Após o ataque de Trump ao Papa Leão XIV, uma ameaça de bomba foi feita contra seu irmão nos subúrbios de Chicago

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Abril 2026

John Prevost é um diretor de escola católica aposentado que joga Wordle com seu irmão, o papa, todas as manhãs. Na noite de quarta-feira, a polícia evacuou seu bairro.

A reportagem é de Christopher Hale, publicada por Letters from Leo, 16-04-2026.

Na noite de quarta-feira, o irmão mais velho do Papa Leão XIV, John Prevost, foi vítima de uma ameaça de bomba.

Agentes da polícia de New Lenox, do Gabinete do Xerife do Condado de Will, um esquadrão antibombas e unidades de detecção canina cercaram a tranquila rua residencial onde Prevost mora.

Eles estabeleceram um perímetro, evacuaram as casas vizinhas e fecharam a estrada. Após uma busca minuciosa na propriedade, não encontraram nada — nenhum artefato explosivo, nenhum material perigoso.

John Prevost é o irmão do meio de três irmãos. Ele é um diretor de escola católica aposentado que passou 27 anos educando crianças na Arquidiocese de Chicago. Ele conversa com o irmão ao telefone todos os dias e, todas as manhãs, os dois jogam Wordle juntos.

Em uma entrevista à CBS Chicago em maio passado, ele descreveu a "incredulidade" de ver seu irmão mais novo, Robert — o garoto do South Side de Chicago — subir à sacada da Basílica de São Pedro como o 267º Bispo de Roma.

A ameaça de bomba ocorreu três dias depois de o presidente Trump ter lançado um ataque contra o Papa Leão XIV nas redes sociais.

Na noite de domingo, 13 de abril, Trump chamou o papa de "FRACO no combate ao crime e péssimo para a política externa" depois que Leão criticou a guerra entre EUA e Israel no Irã. Trump reivindicou o mérito pela eleição de Leão ao papado: "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano."

Na mesma publicação, Trump destacou o outro irmão do papa, Louis Prevost, de Port Charlotte, Flórida, escrevendo: "Gosto muito mais do irmão dele, Louis, do que dele próprio, porque Louis é totalmente MAGA."

Agressão verbal de Donald Trump contra o Papa Leão XIV. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O presidente dos Estados Unidos mencionou os nomes dos familiares do papa em uma plataforma com dezenas de milhões de seguidores.

Ele traçou uma linha divisória entre o irmão de quem gostava e o papa de quem desprezava.

Três dias depois, o irmão que Trump não mencionou — o diretor de escola aposentado de New Lenox — teve sua casa revistada por um esquadrão antibombas enquanto seus vizinhos observavam do lado de fora.

Já escrevi bastante sobre os irmãos Prevost. Em outubro passado, fiz um perfil dos três em “Os irmãos do Papa Leão — Um homem da Flórida apoiador do MAGA. Um liberal de Chicago. E o vigário de Cristo.”

Em novembro, publiquei a primeira entrevista completa de Louis e, em janeiro, uma continuação após sua participação no programa de Piers Morgan.

John sempre foi o irmão mais quieto — aquele que permaneceu no subúrbio de Chicago, que continuou trabalhando em sua escola paroquial e nunca buscou os holofotes enquanto seu irmão mais novo ascendia na Igreja.

A vida pública não atrai John Prevost. Sua rotina é mais simples e sagrada: trabalhar, fazer recados, voltar para casa e ligar para o irmão em Roma para conversar sobre um jogo de palavras de cinco letras.

O Departamento de Polícia de New Lenox afirmou em comunicado que "fazer denúncias dessa natureza é uma infração grave e pode resultar em acusações criminais". A investigação está em andamento.

Existe uma palavra para descrever o que acontece quando o político mais poderoso do mundo pinta cidadãos comuns como aliados e inimigos numa vingança política contra um líder religioso.

O ensinamento católico chama isso de escândalo — não no sentido sensacionalista, mas no sentido teológico: uma ação que leva outros ao pecado. Quando um presidente ataca publicamente o papa e nomeia seus aliados, ele também sugere os inimigos e estende um convite aos radicalizados.

Aparentemente, alguém aceitou.

Leia mais