19 Fevereiro 2026
Os debates sobre reformas na Igreja Católica exigiram muito do bispo Georg Bätzing. Ele avalia de forma crítica o comportamento de colegas bispos na Alemanha e de representantes da Cúria no Vaticano.
A informação é publicada por katolisch.de, 18-02-2026.
O bispo de Limburg, Georg Bätzing, descreveu o Caminho Sinodal para o futuro da Igreja Católica na Alemanha como um grande esforço. Especialmente o diálogo com o Vaticano teria sido, por vezes, trabalhoso, afirmou o presidente cessante da Deutsche Bischofskonferenz (DBK) em entrevista ao jornal Die Zeit: “Houve bispos da Alemanha e cardeais na Cúria que tentaram convencer o papa de que queríamos um cisma. Isso era e continua sendo um absurdo.”
O Caminho Sinodal, iniciado em 2019 sob o impacto da crise dos abusos, buscou, por meio da cooperação entre bispos e leigos, explorar possibilidades de mudanças na vida eclesial. As deliberações deverão continuar a partir do outono em um novo órgão, a Conferência Sinodal. Georg Bätzing anunciou recentemente que não estará disponível para um segundo mandato como presidente da DBK. Na terça-feira, os bispos alemães pretendem eleger um sucessor durante a assembleia geral de primavera, em Würzburg.
Reconhecer as condições reais de vida
Sobre os resultados do Caminho Sinodal, Georg Bätzing afirmou: “Aprovamos uma nova norma fundamental do direito trabalhista eclesiástico, o que foi um grande avanço. Finalmente reconhecemos as condições reais de vida, e não apenas as ideais: que também há católicos não casados, divorciados ou pais e mães solteiros. E agora, em muitos lugares, existem celebrações de bênção para pessoas que não podem ou não querem se casar na Igreja.”
Ele acrescentou que deseja “que pessoas que até então tinham a impressão de que não contam, de que estão à margem, de que a Igreja as condena, sintam-se pertencentes”. Outro desafio para ele foi criar um ambiente aberto de diálogo durante o Caminho Sinodal e nas reuniões dos cerca de 230 membros sinodais: “Eu precisava moderar de modo que pudéssemos nomear os problemas, mas também chegar a resultados.”
“Nós simplesmente fomos honestos”
O que o irritou foi “que em Roma nos tratassem como se quiséssemos dividir”, afirmou Georg Bätzing: “Nós simplesmente fomos honestos e apresentamos nossos desejos de mudança quanto ao diaconato feminino, ao celibato e ao ministério sacerdotal. Nenhum de nós esperava que o papa nos escrevesse após quatro semanas dizendo: ‘Tudo bem, vamos fazer tudo como vocês alemães querem’.” Pessoalmente, ele está convencido de que a moral sexual da Igreja precisa mudar: “Mas eu não escrevo o Catecismo sozinho.”
Com o passar do tempo, contudo, a confiança entre a liderança da Igreja Católica em Roma e os representantes da Igreja na Alemanha teria crescido, acrescentou Georg Bätzing: “E percebo que a atmosfera na Cúria mudou positivamente sob o Papa Leão.” Ao mesmo tempo, segundo ele, é preciso ter fôlego longo em relação a possíveis reformas: “Questões de reforma são questões culturais. Na Igreja mundial temos culturas diferentes. Mudá-las conjuntamente leva tempo.”
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