Um resgate para Milei ou para os especuladores dos EUA? As críticas de Paul Krugman

Foto: Chip Somodevilla/AFP

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11 Outubro 2025

O ganhador do Prêmio Nobel afirmou que o swap de US$ 20 bilhões servirá apenas para sustentar o peso pelo tempo suficiente para que os investidores “amigos de Bessent” se retirem. Depois disso, previu, a moeda argentina cairá novamente.

A reportagem é de Randy Stagnaro, publicada por Tiempo Argentino, 09-10-2025. A tradução é do Cepat.

O ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, caracterizou o resgate financeiro dos EUA do governo de Javier Milei como visando apoiar o peso e também criar uma janela de oportunidade para que os fundos de hedge americanos que investiram na Argentina no início do mandato do La Libertad Avanza se retirassem do país.

Em seu site, Krugman observou que o governo do republicano Donald Trump eliminou programas de ajuda para populações vulneráveis na América Latina e Caribe, África e Ásia, e questionou o resgate de Milei.

“Mas, um resgate de US$ 20 bilhões para o governo de direita da Argentina, um país sem valor estratégico para os EUA, com um longo histórico de corrupção, instabilidade política, má gestão fiscal e crises financeiras? Um país que deu calote em sua dívida soberana nove vezes, três delas desde 2001? Sem problemas!”, escreveu.

“Não há cenário plausível em que mesmo US$ 20 bilhões em empréstimos americanos salvariam a fracassada estratégia econômica de Javier Milei. O cerne dessa estratégia, como observei antes, é o que se chama de ‘estabilização cambial’: apoiar o peso na tentativa de reduzir a inflação”, explicou Krugman.

Segundo o economista, o plano de conversibilidade da década de 1990 é “muito semelhante” ao de Milei, “tanto em conceito quanto em resultados: uma euforia inicial seguida de um desastre”.

Ele enfatizou que Milei vendeu nos Estados Unidos a ideia de que “desta vez seria diferente” e obteve um fluxo de capitais positivo. Mas “tudo desmoronou” quando, no início de setembro, “os investidores começaram a se desfazer de ativos argentinos ao perceber que Milei sofreria pesadas perdas nas próximas eleições legislativas, colocando todo o seu programa em risco”.

Foi quando apareceu a mão salvadora de Bessent. Por quê? Segundo o premiado economista, não se trata apenas de salvar Milei, mas também “os amigos de Bessent nos fundos de hedge”. Fundo de hedge é o nome dado a um tipo de fundo que investe em instrumentos baseados em empréstimos (alavancagem, no jargão financeiro) para fazer apostas muito arriscadas.

Nesse ponto, Krugman ecoa um artigo escrito pelo economista Matthew Klein, que, em seu site The Overshoot, afirmou que o dinheiro do resgate será liberado imediatamente, à medida que investidores locais e estrangeiros aproveitarem as tentativas de apoiar o peso para se retirar da Argentina, algo que ocorreu em 2018 e levou ao pedido de ajuda ao Fundo Monetário Internacional.

“Em outras palavras, o dinheiro do contribuinte estadunidense está sustentando o peso, permitindo que fundos de hedge vendam seus ativos argentinos a preços inflacionados, após o que o peso cairá novamente”, previu Krugman.

Nesse sentido, Krugman afirmou que um dos que instaram Bessent a intervir em favor de Milei foi “seu velho amigo e ex-colega” Robert Citrone, fundador do fundo de hedge Discovery Capital Management, que apostou pesadamente em Milei e “comprou mais ativos argentinos pouco antes do anúncio de Bessent”.

“Será que Citrone aproveitará a ‘ponte financeira’ apoiada pelos contribuintes para sacar seu dinheiro e fugir?”, perguntou-se Krugman. E acrescentou: “Se não o fizer, será um tolo, porque é isso que os investidores inteligentes estão fazendo. A Argentina está queimando bilhões de dólares em reservas para defender o peso enquanto todos estão fugindo”.

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