Trump diz que não pedirá desculpas ao Papa Leão XIV e explica o motivo de ter publicado o meme bastante criticado

Foto: The White House

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15 Abril 2026

O presidente Donald Trump se recusou a pedir desculpas ao Papa Leão XIV na segunda-feira, após criticar o pontífice por sua oposição à guerra no Irã — e tentou justificar uma postagem em suas redes sociais, agora apagada, na qual se retratava como Jesus, dizendo que pensava que a imagem era dele como médico.

A informação é de Nicole Winfield, publicada por Crux, 14-04-2026.   

Trump foi questionado sobre seus comentários a respeito do chefe da Igreja Católica, nascido nos EUA, bem como sobre a publicação em que se apresenta como um curandeiro, em uma sessão de perguntas e respostas convocada às pressas com repórteres na Casa Branca.

“Ele era muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não se pode ter um Irã nuclear. O Papa Leão XIV não ficaria feliz com o resultado final”, disse Trump, acrescentando: “Acho que ele é muito fraco em relação ao crime e outras coisas, então não vou me desculpar”.

“Ele tornou isso público”, acrescentou o presidente republicano. “Estou apenas respondendo ao Papa Leão.”

Essa resposta veio depois de Leão ter rebatido o ataque de Trump contra ele na noite anterior, dizendo a repórteres que os apelos do Vaticano pela paz e reconciliação estão enraizados no Evangelho e que ele não teme o governo Trump.

“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho”, disse Leão à Associated Press a bordo do avião papal a caminho da Argélia. “E lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje.”

A troca de farpas entre os dois americanos mais influentes do mundo serviu para aprofundar uma crescente cisão, enquanto a guerra dos EUA no Irã se estendia para a sétima semana.

O primeiro papa nascido nos EUA enfatizou que não estava fazendo um ataque direto contra Trump ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral pela paz e críticas à guerra com o Irã e outros conflitos ao redor do mundo.

“Não tenho medo do governo Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o propósito da Igreja”, disse Leão, que afirmou ter uma perspectiva diferente sobre política externa em comparação com os políticos eleitos.

“Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e o multilateralismo entre os Estados para encontrar soluções para os problemas”, disse ele.

Trump comenta sua postagem muito criticada nas redes sociais. A imagem divulgada pelo presidente na noite de domingo mostrava Trump vestindo uma túnica de estilo bíblico e impondo as mãos sobre um homem acamado, enquanto uma luz emanava de seus dedos — ao passo que um soldado, uma enfermeira, uma mulher em oração e um homem barbudo de boné observavam com admiração. O céu acima estava repleto de águias, uma bandeira americana e imagens vaporosas.

“Eu postei, sim, e achei que era sobre mim como médico e que tinha a ver com a Cruz Vermelha”, disse Trump. “Supostamente, era sobre mim como médico, ajudando as pessoas a melhorarem. E eu realmente melhoro as pessoas. Muito melhor.”

Ele culpou as “notícias falsas” por qualquer confusão em relação à imagem, embora ela tenha atraído críticas de diversas pessoas, incluindo alguns dos próprios apoiadores evangélicos de Trump, que se opuseram à ideia de que Trump estivesse se comparando a Cristo. Até mesmo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, atacou a “profanação de Jesus”, ao mesmo tempo que se manifestou em defesa do papa.

A publicação foi apagada da conta de Trump no final da manhã de segunda-feira. Trump não forneceu detalhes sobre como isso aconteceu.

Trump alegou que Leão não está "fazendo um bom trabalho". O presidente criticou o papa em uma longa publicação nas redes sociais enquanto retornava a Washington da Flórida na noite de domingo. Ele continuou a denúncia após desembarcar, dizendo a repórteres: "Não sou fã do Papa Leão".

Durante uma oração vespertina na Basílica de São Pedro, no sábado, Leão afirmou que uma "ilusão de onipotência" estava alimentando a guerra entre os Estados Unidos e Israel no Irã. Os comentários foram feitos no mesmo dia em que os Estados Unidos e o Irã iniciaram negociações presenciais no Paquistão, em meio a um frágil cessar-fogo.

O papa já havia mencionado Trump diretamente e expressado otimismo de que o presidente buscaria uma "saída" no Irã. Uma condenação ainda mais forte veio depois que Trump alertou sobre ataques em massa contra usinas de energia e infraestrutura iranianas, escrevendo nas redes sociais que "uma civilização inteira morrerá esta noite". Leão descreveu isso como uma "ameaça contra todo o povo do Irã" e disse que era "verdadeiramente inaceitável".

Embora não seja incomum que papas e presidentes tenham objetivos divergentes, é extremamente raro que o papa critique diretamente um líder americano — e a resposta contundente de Trump é igualmente incomum.

“O Papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo para a política externa”, escreveu o presidente em sua publicação, acrescentando: “Não quero um Papa que ache normal o Irã ter uma arma nuclear”.

A oposição de Leão à guerra irritou Trump. Leão, que iniciou uma viagem de 11 dias à África na segunda-feira, já havia declarado que Deus “não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita”. Ele também citou uma passagem do Antigo Testamento, do livro de Isaías, dizendo: “Ainda que multipliquem as suas orações, eu não as ouvirei, porque as suas mãos estão cheias de sangue”.

Ainda assim, em seus comentários de segunda-feira, assim como em sua postagem nas redes sociais na noite de domingo, Trump foi muito além da guerra no Irã ao criticar Leão.

“Não quero um Papa que critique o Presidente dos Estados Unidos, porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, COM UMA VITÓRIA ESMAGADORA.” Sua publicação também afirmava que Leão XIV só foi eleito pontífice “porque ele era americano, e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o Presidente Donald J. Trump.”

“Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, escreveu Trump, acrescentando: “Leão deveria se recompor como Papa, usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um grande Papa, não um político. Isso está prejudicando muito a ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica!”

Em declarações à imprensa após desembarcar do Air Force One no domingo, Trump disse sobre Leão: "Não acho que ele esteja fazendo um bom trabalho. Acho que ele gosta de crimes", acrescentando: "Ele é uma pessoa muito liberal".

O arcebispo Paul S. Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, também disse estar "desanimado" com os comentários de Trump.

“O Papa Leão XIV não é seu rival; nem o Papa é um político”, disse Coakley em um comunicado. “Ele é o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pelo cuidado das almas.”

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