21 Mai 2026
Os senadores Tim Kaine (Virgínia), Adam Schiff (Califórnia) e Ruben Gallego (Arizona) apresentaram uma Resolução sobre Poderes de Guerra para bloquear o uso das forças armadas dos EUA em hostilidades contra Cuba, no mesmo dia da acusação formal do ex-presidente cubano e do anúncio da chegada do porta-aviões Nimitz ao Caribe.
A informação é de Andrés Gil, publicada por elDiario.es, 21-05-2026.
Donald Trump tenta replicar o modelo venezuelano no Irã e em Cuba: bloqueio, asfixia humanitária e ataque militar para substituir a liderança por alguém tutelado, seja por meio de sequestro ou de assassinato. No momento, o país asiático está resistindo e, com a ilha caribenha, deu-se um passo nessa direção nesta terça-feira com a indiciação de Raúl Castro pela derrubada de duas aeronaves de pequeno porte que se dirigiam à ilha sem autorização de Havana, em um incidente no qual morreram quatro membros da organização anticastrista Irmãos ao Resgate.
Nesse contexto, nesta quarta-feira, os senadores democratas Tim Kaine (Virgínia), Adam Schiff (Califórnia) e Ruben Gallego (Arizona) apresentaram uma Resolução sobre Poderes de Guerra para bloquear um ataque das Forças Armadas dos EUA contra o território cubano.
O uso do exército americano por parte do presidente criou uma crise humanitária na ilha e ameaça provocar uma crise migratória em massa. Além disso, ele continua a ameaçar com uma ação militar direta, e relatórios recentes indicam que o Comando Sul dos EUA recebeu ordens para elaborar planos para uma possível ação militar.
In Cuba the Trump administration is following the same playbook they used for Venezuela: impose sanctions, starve the population, and manufacture the pretext for regime change.
— Congressman Chuy García (@RepChuyGarcia) May 20, 2026
We must oppose another illegal war before it starts. https://t.co/GwEfoB69Hl
“O exército americano é o melhor do mundo, mas os nossos militares não deveriam ser enviados para situações de perigo quando não há um benefício claro para os Estados Unidos”, explica Kaine, membro dos Comitês de Serviços Armados e de Relações Exteriores do Senado: “Os americanos querem um Congresso e um presidente focados em reduzir o custo de vida. A última coisa de que o nosso país precisa agora é de uma guerra de mudança de regime baseada em ameaças imaginárias à pátria, o que devastaria o povo cubano e geraria uma crise migratória artificial. Enquanto Trump continuar a ameaçar com uma ação militar direta, continuaremos dando ao nosso colega da instituição legislativa todas as oportunidades para deter o caos”.
Schiff, por sua vez, destacou: “Embora eu deseje a queda do regime e um futuro melhor para o povo cubano, não há indícios de que a ilha represente uma ameaça significativa para a segurança nacional dos Estados Unidos. O presidente não tem autoridade legal para invadir ou atacar outra nação soberana sem a aprovação do corpo parlamentar ou a demonstração de uma ameaça iminente”.
Da mesma forma, Gallego afirmou: “Fui enviado ao exterior com outros jovens da classe trabalhadora para lutar em uma guerra que as elites orquestraram para se enriquecer, e agora vejo a mesma estratégia se repetindo. A popularidade do governante está despencando, por isso ele está procurando uma desculpa para invadir e uma vitória rápida para se sentir forte. Devemos agir agora antes que nos vejamos envolvidos em outra guerra sem fim”.
Além disso, houve membros democratas da Câmara dos Representantes que demonstraram rejeição à ofensiva contra Cuba.
Assim, enquanto Chuy García aludia ao manual aplicado na Venezuela, a representante por Illinois, Delia Ramírez, apontava a abordagem imperialista do governo.
