17 Julho 2026
Após longos debates, a Assembleia Nacional Francesa votou pela legalização da eutanásia. A Igreja Católica criticou duramente a decisão. Diz-se que até o Papa interveio.
A reportagem é publicada por Katholisch, 16-07-2026.
A Conferência Episcopal Francesa expressou choque com a legalização da eutanásia ativa e do suicídio assistido. "15 de julho de 2026 marca uma grave ruptura na história do nosso país", criticou a Conferência Episcopal em um comunicado divulgado na quarta-feira, referindo-se à decisão da Assembleia Nacional Francesa. A assembleia havia votado anteriormente por 291 a 241 a favor da legalização da eutanásia, após anos de debate. "Com a decisão de legalizar a eutanásia e o suicídio assistido, os parlamentares consagraram a possibilidade de provocar a morte na lei francesa. Essa decisão rompe com a longa tradição de compaixão", declararam os bispos.
Embora os efeitos ainda não sejam mensuráveis, tendências iniciais já começam a surgir. A nova lei, por exemplo, altera a relação com a vulnerabilidade, a idade, a deficiência ou a doença, bem como o nível de confiança entre gerações e entre cuidadores e pacientes. "Os mais pobres correm o risco de pagar o preço primeiro: por não quererem ser um fardo para os filhos ou netos, os idosos em condições de vida precárias podem sentir-se pressionados a pôr fim às suas vidas", afirmou a Conferência Episcopal.
Na carta, criticam também o presidente francês Emmanuel Macron, que está cumprindo uma das suas principais promessas de campanha com a legalização do aborto. "O Presidente da República prometeu um debate calmo, informado e respeitoso, mas é evidente que interesses políticos, ideológicos e provavelmente até econômicos, disfarçados por uma retórica enganosa, minaram esse esforço."
Diz-se que o Papa Leão XIV telefonou para Macron várias vezes
O bispo de Nanterre, Dom Matthieu Rougé, também protestou contra a decisão. "Com esta lei, o nosso país está minando seriamente os próprios alicerces da sua coesão social e do seu conceito de fraternidade", declarou na quarta-feira ao jornal "La Croix". Diz-se que até o Papa Leão XIV interveio várias vezes por telefone junto do presidente Macron para travar a legislação e impedir que outros países seguissem o exemplo. Antes da votação, Dom Marc Aillet de Bayonne ameaçou que os membros católicos da Assembleia Nacional que votassem a favor da lei seriam excluídos da Sagrada Comunhão.
A lei na França abrange tanto a eutanásia ativa realizada por um médico ou enfermeiro quanto o suicídio assistido, no qual o paciente ingere uma substância letal, desde que certas condições sejam atendidas, como ser maior de idade e sofrer de uma doença incurável e grave. Pacientes com transtornos psiquiátricos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, estão excluídos.
A França não é o primeiro país europeu a legalizar a eutanásia. Ela também é legal na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Espanha.
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