A guerra contra o Irã se intensifica com o ataque de Teerã à embaixada dos EUA em Riad

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03 Março 2026

O envolvimento dos EUA e de Israel no conflito está aumentando à medida que o Irã intensifica seus ataques em resposta à ofensiva de Trump e Netanyahu, que alertam que a campanha militar pode durar quatro ou cinco semanas.

A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 03-03-2026.

A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã entra em seu quarto dia. Ela está se tornando cada vez mais complexa e envolvendo mais países, à medida que Donald Trump e Benjamin Netanyahu intensificam o envolvimento de seus países e anunciam que a campanha de bombardeio pode durar "quatro ou cinco semanas". Trump também lamentou a escassez de equipamentos militares avançados devido às armas fornecidas por Joe Biden ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a quem ele se referiu depreciativamente como P.T. Barnum, um notório charlatão e vigarista americano do século XIX.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, tentou descartar a possibilidade de o conflito se tornar uma “guerra sem fim” no Oriente Médio. Em entrevista à Fox News, Netanyahu afirmou: “Esta não é uma guerra sem fim. Na verdade, é algo que inaugurará uma era de paz que nem sequer imaginamos”. Netanyahu declarou que a Operação Fúria Épica criaria as condições “para que o povo iraniano assuma o controle de seu destino, forme seu próprio governo democraticamente eleito” e seja capaz de “se libertar do jugo dessa máquina de terror”.

Netanyahu defendeu os bombardeios alegando que eles impedem a República Islâmica de adquirir uma arma nuclear, sem apresentar qualquer prova de que o país esteja mais perto de obtê-la. Essas alegações, repetidas pelo presidente americano, contradizem informações dos serviços de inteligência dos EUA, que determinaram que o Irã está a quase uma década de desenvolver um míssil balístico intercontinental "militarmente viável".

Como resultado dos ataques, o Crescente Vermelho estima que haja 555 civis mortos no Irã, embora o número possa ultrapassar 700, de acordo com a agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA.

Entretanto, o Irã está respondendo à ofensiva de Washington e Tel Aviv, chegando ao ponto de atingir a embaixada dos EUA em Riad (Arábia Saudita) com drones, causando danos materiais significativos.

O Ministério da Defesa saudita confirmou o ataque e afirmou que causou "um incêndio de pequena escala e danos materiais menores", mas não relatou feridos.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou que iniciou esforços para destruir "centros políticos americanos" na região: "A explosão na embaixada de Washington em Riad, capital da Arábia Saudita, é um passo nessa direção."

Donald Trump disse à NewsNation que sua resposta ao ataque à missão diplomática seria conhecida "em breve".

A embaixada dos EUA em Riad e está entre as diversas instalações militares e diplomáticas americanas que foram alvo do Irã. A CNN também noticiou que a embaixada dos EUA no Kuwait foi atacada no domingo e na segunda-feira.

De fato, Teerã também atacou Israel e vários países do Golfo, incluindo instalações de energia no Catar.

Locais considerados seguros na região, como Dubai, foram alvos de ataques; os preços da energia dispararam; e os aliados dos EUA prometeram ajudar a impedir os mísseis e drones iranianos.

O maior impacto energético foi sentido nos preços do gás natural, que subiram mais de 40% na Europa, uma vez que a Qatar Energy, uma das principais fornecedoras, interrompeu a produção de gás natural liquefeito após o ataque às suas instalações.

O petróleo bruto dos EUA subiu 6,3%, para US$ 71,23 o barril, enquanto o petróleo Brent, referência internacional, avançou 6,7%, para US$ 77,74 o barril, segundo a Associated Press. A alta nos preços do petróleo aumenta a probabilidade de aumento nos preços da gasolina, bem como nos preços de outros produtos, em um momento em que muitos países já enfrentam a inflação.

Um ponto crucial é o Estreito de Ormuz, na extremidade sul do Golfo Pérsico, por onde passa 20% do suprimento mundial de petróleo.

O tráfego de navios-tanque foi drasticamente reduzido devido à interrupção dos sistemas de navegação por satélite. Além disso, o Centro de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido relatou ataques a várias embarcações na área, em ambos os lados do estreito, e alertou para o aumento da interferência eletrônica nos sistemas que exibem a localização das embarcações, segundo a AP.

Os Estados Unidos, por sua vez, ordenaram que seus cidadãos deixassem 14 países do Oriente Médio.

"Os golpes mais duros ainda virão das forças armadas americanas", ameaçou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a repórteres antes de informar membros do Congresso sobre a operação no Irã.

Entretanto, bombardeios vindos de Washington e Tel Aviv atingiram o Palácio Golestan em Teerã, um Patrimônio Mundial da Unesco. "O Palácio Golestan, um Patrimônio Mundial da Unesco, foi danificado após um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel", informou a agência de notícias iraniana Mehr, segundo a CNN.

Os mercados globais estão sendo abalados pela disseminação dos conflitos em uma região vital para o fornecimento de energia.

A refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, também foi atacada por drones, mas suas defesas abateram as aeronaves, disse um porta-voz militar à agência de notícias estatal saudita. A refinaria tem capacidade para processar mais de meio milhão de barris de petróleo bruto por dia.

Protestos nos EUA

Em diversos locais nos Estados Unidos, milhares de pessoas se reuniram na segunda-feira para denunciar e protestar contra a operação militar conjunta dos EUA e de Israel no Irã.

Em Boston, apesar das baixas temperaturas, manifestantes foram às ruas: um deles, dirigindo-se à multidão, expressou sua oposição a "essas guerras intermináveis, estúpidas, imorais e perigosas", segundo a afiliada da CNN, WCVB.

Na cidade de Nova Iorque, um grupo de manifestantes reuniu-se em Manhattan para um breve protesto antes de marchar pelas ruas, gritando "mãos fora do Irã agora", enquanto carregavam faixas e cartazes.

Protestos semelhantes ocorreram em Chicago, Portland (Oregon) e Madison (Wisconsin).

A Answer Coalition, uma organização contra a guerra e a ocupação, anunciou no fim de semana nas redes sociais que segunda-feira seria um dia nacional de protesto para "Parar a Guerra no Irã".

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