03 Junho 2026
Uma pesquisa realizada pelo jornal The Washington Post e pela Universidade de Maryland revela preocupação com o papel das autoridades de imigração no torneio.
A reportagem é de Alonso Martínez, publicada por El País, 02-06-2026.
Com a Copa do Mundo da FIFA de 2026 a poucos dias de começar, o maior evento esportivo do mundo enfrenta a questão de qual será o papel das autoridades de imigração dos EUA. Agora, uma nova pesquisa do The Washington Post e da Universidade de Maryland revelou que a maioria dos americanos prefere que não haja agentes de imigração.
De acordo com a pesquisa — realizada entre 14 e 18 de maio de 2026 com 1.030 adultos nos Estados Unidos —, 65% dos entrevistados se opõem à presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nos estádios durante partidas de torneios, em comparação com 35% que apoiam a medida.
Os resultados da pesquisa surgem após meses de incerteza sobre como as políticas de imigração do governo Trump poderiam afetar um campeonato que deve atrair milhões de visitantes aos Estados Unidos, México e Canadá. Embora autoridades federais tenham insistido que o ICE fará parte do aparato de segurança geral e que seu trabalho se concentrará no combate a crimes como o tráfico de pessoas e a venda de produtos falsificados, a agência se tornou um dos temas mais controversos na preparação para o torneio.
Entre os democratas, a rejeição chega a 92%, enquanto entre os independentes atinge 74%. Os republicanos são a exceção: 72% apoiam a presença de agentes de imigração durante as partidas. A rejeição também é generalizada entre os torcedores de futebol. 68% daqueles que se consideram fãs do esporte se opõem à presença do ICE nos estádios, uma proporção praticamente idêntica à registrada entre os que não são fãs.
A oposição também apresenta diferenças demográficas marcantes. Segundo a pesquisa, quase oito em cada dez afro-americanos e hispânicos rejeitam a presença de agentes de imigração nos estádios durante a Copa do Mundo. Entre os americanos brancos, a opinião é mais dividida, embora a maioria também se oponha à medida: 58% se opõem, contra 42% que a apoiam.
O debate não surgiu do nada. Durante o Mundial de Clubes realizado nos Estados Unidos em 2025, o ICE confirmou que auxiliaria na segurança durante o torneio e lembrou publicamente aos não cidadãos que era obrigatório portar documentos comprovando sua situação imigratória. A mensagem gerou críticas de organizações de direitos dos imigrantes e autoridades locais, que alertaram que isso poderia desestimular milhares de pessoas a comparecerem aos jogos.
Desde então, as dúvidas sobre o papel das autoridades de imigração se multiplicaram. Essa incerteza foi alimentada pela falta de detalhes sobre como as agências federais irão operar durante o torneio e pelo endurecimento das políticas de imigração implementadas por Trump desde seu retorno à Casa Branca.
Além disso, nas últimas semanas, o governo considerou medidas que poderiam afetar diretamente a chegada de visitantes internacionais. Entre elas, a possibilidade de suspender o processamento alfandegário para voos internacionais em aeroportos localizados em cidades-santuário, uma proposta que impactaria algumas das principais cidades-sede da Copa do Mundo, incluindo Nova York, Los Angeles, São Francisco e Seattle. A discussão alimentou preocupações sobre a experiência que aguarda os milhões de torcedores esperados para o torneio.
Embora a presença do ICE esteja gerando resistência, a pesquisa mostra uma postura muito mais aberta em relação a outra das questões mais sensíveis que envolvem o torneio: a participação da seleção iraniana. Três em cada quatro americanos, 75%, acreditam que a seleção iraniana deveria ter permissão para jogar partidas da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Esse apoio transcende as divisões partidárias e chega a 64% dos republicanos.
A questão do Irã tornou-se um dos temas mais sensíveis nos preparativos para o torneio devido às tensões diplomáticas entre Washington e Teerã. Nos últimos meses, surgiram dúvidas sobre a participação da equipe depois que Trump enviou mensagens contraditórias sobre sua presença em solo americano. Embora a FIFA tenha afirmado que a seleção asiática poderá competir, a incerteza também se estendeu à situação de jogadores, técnicos e torcedores que precisam obter vistos para viajar.
Por outro lado, 69% dos entrevistados acreditam que os jogadores de futebol iranianos deveriam ter permissão para permanecer nos Estados Unidos caso temam perseguição por parte do governo iraniano. Mesmo entre os republicanos, uma ligeira maioria apoia essa possibilidade. Os resultados sugerem que muitos americanos fazem distinção entre conflitos políticos internacionais e a participação de atletas e seleções nacionais em esportes.
A pesquisa também revelou pouco entusiasmo em relação ao impacto internacional que o torneio terá. Apenas 22% dos entrevistados acreditam que sediar a Copa do Mundo melhorará a imagem dos Estados Unidos no exterior. A maioria, 68%, acredita que não fará diferença, enquanto 10% chegam a pensar que poderá prejudicá-la.
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