Assembleia da Petrobras é marcada por protestos por transição energética

Foto: Lucas Landau

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17 Abril 2026

Manifestantes pedem mais investimentos da empresa em fontes renováveis, Justiça Climática e fim da exploração de petróleo na Amazônia.

A informação é publicada por ClimaInfo, 16-04-2026.

A Petrobras realizou ontem (16/4) sua Assembleia Geral Ordinária. Enquanto acionistas aprovavam a distribuição de R$ 41,23 bilhões em dividendos e elegiam membros do conselho de administração, organizações da sociedade civil protestaram em frente ao prédio onde se realizava a reunião, no Centro do Rio de Janeiro, cobrando uma transição energética justa, Justiça Climática e o fim da exploração de petróleo na Amazônia, informa o Cenário Energia.

Os manifestantes lembraram do vazamento de fluido ocorrido na perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, em janeiro. E também destacaram que, enquanto a Petrobras lucra muito com combustíveis fósseis – a empresa teve lucro líquido de mais de R$ 110 bilhões em 2025 -, a sociedade fica com o prejuízo, sofrendo os efeitos de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos devido às mudanças do clima, causadas principalmente pela queima de petróleo, gás e carvão.

“Eles lucram bilhões, enquanto nós pagamos: como contribuintes, porque pagamos pelos subsídios aos fósseis, pelos danos ambientais causados pela exploração de petróleo e gás, nas contas de luz, gás e combustível, que comprometem boa parte da renda das famílias, e nos impostos, que cada vez mais precisam ser realocados para lidar com perdas causadas por desastres climáticos”, destaca João Cerqueira, diretor da 350.org Brasil.

A Petrobras é criticada por sua incoerência. Enquanto contratou diversos influenciadores para abordar o tema da transição energética justa, a petrolífera reduziu em 20% o orçamento para projetos relacionados à agenda no seu Plano de Negócios 2026-2030, divulgado em novembro do ano passado. Em nota divulgada em março, a presidente da petrolífera, Magda Chambriard, reforçou o foco na expansão da produção de combustíveis fósseis.

Há caminhos possíveis e lucrativos para a Petrobras deixar para trás os combustíveis fósseis. O documento “A Petrobras de que Precisamos”, lançado pelo Observatório do Clima em setembro de 2025, propõe que a Petrobras priorize investimentos em baixo carbono, diversificando seu core business; realoque investimentos planejados em novas refinarias na ampliação da participação de novos combustíveis de baixo carbono na matriz energética, reduzindo a demanda interna de derivados; e aproveite sua experiência para investir em biocombustíveis, sobretudo os de segunda e terceira gerações, diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF).

“A Petrobras pode e deve liderar ações mais efetivas na perspectiva da transição energética. Necessita internalizar a gravidade da crise climática e diversificar seus investimentos, com atuação concreta em fontes renováveis, que vá além da esfera narrativa”, reforça Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima (OC).

Um elemento recente que reforça a urgência da transição energética são os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que fizeram os preços dos combustíveis fósseis dispararem. Ainda que o Brasil seja exportador líquido de petróleo, ainda precisa importar derivados. E está pagando bem mais caro por isso, a ponto do governo adotar isenções tributárias e subvenções para segurar os preços dos combustíveis. Uma conta que, no fim, recairá sobre a população.

“Os ataques jogaram por terra a suposta ‘segurança energética’ associada aos combustíveis fósseis e expuseram a urgência financeira da transição energética para garantir a soberania dos países. Logo, os planos da Petrobras de ampliar investimentos em combustíveis fósseis em detrimento de fontes renováveis e combustíveis de baixo carbono são um risco para a perenidade econômico-financeira da própria empresa. Pelo papel que a Petrobras desempenha na economia nacional, é crucial que a empresa se torne uma empresa de energia, liderando de fato uma transição energética justa e deixando para trás seu passado petrolífero”, frisa Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo.

Em tempo

Na AGO de ontem, os acionistas da Petrobras também aprovaram a proposta de orçamento de capital da petrolífera para 2026, informa o Valor. O valor é de R$ 114 bilhões, sendo R$ 83,6 bilhões para a área de exploração e produção (E&P); R$ 19,9 bilhões para refino, transporte e comercialização; R$ 7,5 bilhões para gás e energias de baixo carbono; e R$ 3 bilhões para o segmento corporativo. Ou seja, 90% dos recursos irão para combustíveis fósseis e apenas 6,5% para gás e energias de baixo carbono. Como o gás também é fóssil, o percentual para a transição energética deve ser ainda menor.

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