Um ano de Milei à frente da Argentina: “Quem ganhou mesmo foi o poder econômico”

Javier Milei | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / FotosPúblicas

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12 Dezembro 2024

  • “Somos testemunhas – e essas solidões que mencionamos revelam-no – de um triste triunfo do individualismo (religioso incluído) que é o ponto de partida do ‘não é a minha vez’ ou de infortúnios semelhantes”
  • “Quando o amor deixou de ser militância para ser apenas um sentimento, como sociedade perdemos! E os pobres perderam, o país perdeu, a esperança perdeu... e a liberdade continua a recuar”

O artigo é de Grupo de sacerdotes em opção pelos pobres, publicado por Religión Digital, 11-12-2024.

Eis o artigo.

Ninguém pode servir a dois senhores, porque odiará um e amará o outro; “Você não pode servir a Deus e ao dinheiro” (Jesus)

Já se passou um ano desde que La Libertad Avanza (SIC) assumiu o governo em seu poder executivo. Sabíamos que ele o havia conseguido com maioria legítima no segundo turno eleitoral, embora tivesse uma minoria significativa no Legislativo e tivesse que dialogar com um Poder Judiciário cooptado pelo Macrismo.

Mas, à força de Decretos (DNU) e de vetos, o governo avançou, concordando, depois dos habituais insultos, ataques e humilhações, com aqueles que ficaram em terceiro lugar nas eleições, aqueles que – com cumplicidade, acordo e negociações com “amigos” grupos” -, permitiram-lhe algumas conquistas e muitos silêncios.

Mas, como se sabia, quem realmente venceu foi o poder econômico concentrado. Um poder negado a qualquer gesto ou atitude da humanidade porque “um cavaleiro poderoso é uma dádiva de dinheiro” (F. de Quevedo). Esta atitude, onde – como era de esperar para quem quis ver – há poucos, muito poucos, vencedores, há um pequeno grupo que de alguma forma beneficia e uma imensa maioria sofre, o Governo celebra o que entende como conquistas, com sempre números falsificados e fome crescente. E neste contexto:

  • Médicos e trabalhadores de Garraham se sentem sozinhos
  • Os idosos sentem-se sozinhos (e são gaseados, espancados, empurrados);
  • Quem está na Aerolíneas Argentinas se sente sozinho;
  • As universidades, que começaram com marchas massivas, são deixadas em paz;
  • Aqueles que foram demitidos foram deixados sozinhos;
  • Quem trabalha em cantinas sente-se sozinho e que nada mais basta;
  • As comunidades indígenas e camponesas sentem-se sozinhas...

Foi o que conseguiram, porque foi o que procuraram... enquanto a CGT pensa se deve ameaçar discutir, avaliar se é oportuno indicar que irá preparar a possibilidade de sugerir uma greve ...

O Estado retirou o pouco que havia de institucionalidade. Não há respeito pelos dissidentes, não há condenações ao genocídio em Gaza, não há cuidado e proteção da Mãe Terra, não há defesa das mulheres vítimas nem atenção à cultura. A retirada é sistemática. E séria.

E, além disso, recicla-se dia após dia a crueldade, reinventando velhos ódios e inaugurando o desprezo com uma gestão fenomenal das redes sociais de mentira e engano, com armas armadas, espionagem e protocolos de repressão aos fracos com aplausos aos fortes.

Somos testemunhas – e essas solidões que mencionamos revelam-no – de um triste triunfo do individualismo (religioso incluído) que é o ponto de partida do “não é a minha vez” ou de desgraças semelhantes. Isto leva a uma desintegração social onde precisamente quem deveria ser reconhecido na fraternidade é visto como estranho; onde “cada um por si” e a “lei da selva” em nome de uma falsa liberdade, nos leva à indiferença, ao racismo, ao ódio ou a um “fique fora disso” corruptor e destrutivo.

E a isso temos que acrescentar a preguiça... a preguiça é muito ativa (sic); Não existem “outros”, não existem causas, não há motivos para sair em solidariedade…

Quando o amor deixou de ser militância para ser apenas um sentimento, como sociedade perdemos! E os pobres perdidos, o país perdido, a esperança perdida... e a liberdade continua a recuar.

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