16 Julho 2026
"Presidir a comunidade é um ato ministerial que consideramos há séculos como consequência da ordenação. Hipotetizar uma copresidência da Eucaristia significa considerar também a ordenação de mulheres. Hipotetizar que, para as mulheres, a presidência se aplica apenas à palavra e não ao sacramento parece-me permanecer no âmbito de uma compreensão preconceituosa da "diferença" entre homem e mulher. Que existe uma diferença entre maternidade e paternidade é indiscutível. Mas que isso possa se traduzir numa presidência diferente, ou mesmo numa reinterpretação dos princípios petrinos e marianos aplicados à Eucaristia, parece-me um exagero objetivo e desnecessário", diz Andrea Grillo, teólogo italiano, em artigo publicado por Come se non, 16-07-2026.
Eis o artigo.
Creio ser importante esclarecer desde já uma coisa: as palavras de E. Castellucci, proferidas em maio passado numa conferência em Carpi, organizada pela CIF, não constituem um programa pastoral nem um decreto episcopal. São as reflexões de um bispo responsável, que compreende o impasse em que a Igreja Católica se encontra e, por isso, procura uma saída. O primeiro ponto a reconhecer é este: a consciência de que a solução que podemos oferecer hoje não nos tranquiliza. Perante a recente declaração que proíbe leigos e todas as mulheres de proferirem homilias, Castellucci aponta a injustiça desta afirmação, ainda que justificada. Isto não pode mais continuar assim.
Mas não é só isso: Castellucci também entende, francamente, que a questão não se resume a um abstrato "direito de falar", mas sim ao direito de presidir. Como a homilia está intimamente ligada à presidência, fica claro que somente o presidente da sessão pode proferi-la. Portanto, seu discurso se concentra precisamente na presidência. Isso também me parece um sinal de clareza, o que deve nos alegrar.
Por outro lado, a proposta de uma "copresidência", tal como formulada, tem como horizonte a atual situação doutrinal, que não é muito desenvolvida. Castellucci afirma explicitamente que sua proposta só faz sentido em uma Igreja que não resolveu a questão do acesso das mulheres ao ministério ordenado. Portanto, vislumbra-se uma "presidência feminina", restrita à Liturgia da Palavra, coexistindo com outra presidência, referente à Liturgia da Eucaristia, reservada aos homens ordenados.
Portanto, haveria uma dupla presidência na Missa: a da Liturgia da Palavra, também confiada a uma mulher, e a da Liturgia Eucarística, necessariamente confiada a um sacerdote/bispo ordenado.
Ao ler a proposta, imediatamente me lembrei de uma situação semelhante, mas justificada por um problema completamente diferente. Numa diocese indiana, Ernakulam, onde, devido a um conflito entre as autoridades eclesiásticas e os padres locais, um Sínodo chegou a um compromisso litúrgico na chamada "Missa sinodal": ou seja, uma Missa em que a Liturgia da Palavra é "versus populum", enquanto a Liturgia Eucarística é "versus altar". A solução de dividir a Missa em duas partes e atribuir a primeira parte a uma forma ritual e a segunda a outra parece ser um exagero burocrático, sem qualquer esperança de sucesso.
Não pretendo julgar o que Castellucci propõe em analogia a este episódio, mas limitar-me-ei a apontar algumas perspectivas de avaliação.
Acredito que a proposta deva ser avaliada de forma diferente. Por um lado, ela aborda a questão levantada pela recente "responsabilização" relativa à homilia. A proibição de leigos, e consequentemente de mulheres, proferirem a homilia não se deve à falta de identidade, mas sim à falta de liderança. Quem preside uma comunidade, e somente ele ou ela, pode proferir a homilia. No caso de uma "copresidência", seria possível que a homilia fosse proferida por uma mulher ou por um leigo. Nesse sentido, a proposta de Castellucci me parece muito razoável, dado o objetivo imediato: conferir a indivíduos que não sejam o sacerdote o direito de proferir a homilia.
Por outro lado, é evidente que se trata de um subterfúgio, atualmente considerado inevitável, dada a incapacidade da Igreja de considerar a ordenação de mulheres. Não creio que possamos evitar a questão do acesso ao diaconato nem a questão mais geral da ordenação. Presidir a comunidade é um ato ministerial que consideramos há séculos como consequência da ordenação. Hipotetizar uma copresidência da Eucaristia significa considerar também a ordenação de mulheres. Hipotetizar que, para as mulheres, a presidência se aplica apenas à palavra e não ao sacramento parece-me permanecer no âmbito de uma compreensão preconceituosa da "diferença" entre homem e mulher. Que existe uma diferença entre maternidade e paternidade é indiscutível. Mas que isso possa se traduzir numa presidência diferente, ou mesmo numa reinterpretação dos princípios petrinos e marianos aplicados à Eucaristia, parece-me um exagero objetivo e desnecessário.
Tentar encontrar uma solução prática, sem abordar a questão sistemática e doutrinária, parece-me uma forma de contornar o problema, e não de o resolver. Isso não diminui o valor da declaração e da perspectiva que ela abre, com vistas a superar completamente uma discriminação que já não pode ser atribuída à vontade de Deus. O importante é que Castellucci reconheceu que a questão central é: quem preside? Se falarmos de "copresidência", ela deve ser feita, mas talvez em outra direção, ou seja, atribuindo igual autoridade à diferença entre homem e mulher, que permanece. A copresidência, como concebida por Castellucci, deixa intacto o fato de que uma mulher só pode presidir a Liturgia da Palavra, enquanto um homem pode presidir tanto a Liturgia da Palavra quanto a Liturgia Eucarística. A questão sistemática é: por que uma mulher não pode presidir a Liturgia Eucarística? Essa questão é descartada e relegada a uma base autoevidente, agora fundamentada unicamente em preconceito e em uma teologia da autoridade que não encontra justificativa.
Se a copresidência significa que homens e mulheres podem compartilhar a presidência, parece uma boa ideia. Se a copresidência significa que uma mulher pode presidir apenas a Liturgia da Palavra, e não a Liturgia Eucarística, talvez também não seja uma solução para a homilia. Porque a homilia não é apenas parte da Liturgia da Palavra, mas também parte de toda a celebração eucarística. Se uma pessoa preside apenas parte da celebração, não se presume automaticamente que ela possa, ipso facto, proferir a homilia.
Em última análise, a questão reside no fato de que "presidir" é um ato individual. Isso se faz necessário precisamente por causa da natureza da presidência. Compartilhá-la pode ter o sentido justificado de provocação. Nesse sentido, pode também se tornar algo positivo, estimulante, até mesmo salutar. Mas a solução para o problema decorre de uma pergunta diferente: o que impede o reconhecimento das mulheres como presidentes, não apenas como um ato de ensino, não apenas como um ato de governança, mas também como um ato de santificação? Aqui reside o cerne incontornável da questão.
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