Hans Küng, 90 anos

Hans Küng | Foto: UNED Universidad Nacional de Educación a Distancia - Wikimedia Commons

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20 Março 2018

Escrevo aqui uma lembrança, uma das muitas, porque eu era de casa na residência de Hans Küng em Tübingen, repleta de livros, aberta a qualquer um. Era outubro de 1989, quase 10 anos depois que um procedimento vaticano havia lhe tirado a cátedra de teologia na célebre universidade alemã.

O relato é de Francesco Strazzari, publicado por Settimana News, 18-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Perguntei-lhe qual era o seu estado de ânimo. Ele me respondeu: “Há diversos aspectos do caso, o famoso caso Küng. Há o aspecto eclesiástico, oficial, e o aspecto teológico, pessoal. A intervenção do Vaticano era clara: anular a minha atividade como teólogo e a minha influência. Essa intervenção me parece ser ainda hoje, à distância de 10 anos, teologicamente infundada, juridicamente injusta e politicamente contraproducente. Perdi tudo há 10 anos. É claro, com um ‘compromisso histórico’, foi-me concedido ensinar teologia ecumênica nas dependências diretas do senado acadêmico. Permaneci como diretor do Instituto para a Pesquisa Ecumênica, que não tem decano. Posso decidir com os meus colaboradores o que queremos fazer. Tive a possibilidade de me dedicar àqueles campos, que sempre foram a minha paixão desde os tempos dos meus estudos em Roma: as religiões, a teologia, a literatura, os novos paradigmas, a análise da pós-modernidade. Escrevi alguns livros nesses 10 anos, que eu não teria escrito se tivesse continuado a ensinar dogmática”.

Mais uma pergunta: o que provocou sua condenação?

“O artigo que eu escrevi um ano depois da eleição de João Paulo II. Eu fiz um balanço de seu pontificado. Foi considerado como muito duro e injusto. Relendo o artigo agora, ao contrário, acho que eu fiz uma avaliação mitigada, moderada. Hoje, em 1989, fala-se de modo muito diferente sobre o pontificado de João Paulo II. Vejam-se, por exemplo, as várias ‘declarações’. A crítica não vem só da chamada ala progressista da Igreja Católica, mas é generalizada. Professores notoriamente conservadores assinaram a ‘Declaração de Colônia’ (janeiro de 1989). Eu me mantive afastado para não dar a impressão de ser novamente o grande contestador. Eu assinei, mas não fui a Colônia. A palavra ‘perestroika’ está na moda hoje. Mas onde ela está na Igreja, onde, ao contrário, tudo está bloqueado? Outra palavra: ‘Solidarnosc’: não serve para a Igreja. Há uma casta de funcionários na Cúria romana que não quer aceitar que uma parte consistente de católicos pense de forma diferente sobre o controle de natalidade, divórcio, celibato, aborto, eutanásia, relações ecumênicas, intercomunhão. Eu sempre fui um defensor do primado da Igreja de Roma, mas o primado deve ser pastoral, no sentido evangélico. O primado não é para dividir, mas para unir a Igreja.”

O Papa Francisco telefonará para ele para lhe dar os parabéns?

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