O problema do tradicionalismo não está relacionado ao culto, mas a uma visão de mundo. Artigo de Claudio Monge

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03 Junho 2026

"Identificar uma vida exemplar com base unicamente na 'prática/observância' pode ser redutivo. O verdadeiro desafio para nós, monges (e para os cristãos em geral), é o de uma vida que seja evangelicamente compatível", escreve Claudio Monge, em artigo publicado em sua página no Facebook, 02-06-2026.

Claudio Monge é frei dominicano e diretor do Instituto de Estudos Dominicanos (DoSt-I) de Istambul.

Eis o artigo.

Uma carta recente escrita pelo Irmão Michael Davide Semeraro, de Novalesa, a respeito do acalorado debate iniciado por Enzo Bianchi e Andrea Grillo sobre o Vetus Ordo, acredito ser particularmente esclarecedora para a compreensão da importância de não minimizar as "consequências evangélicas" do "tradicionalismo ritual"!

O problema, como Semeraro nos lembra corretamente, não é primordialmente a Sacrosanctum Concilium (Constituição do Vaticano II sobre a Divina Liturgia) ou a Lumen Gentium (Constituição do Vaticano II sobre a Natureza e a Missão da Igreja como Sacramento e Reino de Cristo), mas sim a Gaudium et Spes (Constituição sobre a Presença e a Ação da Igreja no Mundo Moderno) e a Nostra Aetate (Declaração sobre o Sentido Religioso e a Relação entre a Igreja Católica e as Religiões Não Cristãs)! O cerne do raciocínio do Irmão Michael Davide, que diz respeito principalmente aos monges, mas que pode ser serenamente aplicado, com as devidas distinções baseadas na natureza específica de seu carisma, a todas as outras formas de vida cristã, sejam elas ordenadas, sejam elas leigas, é este:

Identificar uma vida exemplar com base unicamente na "prática/observância" pode ser redutivo. O verdadeiro desafio para nós, monges (e para os cristãos em geral), é o de uma vida que seja evangelicamente compatível. Agora, a compatibilidade evangélica como "imitatio Christi" não é discernida nos ritos e na adoração, mas na compaixão e empatia com nossos irmãos e irmãs na humanidade no mundo real em que vivemos, aquele "mundo" pelo qual o Pai deu seu Filho! A questão crucial está ligada ao significado evangélico da lógica pascal, que se desenrola em uma dimensão primordialmente existencial e não meramente ritual (o rito é o "Culmen et Fons" da vida, não o seu fim). Então, o verdadeiro cristão busca o sucesso numérico de suas próprias fileiras (o sucesso numérico de um certo tradicionalismo baseado na identidade que retorna é inegável em nosso mundo complexo) ou a coerência de uma vida guiada pelo Evangelho?

O irmão Michael Davide conclui alertando contra aqueles que minimizam a resistência dos tradicionalistas ao Vaticano II e o significado teológico de sua maneira de celebrar. Nessa linha de raciocínio, o papel da teologia, como um espaço para ampliar a compreensão evangélica, torna-se irrelevante, desviando toda a atenção para a repetição, que corre o risco de se tornar uma mera reconstituição histórica para manter o próprio modo de ser no mundo confortável e seguro, sem prestar atenção ao mundo em que vivemos.

O problema é que, embora não seja difícil ser "cristãos exemplares", é muito mais complexo se tornar cristãos e católicos "evangélicos"!

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