùma kardìas: 1 Reis 3,9, 12; 5,9). Desde então Salomão amou e buscou a Sabedoria, e "tomou-a como companheira de vida" (taùten aghaghèsthai pròs symbìosin: Sb, 8, 9).

 

E, no livro que leva seu nome como "símbolo" do sábio (Livro da Sabedoria), são descritas beleza, qualidade e presença na história e na criação.

A esse livro sagrado é dedicado o livro do Cardeal Ravasi: Sapienza di Salomone [Sabedoria de Salomão, em tradução livre, il Mulino, Bologna, 2022], que é tradução, guia de leitura e comentário profundo em sua essencialidade, cuja clareza o abre para a compreensão também de não bibilistas ou não crentes.

 

Gianfranco Ravasi, Sapienza di Salomone, Il Mulino, Bologna 2022, pp. 160, € 14,00, EAN: 9788815295750.

 

É uma reflexão sobre os gêneros literários que engloba. Percurso histórico e cultural do ambiente helenístico naquela Alexandria do Egito do período de Augusto, ponto de encontro cultural, onde viviam os judeus da diáspora e o desconhecido autor do Livro Sagrado: um maravilhoso exemplo de todo encontro cultural e religioso hoje mais do que nunca necessário.

 

É uma reflexão dentro da própria tradição judaica que “o sábio bíblico quer repropor […] e, nisso, revela uma hábil tentativa de retranscrição na antiga mensagem hebraica segundo as novas fórmulas típicas do classicismo” (p. 81).

 

É um confronto entre judeus e egípcios; isto é, uma reflexão teológica entre o justo e o injusto, entre idolatria e fidelidade a Deus, entre a luz e as trevas que obscurecem a mente e o coração dos homens.

 

E então a meditação que Ravasi propõe sobre os eventos do Êxodo quer ser uma meditação sobre a história infinita de todo povo migrante oprimido pela obstinação de outros, sobre o vórtice das paixões que perturbam as mentes inocentes (Sb 4,12), sobre o destino diferente dos homens, sobre a Sabedoria que deve iluminar as mentes dos governantes dos povos.

 

Sentado num trono junto a Deus, resplendece de um extremo ao outro do universo, onde vive com felicidade (Sb 8,1), da luz dos Querubins (Paraíso, XI, 39), que é "plenitudo scientiae" (S. Tomás).

 

A Rainha de Sabá veio dos confins da terra para ouvi-la. Escutem-na hoje os reis e soberanos da terra, esforcem-se por compreendê-la (Sb 6,1), amem a sua luz, aqueles que estão diante dos povos (Dante, Conv, IV: VI, 18), invoquem-na para que, ao lado deles, os guie sabiamente no caminho de suas ações e os proteja com sua glória (Sb 9,10-11): é a voz que ecoa de século em século. A escute quem quiser responder as grandes questões existenciais.

 

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