Líbano. O núncio bloqueado no fogo cruzado "Bombas de fósforo branco no Líbano"

Foto: Anadolu Agency

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10 Abril 2026

No dia em que o povo libanês recebe a mensagem de "consolação e compaixão" enviada pelo Papa Leão XIV, a nova missão humanitária do núncio apostólico se viu sob fogo cruzado. A poucos quilômetros de distância, colunas de fumaça clara envolviam campos e prédios. "Fósforo branco", segundo testemunhas oculares. Diversas fontes internacionais no Líbano confirmaram a informação ao jornal Avvenire. Mais uma terça-feira de guerra havia começado com a ordem de novas evacuações no sul do país, enquanto ataques noturnos a Beirute e bombardeios ao amanhecer no Vale do Bekaa ocidental delimitavam o perímetro de um conflito que a cada dia expande seu raio de ação. Isso não deixa aos moradores nenhuma alternativa: abandonar suas casas para sempre ou permanecer e correr o risco de se somar à lista dos mortos, que já se aproxima de 1.500 vítimas, dois terços delas civis, segundo as autoridades libanesas.

A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Avvenire, 08-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

E nunca antes havia acontecido de forças israelenses, em solo libanês, prenderem um soldado das forças de paz. O militar, que estava em um veículo de transporte, foi detido por mais de uma hora e liberado após os protestos. "Qualquer detenção de um membro das forças de paz das Nações Unidas", reagiu a Unifil, "constitui uma clara violação do direito internacional."

A Missão do Vaticano

A missão humanitária do Vaticano havia sido programada notificando as partes sobre a rota do comboio de ajuda escoltado pelos soldados franceses da Unifil. Mais uma vez, era liderada pelo Núncio Apostólico Paulo Borgia. O diplomata do Vaticano pretendia chegar às aldeias do Sul durante a Páscoa e entregar aos fiéis cristãos e à população uma mensagem do Papa Leão, enviada por meio do Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin. A tentativa falhou, então ontem uma nova expedição foi tentada. Mas, mais uma vez, a delegação não conseguiu chegar aos civis que vivem em meio a bombardeios e fogo cruzado. O comboio seguia para Debel, não muito longe da fronteira sul com Israel, onde muitos decidiram ficar e celebrar a Ressurreição, apesar do risco constante de combates entre as forças israelenses e as linhas de frente do Hezbollah. Depois de passar por Tiro, a poucos quilômetros de Debel, o comboio foi forçado a primeiro parar e depois retornar devido ao intenso fogo.

De acordo com fontes de segurança francesas, o comboio teria sido atingido por tiros, danificando alguns veículos. Testemunhas no local confirmam não se tratou de tiro direcionado especificamente à missão, mas as trajetórias das balas não pouparam a Unifil, perto de Bint Jbeil, onde os combates se intensificavam. Dois soldados franceses foram atingidos de raspão por disparos e sofreram ferimentos leves. Seus veículos também foram atingidos de raspão. Antes de recuar, o monsenhor Borgia transmitiu as palavras do Pontífice aos fiéis de Debel e à população do sul. Uma mensagem "de consolo e compaixão a todos os cristãos do sul do Líbano e a todas as pessoas que sofrem as consequências da guerra", diz o texto. "Em seu sofrimento, na injustiça que vocês suportam, na sensação de abandono que sentem, vocês estão muito perto de Jesus", disse o Papa Prevost. "Nenhuma de suas orações, nenhum de seus gestos de solidariedade, nenhum suspiro de cansaço que vocês expressam", acrescentou, "é em vão."

Desde o início da guerra, o embaixador da Santa entregou pessoalmente ajudas, com a assistência da missão da Unifil, em diversas zonas afetadas pelos combates, como Ain Ebel, Debel, Rmeich, Qlayaa e Marjayoun, descrevendo cenas de desolação e escombros. O diplomata do Vaticano reiterou várias vezes os apelos do Papa Leão XIV pela paz e enfatizou o apoio diplomático e espiritual da Santa Sé.

O pesadelo do fósforo branco

Relatos sobre o possível uso de fósforo branco voltam a ser denunciados no sul do Líbano. Já em 3 de março, na área de Yohmor, a Human Rights Watch havia geolocalizado imagens mostrando munições de fósforo branco explodindo sobre uma área residencial do vilarejo. O exército israelense respondeu declarando que não podia confirmar. Há menos de duas semanas, em 26 de março, denúncias semelhantes vieram de Qantara e Deir Seriane. De acordo com novas descobertas de campo por fontes confidenciais das Nações Unidas, "a suspeita de uso recente de fósforo branco no sul do país encontra maiores confirmações".

Duas fontes distintas de agências da ONU no Líbano confirmaram confidencialmente ao Avvenire que "detectamos recentemente, em diversas ocasiões, o que suspeitamos ser fósforo branco". Pelo que foi possível apurar, os relatos dizem respeito a aproximadamente cinquenta áreas próximas de outros tantos vilarejos. Israel não assinou as convenções internacionais que proíbem o uso desse tipo de arma química em guerra, mas a justiça internacional lista algumas tipologias de fósforo branco entre as armas cujo uso constitui crimes de guerra. Projéteis de fósforo são frequentemente usados como iluminantes durante combates noturnos. Mas também na manhã de ontem foram detectados lançamentos suspeitos perto da zona rural onde militantes do Hezbollah operam. Já em julho de 2024, um dossiê detalhado de especialistas militares da missão da ONU havia certificado o uso de fósforo branco não muito longe de centros habitados. No sul do Líbano, muitas plantações, incluindo os olivais, estão contaminadas por substâncias químicas, comprometendo não apenas a saúde, mas também a sobrevivência econômica de comunidades inteiras.

O espectro do conflito interno

No pano de fundo pairam as divergências internas das componentes libanesas. O presidente Joseph Aoun, por um lado, reiterou que a situação de segurança interna está "sob controle" e, por outro, enviou um alerta: "Qualquer um que tente alimentar desordens, seja por meio das redes sociais ou da imprensa, representa um perigo para o Líbano e comete atos piores do que os ataques israelenses".

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