28 Fevereiro 2026
Uma grande ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28) desencadeou explosões em Teerã, ataques de retaliação e um efeito dominó de alertas militares em vários países do Oriente Médio. A escalada aprofunda uma crise que já vinha crescendo nas últimas semanas e aumenta o temor de um conflito regional mais amplo.
A reportagem é de Ivan Longo, publicada por Revista Fórum, 28-02-2026.
Segundo informações divulgadas por autoridades e relatos da Agence France-Presse (AFP), forças estadunidenses e israelenses atingiram alvos militares iranianos, incluindo instalações ligadas a mísseis balísticos e estruturas estratégicas do governo.
Explosões atingem Teerã
Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões e viram colunas de fumaça subindo sobre áreas centrais e orientais de Teerã na manhã deste sábado.
A agência iraniana Fars informou que sete mísseis atingiram os bairros de Keshvardoost e Pasteur, região onde fica a residência do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.
Um trabalhador que estava em um prédio próximo descreveu a cena à AFP: “Eu vi com meus próprios olhos dois mísseis Tomahawk voando horizontalmente em direção aos alvos. No início ouvimos um barulho abafado e pensamos que fosse um caça.”
Ambulâncias foram enviadas para os locais atingidos, mas nas primeiras horas não havia confirmação oficial do número total de mortos ou feridos.
Operação militar em larga escala
Israel anunciou inicialmente um “ataque preventivo” contra o Irã e declarou estado de emergência em todo o país.
Pouco depois, veículos de imprensa estadunidenses informaram que os EUA também participavam da ofensiva. O Pentágono batizou a operação de “Fúria Épica”.
Em um pronunciamento em vídeo, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA iniciaram uma grande campanha militar contra o Irã. “Vamos destruir os mísseis deles e reduzir a indústria de mísseis deles a pó. Ela será totalmente, mais uma vez, obliterada. Vamos aniquilar a marinha deles.”
Trump também reconheceu que a ofensiva pode provocar baixas entre militares dos EUA.
Pressão por mudança de regime
Além do ataque militar, Trump falou abertamente sobre mudar o regime no Irã.
Em mensagem dirigida à população iraniana, o presidente dos EUA declarou: “Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo. Ele estará pronto para ser tomado por vocês. Esta provavelmente será a única chance por gerações.”
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez uma declaração semelhante, afirmando que a operação militar busca eliminar uma “ameaça existencial” e abrir caminho para que os iranianos derrubem seu governo.
Irã reage com mísseis
Pouco depois dos bombardeios iniciais, o exército israelense afirmou ter detectado mísseis lançados do Irã em direção ao território israelense.
Sirenes de alerta soaram em várias cidades e moradores foram orientados a buscar abrigo.
A escalada rapidamente se espalhou pela região:
- Sirenes também foram ouvidas na Jordânia e no Bahrein;
- Um centro de serviços ligado à Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein foi atingido por um ataque com mísseis;
- No Iraque, um bombardeio contra uma base militar usada por um grupo aliado ao Irã matou ao menos dois combatentes e deixou vários feridos.
Bases e países em alerta
O clima de guerra se espalhou por vários pontos do Oriente Médio.
Explosões e sirenes foram registradas perto de uma base militar americana no Catar, enquanto forças armadas de países vizinhos passaram a monitorar o espaço aéreo.
Diante da escalada, Irã, Israel e Iraque fecharam seus espaços aéreos, e embaixadas dos EUA na região orientaram cidadãos a procurar abrigo.
Ataque ocorre após tensão diplomática
A ofensiva acontece logo após negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano em Genebra.
Na sexta-feira (27), Trump já havia demonstrado irritação com a postura de Teerã nas negociações, afirmando que o país “não está disposto a nos dar o que precisamos ter”.
Apesar disso, o governo de Omã, que mediava as conversas, chegou a afirmar que havia ocorrido um possível avanço diplomático que poderia evitar uma guerra.
Ao mesmo tempo, Washington vinha ampliando sua presença militar na região, incluindo o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford para perto de Israel — o maior reforço militar estadunidense no Oriente Médio em décadas.
Governo iraniano promete resposta
Após os bombardeios, o governo iraniano afirmou que responderá com firmeza aos ataques.
A televisão estatal classificou a ofensiva como “agressão aérea do regime sionista”.
A mídia estatal também informou que o presidente iraniano Masoud Pezeshkian está “seguro e sem problemas” após os ataques.
Região entra em momento crítico
Com mísseis sendo disparados, bases militares atingidas e vários países em alerta máximo, analistas temem que a ofensiva marque o início de uma nova guerra no Oriente Médio.
Autoridades iranianas já prometeram retaliação, enquanto Estados Unidos e Israel indicam que a operação militar pode continuar.
Nas próximas horas, o número de vítimas e a dimensão real do conflito devem ficar mais claros — mas a região já vive uma de suas escaladas mais perigosas dos últimos anos.
*Com informações da AFP
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