E Gregory W. Meeks, o democrata de maior escalão no Comitê de Assuntos Exteriores da instituição legislativa, afirmou: “Esta acusação parece menos uma busca por justiça e mais um pretexto para a escalada, que poderia inclusive resultar em uma invasão ilegal. Não existe solução militar, e nenhuma quantidade de sanções trará um futuro melhor para a população. Se o governo realmente deseja construir uma nova relação, como afirma o secretário Rubio, deveria trabalhar com o parlamento para reformar o fracassado e draconiano regime de sanções que tem dificultado a capacidade de sucessivos governos de negociar uma abertura significativa. O poder executivo também deve pôr fim ao seu absurdo bloqueio de petróleo, que agrava o sofrimento e deixa hospitais, lares e empresas privadas às escuras. A única maneira de impulsionar uma mudança real é empoderar as próprias pessoas, e não persistir em uma abordagem fracassada que as pune sem gerar nenhum progresso”.
Em paralelo, a liderança militar americana anunciou que o porta-aviões Nimitz já havia chegado ao Caribe, o que o posiciona perto da ilha.
“Bem-vindos ao Caribe, Grupo de Ataque do Porta-Aviões Nimitz!”, publicou no X o órgão militar encarregado das operações na América Latina, com exceção do México: “O porta-aviões USS Nimitz, a Ala Aérea Embarcada, o USS Gridley e o USNS Patuxent (T-AO 201) constituem a expressão máxima de prontidão e presença, de alcance e letalidade incomparáveis, e de vantagem estratégica”.
Raúl Castro indiciado nos EUA
O governo lançou nesta terça-feira uma acusação contra o ex-presidente cubano, de 94 anos, em um tribunal americano, e tanto o ex-líder quanto outras vem pessoas, militares, foram indiciadas por um grande júri na Flórida. O Governo cubano negou as acusações por meio de seu presidente, Miguel Díaz-Canel.
A acusação está relacionada com a suposta participação do veterano político na derrubada, em 24 de fevereiro de 1996, de duas aeronaves de pequeno porte operadas pelo grupo de exilados anticastristas com sede em Miami. Ele era ministro da Defesa na época, e seu irmão Fidel presidia o país. No ataque contra as aeronaves, quatro pessoas morreram.
Trump and Rubio are pulling straight from the imperialists' playbook to justify another unauthorized and unlawful military invasion–just as they did in Venezuela and Iran.
— Congresswoman Delia C. Ramirez (@repdeliaramirez) May 20, 2026
The administration will continue to claim that their actions serve the freedom of Cubans, but history has… https://t.co/oeoxWomUTf
O ex-líder venezuelano Nicolás Maduro foi indiciado por acusações de narcotráfico em 2020 e, no início deste ano, foi sequestrado por forças americanas e levado a Nova York para ser julgado.
“É uma nação em colapso”, insistiu o chefe de Estado nesta quarta-feira, após o anúncio do Departamento de Justiça, o que representa um aperto no cerco em plena asfixia energética decretada por Washington: “Está se desmoronando. Não têm petróleo. Não têm dinheiro. É uma nação que está fracassando. Mas estamos lá para ajudar as famílias, as pessoas. Eles estão esperando por este momento há 65 anos, veremos o que acontece. Mas, enquanto isso, teremos que ajudá-los. Não têm meios de subsistência. Não têm comida. Não têm eletricidade. Não têm nenhum tipo de energia. Mas têm pessoas extraordinárias. Veremos o que ocorre. Mas estamos libertando o país”.
Trump fecha o cerco com a acusação contra o ex-líder: “Estamos libertando-os”
O presidente cubano respondeu às acusações na plataforma digital: “A pretendida acusação contra o general de Exército Raúl Castro Ruz, que o Governo americano acaba de comunicar, apenas evidencia a soberba e a frustração que a inabalável firmeza da Revolução Cubana e a unidade e fortaleza moral de sua liderança provocam nos representantes do império. Trata-se de uma ação política, sem qualquer base jurídica, que visa apenas inflar o processo que fabricam para justificar o desatino de uma agressão militar”.
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