EUA classificam como “insulto” o voto do Parlamento israelense pela anexação da Cisjordânia, e Netanyahu ordena interromper o processo

Foto: Anadolu Ajansi

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24 Outubro 2025

O vice-presidente, JD Vance, declara-se “pessoalmente ofendido” pela “manobra política” do Legislativo israelense: “Não gostamos disso”.

A informação é de Andrés Gil, publicada por El Salto, 23-10-2025. 

“A política do governo Trump é que a Cisjordânia não será anexada por Israel.” Assim se manifestou o vice-presidente americano, JD Vance, sobre a votação preliminar realizada nesta quarta-feira no Knesset (Parlamento israelense) a respeito da anexação da Cisjordânia, antes de deixar Israel — país ao qual chegou na terça-feira com o objetivo de salvar o fragilizado cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas.

“Perguntei a alguém sobre isso e me disseram que se tratava de uma votação simbólica para anexar a Cisjordânia”, afirmou o vice-presidente. “Disseram-me que era uma manobra política, sem nenhum significado prático, apenas simbólico.”

E acrescentou: “Veja, se foi uma manobra política, foi uma manobra política muito estúpida. E, pessoalmente, sinto-me um pouco ofendido por isso. A Cisjordânia não será anexada por Israel. A política do governo Trump é que a Cisjordânia não será anexada por Israel. Essa continuará sendo a nossa política. E se as pessoas quiserem fazer votações simbólicas, podem fazê-lo, mas certamente não gostamos disso.”

Após a reação do vice-presidente dos EUA, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou interromper o avanço dos projetos de lei para anexar parcial ou totalmente a Cisjordânia até novo aviso, informa o Haaretz. Um breve comunicado do gabinete do primeiro-ministro lamenta que a votação de quarta-feira no Knesset tenha sido “uma provocação política deliberada por parte da oposição para criar discórdia durante a visita do vice-presidente JD Vance.”

Além disso, o comunicado destaca que “os dois projetos de lei foram promovidos por membros da oposição do Knesset” e que o partido Likud (de Netanyahu e que lidera o governo) e “os principais membros da coalizão” não votaram a favor dos projetos. “Sem o apoio do Likud, esses projetos não irão a lugar algum”, afirma o texto. No entanto, não menciona que o projeto contava com o apoio de deputados da coalizão governista, como os do Partido Sionista Religioso, do Agudat Yisrael e do Otzma Yehudit.

O secretário de Estado dos EUAMarco Rubio, também advertiu nesta quinta-feira contra a anexação da Cisjordânia antes de chegar a Israel, afirmando que a medida votada pelo Parlamento israelense ameaça o acordo de Gaza.

“É uma votação no Knesset, mas obviamente acredito que o presidente deixou claro que não é algo que apoiamos neste momento, e acreditamos que isso poderia colocar em risco o acordo de paz”, declarou Rubio a jornalistas.

“Eles são uma democracia, vão realizar suas votações e as pessoas vão adotar essas posições. Mas, neste momento, é algo que nós... acreditamos que poderia ser contraproducente”, disse ele, segundo a AFP. Questionado sobre o aumento da violência por parte dos colonos israelenses radicais contra os palestinos na Cisjordânia, respondeu: “Estamos preocupados com qualquer coisa que ameace desestabilizar o que construímos.”

Rubio viaja a Israel, onde permanecerá até o próximo sábado, para dar continuidade à implementação do plano para Gaza do presidente Donald Trump, conforme confirmou o Departamento de Estado em um comunicado.

Votação no Knesset

O Parlamento israelense (o Knesset) aprovou nesta quarta-feira, em uma leitura preliminar, por 25 votos a favor e 24 contra, uma proposta para anexar o território palestino ocupado da Cisjordânia.

Este primeiro passo antecede outras três votações necessárias no Knesset para transformar o projeto em lei, cujo texto afirma: “O Estado de Israel aplicará suas leis e soberania às áreas de assentamentos na Judeia e Samaria, para estabelecer o status dessas áreas como parte inseparável do Estado soberano de Israel.”

Essa votação preliminar coincidiu com a visita a Israel do vice-presidente americano, que supervisionou o plano de cessar-fogo em Gaza junto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e altos oficiais militares.

“Chegou o momento de aplicar a soberania plena sobre todos os territórios da Judeia e Samaria (Cisjordânia), a herança de nossos antepassados, e de promover acordos de paz em troca de paz com nossos vizinhos a partir de uma posição de força”, celebrou no X o ministro das Finanças, o ultradireitista e colono Bezalel Smotrich.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, também de extrema-direita e colono, mostrou igualmente seu entusiasmo com a proposta: “Chegou o momento da soberania agora!”

Ambos os ministros já haviam exigido, em meados de setembro, que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anexasse a Cisjordânia em resposta ao reconhecimento do Estado palestino por mais de uma dezena de países, entre eles o Reino Unido, o Canadá e a Austrália.

Palestina não possui continuidade territorial e, enquanto em Gaza governava o braço político do Hamas, na Cisjordânia permanece a Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmoud Abbas.

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