13 Junho 2025
Relatório do IISD, WBA e WWF mostra que planos petrolíferos do Brasil são incompatíveis com Acordo de Paris e podem gerar US$ 35 bi em perdas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 12-06-2025.
Os planos de expansão da exploração de combustíveis fósseis no Brasil são péssimos para o clima do planeta. Um relatório conjunto do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD), World Benchmarking Alliance (WBA) e WWF-Brasil reforça o perigo, e mostra que insistir nestes planos pode ser um péssimo negócio também para a Petrobras e para os cofres públicos, já que a União controla a petroleira e recebe parte de seus lucros.
Se a meta do Acordo de Paris de limitação do aumento da temperatura do planeta em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais for cumprida – o que é urgente diante do agravamento das mudanças climáticas –, até 56% da nova produção de petróleo do Brasil e até 85% dos projetos da Petrobras podem ser economicamente inviáveis, gerando um desperdício de US$ 35 bilhões. É quase cinco vezes o lucro líquido da petroleira em 2024, que foi de US$ 7,5 bilhões.
Segundo o estudo, os empreendimentos de maior risco da Petrobras só dariam lucro se as temperaturas globais aumentassem 2,4°C ou mais – bem acima dos limites estabelecidos no Acordo de Paris, destaca a Exame. A questão é saber se haverá sociedades organizadas no planeta para consumir os combustíveis fósseis produzidos pela petroleira se os termômetros escalarem nessa medida.
Assim, o relatório frisa que “a nova produção só pode valer a pena em um mundo perigosamente superaquecido. Por outro lado, uma ação climática eficaz tornará obsoletos alguns ativos de combustíveis fósseis”, informam UOL, RFi e La Nacion. “Os planos de expansão de petróleo e gás muitas vezes se baseiam em cenários com suposições questionáveis para enfraquecer a ação climática”, aponta o documento.
Maior produtor de petróleo da América Latina, o Brasil espera extrair 5,3 milhões de barris por dia (bpd) em 2030. A partir daí, a produção do país deve começar a cair, chegando em 4,4 milhões de bpd em 2034, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Essa queda é usada como justificativa pela Petrobras e pela ala do governo que defende a exploração de petróleo no país “até a última gota” para explorar combustíveis fósseis em áreas de nova fronteira, como a foz do Amazonas e outras bacias da Margem Equatorial, no litoral do Norte e do Nordeste. No entanto, a própria petroleira projeta que o consumo de combustíveis fósseis no Brasil se estabilizará a partir de 2030. E a Agência Internacional de Energia (IEA) prevê queda no consumo global a partir deste mesmo ano.
“Para conter o aquecimento global, governos e empresas deverão cortar o consumo de petróleo, gás e seus derivados”, lembra Ricardo Fujii, especialista em conservação do WWF-Brasil. Com a redução do consumo, a demanda por combustíveis tende a cair. Consequentemente, os preços devem baixar, detalha a Veja. “Isso pode fazer com que a produção seja menos rentável e até gerar prejuízos às petroleiras ”, completou Fujii.
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