Sucessor de Ornelas, bispo português, como “geral” dos Dehonianos é o novo presidente dos bispos alemães

Foto: Vatican Media

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26 Fevereiro 2026

O bispo Heiner Wilmer, da diocese de Hildesheim, um defensor do Caminho Sinodal, que foi em anos recentes responsável pelos departamentos social e de justiça e paz do episcopado, acaba de ser eleito pelos seus pares novo presidente da Conferência Episcopal Alemã (CEA).

A reportagem é publicada por 7 Margens, 24-02-2026.

O novo responsável inicia aos 64 anos um mandato de seis anos, depois de uma trajetória ligada à Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), da qual foi superior na Alemanha e Superior Geral, sucedendo no cargo ao bispo português José Ornelas, também ele presidente de uma Conferência Episcopal, a Portuguesa. Esta presença em Roma, no tempo do Papa Francisco, deu-lhe algum conhecimento da vida da Cúria. De resto pode dizer-se que sabe manobrar com tratores, gosta de andar de bicicleta e de ouvir música e tem experiência de professor em diferentes partes do mundo.

Em declarações aos jornalistas, no fim da votação, o bispo Heiner Wilmer não avançou muito sobre o processo de reformas que o Caminho Sinodal desencadeou, mas quis enfatizar a dimensão espiritual da sinodalidade. Lembrou o Papa Francisco que apontou a alegria do Evangelho, “uma alegria que sustenta e move”, frisando que o Papa Leão “continua esse caminho com clareza espiritual”. Salientou também que o evento sinodal mundial “fez-nos perceber quão valioso é ouvirmo-nos uns aos outros” e que a sinodalidade continua a ser “uma atitude espiritual” que está presente no “caminhar juntos, partilhar responsabilidades, tomar decisões em conjunto” e que “Cristo está no centro”. Essa centralidade faz “crescer a confiança e a confiança cria futuro”, observou.

“Espírito Santo mora no consenso, mas também na discordância”

Na fase de perguntas e respostas, interrogado sobre os (poucos) bispos que se afastaram do Caminho Sinodal local, o novo presidente fez notar que o Espírito Santo “não habita apenas no consenso, mas também na discordância”. Portanto, “é bom que permaneçamos em diálogo por meio dessa troca espiritual”, disse.

Referindo-se aos estatutos da polémica Conferência Sinodal, que serão votados pelos bispos na assembleia que decorre até quinta-feira, 26, em Würzburg, Wilmer afirmou que os sinais vindos de Roma lhe davam motivos para otimismo. O Papa Francisco já havia dito que a sinodalidade é a forma fundamental da Igreja. “O Papa Leão XIV confirmou isso e, nesse sentido, estou confiante”, referiu, citado pelo site da Igreja Católica alemã.

O bispo de Hildesheim foi ainda questionado sobre o lugar das mulheres na Igreja, um dos temas centrais do Sínodo alemão. Em resposta, afirmou ser importante “colocar as suas competências no centro e agir em conformidade com o Sínodo Mundial”, incluindo no que se refere à questão dos ofícios e ministérios. “Acolho isso com muita satisfação”, disse ele. E continuou: “Estou convencido de que o Espírito Santo continua a agir na Igreja hoje, e aguardo com expectativa as surpresas que o Espírito Santo trará.”

O presidente eleito da CEA manifestou-se também a favor de uma Igreja que seja “embaixadora da paz”, quer relativamente “às muitas crises e conflitos políticos no mundo quer ao clima na sociedade”.

Sobre as vítimas de abusos na Igreja, adiantou que “as vozes delas têm peso” e “precisam de ser escutadas”. “Dessa forma, esclareceu, cria-se um espaço no qual a dignidade é protegida e a confiança pode florescer novamente.”

“Coragem para as mudanças que se avizinham”

A partir de Roma, onde se encontra com uma equipe diretiva de leigos para conversações, a presidente do Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK), Irme Stetter-Karp, felicitou o bispo eleito e desejou “a bênção de Deus para o seu trabalho, coragem para as mudanças que se avizinham e um coração sensível para novas reformas na Igreja”.

Manifestando disponibilidade para trabalhar com o novo responsável episcopal, a dirigente católica afirma-se convicta de que o bispo Wilmer está consciente de que “a voz da Igreja é necessária”, com vista a “ajudar a superar os conflitos sociais, fortalecer a democracia abalada, ajudar a moldar o futuro” do país e da Europa.

Sobre a Conferência Sinodal, o órgão que acompanhará a concretização das deliberações do Sínodo, a presidente da ZdK disse estar “muito confiante”, esperando que a assembleia que decorre em Würzburg aprove os respetivos estatutos, tal como o ZdK já fez. “Nos últimos anos, muita coisa mudou. O que todos nós, juntos, alcançámos no Caminho Sinodal já não pode ser alterado, minimizado ou mesmo desfeito”, acredita Irme Stetter-Karp. “Precisamos disso especialmente para a coesão dos muitos milhões de católicos no país que desejam um vínculo forte entre bispos e leigos. São muitos os que desejam ver a mudança da sua Igreja no dia a dia”, enfatiza a dirigente, num comunicado que o 7MARGENS recebeu.

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