África: bispo exige consequências pelo envio de abusadores

Foto: Filistin | Canva

Mais Lidos

  • Guerra no Irã, notícias de hoje. "Teerã se prepara para invasão dos EUA e planta minas em Kharg"

    LER MAIS
  • A guerra de Israel contra o Irã força o primeiro fechamento do Santo Sepulcro em 900 anos

    LER MAIS
  • Como as catástrofes devem ser enfrentadas de modo a combatermos as desigualdades causadas pelo capital, questiona a doutora em Ciências Sociais

    Direito à moradia e os tentáculos do neoliberalismo em tempos de emergência climática. Entrevista especial com Elenise Felzke Schonardie

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

27 Março 2026

Padres que cometeram abusos são enviados para o exterior: durante anos, essa prática foi comum em dioceses alemãs. Um bispo de Serra Leoa exige uma investigação completa e a punição desses crimes.

A reportagem é publicada por Katholisch, 26-03-2026.

O bispo da Diocese de Makeni, em Serra Leoa, Dom Bob John H. Koroma, exige que a Igreja na Alemanha conduza uma investigação abrangente e minuciosa sobre a prática, antes generalizada, de enviar clérigos abusadores para a África. Em um artigo para o Herder Korrespondenz (edição de abril), ele convoca dioceses e ordens religiosas a "abrirem seus arquivos em um espírito de transparência radical", a se desculparem nominalmente pela prática, a fornecerem indenização integral às vítimas e a reformarem o "modelo de envio".

"É necessário introduzir os exames psicológicos mais rigorosos e transparentes, bem como um acompanhamento contínuo de todos os padres enviados para o exterior", afirmou o bispo. O problema do desequilíbrio de poder também deve ser abordado, e os bispos locais devem ser envolvidos nas decisões relativas aos padres e aos recursos enviados do Ocidente.

A percepção generalizada no Sul Global de que as dioceses europeias veem o envio de padres que chamaram sua atenção para o exterior como uma solução conveniente é frequentemente confirmada. "Este é talvez o aspecto mais lamentável de todo esse fenômeno: ver as comunidades de outros fiéis como um 'depósito' para problemas que os responsáveis ​​em seus países não querem ou não conseguem resolver." Isso não é uma parceria, mas uma forma de "colonialismo espiritual", escreve Koroma.

Dinâmicas de poder prejudiciais

Essa prática é particularmente insidiosa porque as comunidades muitas vezes dependem financeiramente da Europa. "Como pode uma comunidade local que depende de apoio financeiro para suas escolas e clínicas se manifestar contra o representante dessa generosidade?" O sistema criou, portanto, uma dinâmica de poder que protege os perpetradores e silencia as vítimas. Pois a história da evangelização na África revela "um clericalismo generalizado, muitas vezes exportado sob o disfarce da fé, e uma obediência inabalável à autoridade", afirmou o bispo. Isso leva a uma tendência de colocar o clero em um pedestal, absolvendo-o, assim, de responsabilidade.

Koroma enfatizou que os abusos cometidos por padres na África, além das consequências devastadoras para as vítimas, também têm repercussões catastróficas para o tecido social. "Estamos falando de um veneno que prejudica o tecido social, a saúde pública, a estabilidade cultural e a missão da Igreja em nosso continente." Quando um padre é exposto como agressor, "os alicerces da confiança social desmoronam". Isso leva a um "cinismo profundo" que impede a coesão e o desenvolvimento da comunidade.

O bispo de Makeni defende um novo começo na relação entre a Igreja na Alemanha e nos países africanos. "Este momento doloroso é uma oportunidade para construir uma nova parceria, não entre doadores e mendigos, mas entre irmãos no ofício episcopal e discípulos com direitos iguais na Igreja una, santa, católica e apostólica." Ele continua: "Tenhamos juntos a coragem de curar as feridas, responsabilizar os culpados e reconstruir uma Igreja em que a missão signifique verdadeiramente serviço altruísta e a parceria seja fundada no amor", escreve Koroma.

Leia mais