Quando a segunda-feira de Páscoa une dois "rebeldes"

Hans Küng e Papa Francisco | Foto: Vatican Media

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09 Abril 2026

"Küng levantou questões fundamentais, Francisco reformou o sistema. Mas ambos compartilhavam a percepção de que a Igreja precisa mudar para manter sua credibilidade. Seu impulso "rebelde", portanto, não era uma ruptura, mas uma responsabilidade."

O artigo é de Mario Trifunovic, teólogo, publicado por Katholisch, 09-04-2026.

Eis o artigo.

Uma segunda-feira de Páscoa que conecta dois "rebeldes": Hans Küng e o Papa Francisco. Esta segunda-feira de Páscoa, 6 de abril, marcou o quinto aniversário da morte de Küng – ironicamente, no mesmo feriado em que Francisco faleceu no ano passado (21 de abril). Aqueles que simplesmente justapõem suas figuras perdem o ponto principal: ambos representam uma Igreja que precisa avançar – ou estagnar.

Küng, um dos mais importantes teólogos de língua alemã, participou do Concílio Vaticano II, mas suas críticas à infalibilidade papal o colocaram em conflito com Roma. Em 1979, o Vaticano revogou sua licença para lecionar. Uma reabilitação oficial nunca ocorreu — e acabou se tornando secundária para Küng. Mesmo assim, ele interpretou a resposta manuscrita do Papa latino-americano em 2016 como uma reabilitação "quase informal".

Para ele, assim como para Francisco, a reforma da Igreja era tão crucial quanto a nova liberdade de pensamento. Ambos compartilhavam a convicção de que o progresso era necessário. Com sua ênfase na sinodalidade, Francisco retomou uma ideia que Küng já havia defendido na década de 1960: mais participação, mais diálogo, mais responsabilidade para todos os fiéis.

Ao conceder aos leigos o direito de voto no Sínodo Mundial que ele próprio instaurou, Francisco estabeleceu um precedente contra uma compreensão puramente hierárquica da Igreja – para grande desgosto de alguns cardeais. Küng já havia vislumbrado precisamente isso na década de 1960, razão pela qual foi posteriormente criticado pelo Vaticano: uma Igreja que não deriva sua autoridade unicamente "de cima", mas a conquista da luta compartilhada pela verdade.

Contudo, ainda existem divergências. Küng levantou questões fundamentais, Francisco reformou o sistema. Mas ambos compartilhavam a percepção de que a Igreja precisa mudar para manter sua credibilidade. Seu impulso "rebelde", portanto, não era uma ruptura, mas uma responsabilidade. Para alguns, essa mudança está acontecendo muito lentamente, para outros, muito rapidamente. A tensão persiste – mesmo sob o Papa Leão XIV. Resta saber se seu equilíbrio será bem-sucedido e como ele lidará com as questões delicadas.

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