Metropolita Hilarion visita cardeal húngaro Péter Erdő: uma importante operação político-eclesiástica?

Metropolita ortodoxo Hilarion Volokolamsk (à direita) e Cardeal húngaro Péter Erdö (à esquerda). (Foto: Reprodução | Igreja Ortodoxa Russa)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Junho 2022

 

A visita do metropolita ortodoxo Hilarion Volokolamsk, número dois da Igreja Ortodoxa Russa, braço direito do Patriarca Kirill, ao cardeal Péter Erdő, arcebispo metropolitano de Esztergom-Budapeste, no dia 2 de junho, é para os especialistas e estudiosos das relações entre católicos e ortodoxos um evento muito importante na atual crise que se iniciou com a agressão da Rússia contra a Ucrânia.

 

A reportagem é de Il Sismografo, 03-06-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Essa crise inclui a contenção das relações entre o papado de Roma e o Patriarcado de Moscou, que recentemente cancelaram – a pedido do pontífice – um segundo encontro histórico em Jerusalém depois do primeiro em Havana (12 de fevereiro de 2016).

 

Depois da videoconferência entre Francisco e Kirill (16 de março) e depois das críticas do patriarcado ao papa no dia 4 de maio, que na entrevista ao jornal Corriere della Sera (3 de maio) havia contado que tinha dito ao patriarca que “não somos clérigos de Estado, não podemos utilizar a linguagem da política, mas a de Jesus”, as relações entre os dois se esfriaram fortemente.

 

Desde então, entre Francisco e Kirill, tudo congelou. As relações bilaterais são mínimas e se mantêm vivas graças ao compromisso do cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, organismo que vive as suas últimas horas de vida, já que no domingo se tornará dicastério da Santa Sé. Provavelmente o seu presidente, o cardeal Koch, se tornará seu prefeito.

 

A presença, experiência e personalidade desse purpurado suíço são a melhor garantia para o papel desse dicastério nesta crise que não é apenas militar e política, econômica e social, mas também religiosa e eclesiástica.

 

Por que Hilarion foi em peregrinação, por assim dizer, à sede episcopal liderada pelo cardeal Péter Erdő na Hungria?

 

Para entregar mensagens à Santa Sé, ao papa, às Conferências Episcopais europeias, todos interlocutores que o purpurado húngaro conhece há muitos anos e junto aos quais tem um grande prestígio e autoridade.

 

Muito provavelmente, essas mensagens dizem respeito sobretudo a um possível encontro entre os dois líderes, Kirill e Francisco, em Nur-Sultan, capital do Cazaquistão, no contexto do VII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais (14 a 15 de setembro de 2022). Ambos confirmaram oficialmente que irão ao encontro.

 

Portanto, pelo que podemos entender a partir daquilo que se diz em ambientes diplomáticos eclesiásticos, na realidade o Patriarcado de Moscou confiou a Hilarion, presidente do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou (DECR), a missão de retomar a preparação do encontro que estava em andamento quando foi suspensa no dia 3 de março, no contexto das graves consequências da guerra desencadeada por Putin, que se recusa a falar pessoalmente com o Papa Francisco desde 24 de fevereiro passado.

 

Os mesmos analistas que sublinham a importância desse possível segundo encontro entre Francisco e Kirill, porém, acrescentam que tal reunião não é necessariamente de utilidade decisiva para acelerar o fim da guerra, que tende a gangrenar com consequências humanitárias devastadoras.

 

Para muitos deles, a gravidade da crise já reduziu significativamente a influência das confissões religiosas e, por enquanto, em um contexto geopolítico mundial, elas não parecem relevantes. Tanto entre fiéis católicos quanto entre fiéis ortodoxos, há uma espécie de curto-circuito com aquilo que as respectivas hierarquias costumam dizer.

 

Leia mais